Economia

Máscaras artesanais se tornam opção de negócio durante pandemia

No início de abril, esse tipo de produto passou a ser recomendado para as pessoas que não apresentam sintomas de covid-19

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
03/05/20 às 11h00
Uma das máscaras fabricadas por Elza é este modelo que prende na faixa (Foto: Arquivo Pessoal)

As máscaras artesanais têm sido uma opção para a população durante a pandemia, principalmente após o parecer favorável de alguns órgãos oficiais, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Sociedade Brasileira de Infectologia.

No início de abril, esse tipo de produto passou a ser recomendado para as pessoas que não apresentam sintomas de covid-19 e que necessitam sair de suas residências. Nesse sentido, a máscara de pano é considerada uma barreira mecânica válida.

Com isso, uma nova oportunidade de mercado surgiu e tem ajudado profissionais que ficaram sem poder trabalhar neste período. Esse é o caso da fisioterapeuta Elza Cristina Saiki dos Santos, moradora de Araçatuba (SP).

“A ideia veio da necessidade e procura pelo produto. Uma amiga minha estava com o pai internado por problemas vasculares, e eles estavam com os estoques de máscaras descartáveis acabando. Então, decidi costurar as máscaras. Foi então que uma firma de uma amiga encomendou máscaras para os funcionários e eu fiz algumas dezenas”, relata.

Ela começou a ter procura no final de março por conta da falta das máscaras profissionais nas farmácias e como a máquina de costura estava parada, colocou em prática o conhecimento aprendido em um curso que participou. 

Atualmente, sua média é de 15 máscaras fabricadas por dia, que são vendidas pelo WhatsApp (18 99677-0099). O valor de um kit com cinco máscaras sai por R$ 35.

Inovação

O material utilizado é tricoline (100% algodão). As máscaras são feitas com duas camadas de tecido e a orientação de Elza é que sejam usadas por até três horas. Depois disso, é preciso lavar e usar ferro quente.

Como Elza morou no Japão, ela se inspirou em um modelo bastante utilizado por lá, que é a máscara que tem uma prega só. A fisioterapeuta também faz faixas com botão para apoiar a máscara e criou um modelo com elásticos cruzando atrás da cabeça para aquelas pessoas que não gostam da sensação do elástico na orelha.

Outra novidade é o modelo com espaço para colocar um lenço de papel, entre as camadas de tecido. 

“Não é a grana extra que estou visando e sim a das contas do mês. Sou fisioterapeuta e os atendimentos diminuíram muito. É uma necessidade, minha fonte de renda agora”, ressalta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No seu ateliê, Isadora confecciona de 50 a 60 máscaras por dia (Foto: Arquivo Pessoal)

Ajuda

Isadora Sacchi Gorgone mantém em Araçatuba o ateliê Madame Isa e também se viu diante de um cenário incerto economicamente, pois teve que parar com as aulas ministradas no estabelecimento e diminuiu o volume de trabalho.

“Na realidade, a produção de máscaras já era uma ideia desde quando começaram as notícias sobre o vírus, mas até então as máscaras artesanais ainda não haviam sido liberadas pelo Ministério da Saúde e por conta disso eu tive receio de iniciar a produção, mas conforme a situação foi tomando proporções maiores, nós resolvemos confeccionar as máscaras”, explica Isadora.

A produção das máscaras começou no dia 28 de março e são produzidos de 30 a 60  produtos por dia. O valor é R$ 10, mas comprando acima de quatro unidades, o preço cai pra R$ 8. Todos os produtos são feitos de tricoline e de TNT, com três camadas de tecido. 

De acordo com Isadora, esse novo produto traz uma renda que tem ajudado nas despesas do ateliê, principalmente para manter a sua ajudante. Os produtos podem ser encomendados pelo Facebook e Instagram.

“Foi uma iniciativa muito legal pro nosso espaço, além de contribuir com a proteção das pessoas, as máscaras serviram para preencher nosso coração. Como o ateliê estava fechado e as aulas suspensas, nós acabamos ficando desmotivadas, e desde então quem busca as máscaras no nosso ateliê, também acaba por conhecer os outros serviços que oferecemos”, diz Isadora.

Elisa está conseguindo bancar as contas com a produção de máscaras (Foto: Arquivo Pessoal)

Noivas

A estilista Elisa Licati, que mora em Araçatuba há 10 anos, também esperou o parecer favorável das autoridades com relação ao uso de máscaras reutilizáveis. O seu ateliê, o Elisa Licati Atelier, que é especializado na produção de vestidos para noivas e madrinhas, hoje se concentra nessa atividade. 

Segundo ela, seu produto mais vendido são máscaras de modelo ninja, que fica bem ajustada no rosto. O tecido é duplo e 100% algodão. As encomendas podem ser feitas pelo WhatsApp (18 99788-7806).

Já os valores variam de R$ 6 e R$ 10. No total, Elisa fabrica de 50 a 60 máscaras diariamente. 

“Consegui ganhar o mesmo que eu ganhava fazendo noivas e madrinhas, só produzindo e vendendo as máscaras”, informa Elisa, que consegue bancar as despesas mensais com essa atividade.

Eficácia 

A utilização da máscara por pessoas que não aparentam estar doentes é defendida por especialistas para reforçar a prevenção, uma vez que existe a possibilidade do infectado não apresentar sintomas e com isso não saber que está portando o vírus.  

No mês de abril, o Hojemais Araçatuba fez uma entrevista sobre o uso de máscaras artesanais com o médico infectologista Stélios Fikaris, que explicou que as máscaras de pano, no geral, são eficientes, dependendo da densidade da trama do tecido utilizado. Acesse a matéria completa no link abaixo. 

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM ECONOMIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.