A professora Marilda de Jesus Santos, conhecida como professora Teka, da rede municipal de Educação de Araçatuba (SP), conquistou o 3º lugar no concurso nacional “IV Prêmio LEGO® Braille Bricks”, que teve a premiação realizada na quarta-feira (28), na sede da Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo.
O projeto premiado, “Protagonizando o Saber” , foi desenvolvido na escola municipal Francisca Arruda Fernandes e utilizou o kit LEGO® Braille Bricks como recurso pedagógico de alfabetização e interação entre os alunos da escola. O kit é composto por peças de encaixe que apresentam pontos em relevo correspondentes a letras, números e símbolos do sistema Braille, acompanhados de identificação impressa.
O diferencial do material é que ele permite que crianças com e sem deficiência visual aprendam juntas por meio de jogos e atividades de leitura e escrita, que foi justamente o diferencial do projeto vencedor da professora Teka.
Reconhecimento
Selecionado entre 47 projetos inscritos de todo Brasil, o trabalho foi reconhecido por promover a aprendizagem inclusiva com uma proposta que colocou Isabelle, estudante cega com 10 anos à época do projeto, no papel de ensinar Braille aos colegas.
Durante o projeto, Isabelle, que cursava o 5º ano e já conhecia o sistema Braille, atuou como monitora de atividades com turmas do 1º e do 5º ano. Sob mediação da professora Teka, durante as atividades, ela assumiu a função de “par experiente”: a colega que dominava aquele conhecimento e podia compartilhá-lo com o grupo.
A mudança ficou evidente durante os jogos. Acostumados a ajudá-la em situações da rotina escolar, os colegas do 5º ano passaram a recorrer aos conhecimentos de Isabelle para resolver desafios, como os de um bingo de palavras.
No 1º ano, as crianças buscavam a orientação de Isabelle com naturalidade e chegaram a pedir novas “aulas” com ela. Com cerca de 30 anos de trajetória na educação, Teka planejou o trabalho a partir dos conhecimentos e das possibilidades de participação da estudante.
Protagonista
A professora explica que Isabelle não ocupava o lugar de protagonista porque era cega; ocupava esse lugar porque, naquele conhecimento, era a mais experiente do grupo. “Meu papel foi observar, planejar, organizar as condições para esses encontros e acompanhar o processo, fazendo as intervenções necessárias e dando espaço para que Isabelle conduzisse aquilo que sabia” , conta.
Segundo o que foi divulgado, os benefícios alcançaram também os demais estudantes e as relações na comunidade escolar. Jogos, listas de palavras e desafios aproximaram crianças com e sem deficiência visual da leitura e da escrita em Braille. As atividades estimularam empatia, cooperação e respeito às diferentes formas de aprender e se comunicar.
Prêmio
No Brasil, o Programa Braille Bricks, da Fundação Dorina Nowill para Cegos em parceria com a Fundação LEGO, disponibiliza gratuitamente os kits às instituições participantes e oferece formação para educadores. O prêmio reconhece projetos que transformam essa formação em práticas inclusivas já realizadas ou em execução, avaliando a inovação, a aplicação pedagógica.
Também premia os resultados alcançados na aprendizagem Referência nacional e internacional na inclusão de pessoas com deficiência visual, a Fundação Dorina Nowill tem 80 anos de atuação. O reconhecimento coloca o trabalho da professora Teka, desenvolvido na escola pública de Araçatuba, entre as experiências de destaque do País no uso do recurso para promover aprendizagem e participação.
