A nós, artistas que somos, compete criar com os recursos possíveis. Criar para quem e para quê? Qual o teatro possível em meio à falência das estruturas nas quais a criação se apoiava? O teatro é, ainda, necessário? Algum dia ele já o foi?
O teatrólogo Denis Guénoun debate a questão no livro O Teatro é necessário?. Aponta para crises que o teatro enfrenta: a falta de plateia; escassez de subsídios públicos; a obsolência diante das novas tecnologias de entretenimento - como vencer o cinema 3D e as plataformas de streaming?; a ameaça de extinção.
Enquanto o teatro se esforça por conseguir plateia, contraditoriamente, cresce o número de pessoas desejosas por estudar teatro, muitas vezes sem ter assistido a peças antes. Embora o contexto seja francês, em nada difere da realidade do teatro araçatubense.
Guénoun reflete ainda sobre o conceito de necessidade: necessário é aquilo cuja ausência implica em risco de morte. Ou seja, se falta água para beber, o corpo irá sofrer com a iminente desidratação; poderá ter as funções vitais comprometidas e morrer. Caso beba água, o corpo recobrará a vitalidade. Não morrerá; mas poderia.
