Cultura

'Tico e Teco: Defensores da Lei' abandona mesmice do gênero de animações híbridas com live-action e entrega uma das maiores surpresas do ano

"A aventura se apoia muito no humor de referência, e é um verdadeiro deleite para os fãs de animação (...)"

Valter Soares de Souza Junior*
12/06/22 às 16h00
(Foto: Divulgação)

Dirigido por Akiva Schaffer (Saturday Night Live), ‘Tico e Teco: Defensores da Lei’ é um “soft-reboot/continuação” da série animada ‘Tico e Teco: Os Defensores da Lei’, exibida entre 1989 e 1990. O filme mostra os dois esquilos vivendo entre animações e humanos, em Los Angeles, dos dias atuais, em um universo onde desenhos animados convivem com pessoas comuns e as animações que assistimos na TV nada mais são do que atores interpretando papéis, e quando o desenho acaba, eles podem ir fazer outras coisas, desde outro programa até um emprego completamente mundano.

Sendo assim, Tico se rendeu a uma vida doméstica suburbana como um vendedor de seguros. Enquanto isso, Teco passou por uma harmonização facial em CGI e trabalha no circuito de convenções nostálgicas (uma Comic-Con), desesperado para reviver seus dias de glória.

A trama do longa enfim se desenvolve quando o rato Monterey Jack, ex-colega de elenco, desaparece misteriosamente, levando Tico e Teco a retomarem a amizade rompida e assumir mais uma vez suas personas de “defensores da lei” para salvar seu amigo.

Comédia, aventura e suspense

A aventura se apoia muito no humor de referência e é um verdadeiro deleite para os fãs de animação, já que é possível testemunhar diversos personagens animados famosos interagindo, muitos da Disney, mas também de outras produtoras e estúdios. Além disso, os momentos de descontração e as piadas internas para quem é fã da dupla funcionam na mesma intensidade também para quem acaba por ser apenas um espectador casual. Sem contar que o elenco é formidável. John Mulaney faz um Tico mais pé no chão, tentando se valer de raciocínio lógico para conseguir pistas; já Teco é um eterno crianção, meio abobalhado, mas de coração puro, algo que encaixou como uma luva na voz de Andy Samberg.

Por meio da comédia, da aventura e do leve suspense, a produção constrói uma narrativa crítica com relação aos filmes e ao descarte em Hollywood. Para tal, o longa presta homenagem a literalmente todo tipo de animação gráfica, desde os desenhos em 2D, passando pelo stop-motion em massinha e, claro, alfinetando algumas técnicas, como a (falta de) expressão nos personagens de ‘O Expresso Polar’, por exemplo. Uma história absurda, surreal, e, ao mesmo tempo, tão sem pé nem cabeça, que simplesmente agrada ao público de todas as idades, especialmente o mais adulto, que cresceu assistindo às aventuras da dupla de esquilos detetivescos.

Nostalgia

Infelizmente, existe uma “barriga” que o roteiro deixa criar lá pela marca da metade da projeção, mas que o filme faz de tudo para compensar visualmente. Não que a linha narrativa mestra seja espetacular, pois definitivamente não é o caso. Mas acontece que o filme é muito objetivo em sua proposta e isso deixa claro quando a produção está “enrolando”.  

Em síntese, ‘Tico e Teco: Defensores da Lei’ é um filme divertido, que explora bem a nostalgia e o absurdo, criando uma trama satisfatória para reunir a dupla de esquilos em uma nova produção a partir de um diferente ponto de vista. É o tipo de longa-metragem que funciona melhor em casa, assim a Disney acerta em lançá-lo como conteúdo exclusivo do seu serviço de streaming. E sem dúvidas tem um resultado mais satisfatório para quem tem boas lembranças com a série animada.

Título Original: Chip ‘n Dale: Rescue Rangers

Estreia: 16 de maio de 2022 (Mundial)

Duração: 97 minutos

Gênero: Aventura/Comédia (Animação)

Direção: Akiva Schaffer

Elenco: John Mulaney, Mason Blomberg, Andy Samberg, Juliet Donenfeld, KiKi Layne, Will Arnett, Eric Bana, Flula Borg, Dennis Haysbert, Keegan-Michael Key, Tress MacNeille, Seth Rogen, J. K. Simmons, Tim Robinson, Chris Parnell, Da’Vone McDonald, Corey Burton, Jeff Bennett, Liz Cackowski, Rachel Bloom, Steven Curtis Chapman, Charles Fleischer, David Tennant, Alan Oppenheimer.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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