Os anos 1990 foram o ápice da apelação na TV brasileira. O domingo, dia nobre onde se concentrava os principais programas de audiência de uma emissora, abusava, sem precedentes, da sexualização do corpo feminino. Era nítida as incansáveis formas em quase deixar à mostra – quando não totalmente – as partes íntimas de uma mulher.
Uma dessas tentativas aconteceu quase no final da década, quando o Domingão do Faustão, exibido pela Rede Globo, apresentava o quadro “Sushi Erótico”, onde personalidades tinham que pegar as peças gastronômicas artesanais do corpo de modelos. É claro que Faustão, o apresentador, aproveitava os momentos para fazer comentários irônicos e de péssimo humor até para os padrões da época.
Provavelmente, estando do outro lado mundo, Yüto Tsukuda não deve ter conhecido o infame quadro ao criar sua obra Shokugeki no Soma (também conhecido como Food Wars), mas o escritor aproveitou da mesma sagacidade dos anos 90 no Brasil: sensualizar sua obra com corpos femininos, acompanhado dos mais belos ingredientes.
A receita é simples: quando um personagem do mangá/anime, em sua grande maioria garotas, experimenta algum prato delicioso, ele vai ao deleite, ao ponto de se imaginar despido envolto do prato, com expressões e entonação na voz de quem acabou de ter a melhor fruição de toda vida. Apelativa ou engraçada, a metáfora deve servir apenas para atrair um público que só consome erotização até onde não deveria existir.
Mais FOOD do que PORN
Em Food Wars acompanhamos S?ma Yukihira, um garoto cujo sonho é se tornar um chef em tempo integral no restaurante da família e superar as habilidades culinárias de seu pai. Para isso, ele passa a estudar na na Academia de Culinária T?tsuki, uma escola de culinária de elite, onde menos de 1% dos estudantes se graduam. Além disso, diversos duelos, a lá Master Chef, são travados ao longo dos episódios, com apostas como jogo de facas ou a própria desistência da academia.
