Esporte

Depois de três ouros na Argentina, atleta se prepara para Brasileiro de Kickboxing

Márcia Procopio, de Araçatuba, que também treina muay thai, participa de campeonato nacional em junho

Renata Juliotti* - Hojemais Araçatuba
26/05/19 às 10h00
Márcia Procopio com o treinador e marido Micael Bonfim (Foto: Aline Galcino)

A tri-campeã nacional de kickboxing Márcia Procopio, 29 anos, de Araçatuba, acabou de conquistar três medalhas de ouro e uma de prata no Argentina Open Kickboxing, que aconteceu em Buenos Aires, no fim de semana passado, e já se prepara para o Campeonato Brasileiro da modalidade, que será realizado em 20 de junho, em Sorocaba.

Nesta semana, ainda com hematomas da competição internacional, Márcia deu uma pausa nos treinos pesados para recuperar o corpo. No entanto, avisa que na segunda-feira já retoma a rotina.

Com a proximidade das competições, os treinos são intensificados. Duas a três vezes por dia, Márcia aperfeiçoa os golpes da luta, intercalando com esportes que geram melhor condicionamento físico, como corrida, musculação, natação e até crossfit.

A atleta, que também treina muay thai, disputa oficialmente o kickboxing - uma luta de contato que utiliza mais chutes e não permite golpes com o cotovelo como o muay thai. As regras dessas duas modalidades são diferentes; no kickboxing quanto mais golpes no adversário, maior a pontuação do lutador. Já no muay thai o objetivo é desestabilizar o oponente, com golpes de força.

Em menos de dois anos, Márcia levou o primeiro lugar em seis competições importantes, como o Campeonato Panamericano de Kickboxing, Copa Brasil de Kickboxing, Campeonato Paulista e Arnold Kickboxing Classic. Também foi vice-campeã brasileira da modalidade em 2018, além de representar o Brasil em competições no exterior. Atualmente ela é grau preto de muay thai e faixa preta de kickboxing.

Os treinos são intensos às vésperas das competições (Foto: Aline Galcino)

Peso

O peso adequado para os combates é um dos desafios da atleta e o processo, nada fácil. Além da dieta que passa a seguir assim que se inscreve para as competições, as vésperas das provas são marcadas pelo processo de desidratação, com utilização de saunas antes da pesagem oficial.

A estratégia também chamada de “secagem”, auxilia o competidor a reduzir o líquido do corpo e, principalmente dos músculos, para chegar ao peso ideal.

A perda de peso é relativa e varia a cada competição. Normalmente, o atleta passa por esse processo para se adequar a uma categoria que seja mais vantajosa para ser disputada. Para garantir um preparo seguro, o período é acompanhado por profissionais da saúde como nutricionistas e médicos especializados na área esportiva.

Escolhida

“Não escolhi as artes marciais; fui escolhida por elas”, define sobre sua paixão pelas lutas.

Márcia começou a treinar em 2008, por recomendação médica, após passar por um procedimento cirúrgico. Depois de fazer uma aula experimental de muay thai se apaixonou.

Em 2016, surgiu a oportunidade de trabalhar com o esporte e esse foi o pontapé inicial para as competições. “Jamais pensei em ser competidora, porém as circunstâncias da vida me levaram a essa Márcia de hoje”, explica.

“Minha vida mudou de quando iniciei os treinos. Mesmo sendo apenas praticante, o muay thai e o kickboxing têm um poder transformador; foram as modalidades onde me encontrei. Nelas eu entrego o meu melhor todos os dias e saio de lá com minha alma lavada e meu coração tranquilo”, relata a campeã.

Para a atleta, apesar de ainda existir preconceito, as mulheres estão ganhando mais visibilidade no esporte. “É maravilhoso ver as mulheres mais corajosas, mais ousadas, e dispostas a enfrentar tudo e a todos. O esporte precisa de mais mulheres assim.”

Márcia mostra as medalhas conquistadas em competição internacional (Foto: Aline Galcino)
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Campeão de muay thai participa de duas provas

Oseias Patrocínio dos Reis (à dir.) começou a praticar o esporte para defesa pessoal (Foto: Aline Galcino)

O campeão brasileiro de muay thai, Oseias Patrocínio dos Reis, de 25 anos, é outro atleta de Araçatuba que se prepara para importantes competições no mês de junho.

No dia 15, ele participa do Icon Fighting Championship, na categoria 66 kg, em Curitiba (PR), que será transmitida ao vivo pelo canal Combate. No dia 26, luta pelo Muay Thai Pro 5, na categoria 70 kg, em Bragança Paulista (SP).

A rotina de treinos e preparo físico são semelhantes a de Márcia Procópio. Próximo da disputa, os treinos são intensos, pelos menos três vezes ao dia, sendo dois específicos de muay thai e outro para preparação física. Às vésperas de cada luta, o atleta também realiza treinos aeróbicos para suar mais.

Nas lutas, Reis precisa estar no peso da categoria na qual está participando. Para o próximo combate, no dia 15 de junho, o atleta deve eliminar 12 quilos, processo que começou há um mês, com acompanhamento nutricional.

“Exige muita disciplina física e mental, alimentação balanceada e uma rotina de treinos”, explica o treinador de artes marciais Thales Almeida, responsável pelo preparo de Reis e proprietário da Inside Muay Thai, em Araçatuba.

Defesa pessoal

A carreira de Reis começou há quase dez anos, com a vontade de aprender defesa pessoal. Com o tempo, a paixão pela arte e a filosofia que aprendeu com os treinos o motivaram a competir como atleta.

“Escolhi o muay thai porque estava muito em alta e, apesar de já ter treinado em outras modalidades, nenhuma foi tão apaixonante quanto o muay thai, por ser completa”, diz Reis sobre o esporte.

Reis foi campeão brasileiro de muay thai em 2016 e possui outros títulos importantes para a modalidade, como vice-campeão da Feplam (Federação Paulista de Lutas e Artes Marciais) em 2016, campeão do 2º Muay Thai Fight Pro, em 2017 e campeão do Thai Combat, em 2018.

Oseias Patrocínio dos Reis com o treinador Thales Almeida (Foto: Aline Galcino)

Muay Thai ganha força na região

O muay thai é uma modalidade de artes marciais originária da Tailândia que está cada vez mais presente nas academias da região. “Além de proporcionar mais qualidade de vida, o esporte envolve noções de autodefesa e disciplina”, define o treinador de artes marciais Thales de Almeida.

A disciplina física e mental, que inclui golpes de combate em pé, é conhecida como "a arte das oito armas". Caracteriza-se pelo uso combinado de punhos, cotovelos, joelhos, canelas e pés, estando associada a uma boa preparação física que a torna uma luta de contato total bastante eficiente, afirma o professor.

Segundo o treinador, a modalidade começou a ser praticada na região em 2002, mas começou a ganhar força apenas em 2007, com as competições.

“Hoje nosso público é de todas faixas etárias, desde crianças e adolescentes até a terceira idade. Essas pessoas buscam qualidade de vida e disciplina”, diz.

Segundo Almeida, o Brasil tem poucas equipes profissionais, mas há uma busca por informações sobre a arte marcial e os sistemas de graduação. “Nossa região é um polo nacional da arte. Temos campeões brasileiro, paulista e até atletas que participam de provas internacionais. Isso se torna uma vitrine para os jovens, que gostam de treinar com campeões.”

*Com supervisão e edição de Aline Galcino

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