Polícia

Dois ex-assessores acusam Damião Brito de suposta ‘rachadinha’

Esposa do parlamentar e advogado que trabalhou para ele também foram alvos de mandados de busca; ele tentou esconder os celulares

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
30/06/26 às 19h13
Polícia não encontrou nada de interesse no gabinete de Damião Brito na Câmara de Araçatuba (Foto: Lázaro Jr.)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) confirmou na tarde desta terça-feira (30), que a operação realizada para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o vereador Damião Brito (Rede), está mesmo relacionada à investigação de denúncia de suposta “rachadinha”.

Porém, de acordo com o delegado Seccional, Getúlio Nardo, dois ex-assessores denunciaram o parlamentar por suposta rachadinha e não apenas a ex-assessora que registrou boletim de ocorrência em outubro do ano passado.

Essa mulher, que trabalhou para Damião por menos de um mês e reside em Birigui, afirmou que ao contratá-la, o parlamentar ofereceu a ela, salário de R$ 2.500,00 mensais para exercer a função das 8h às 17h30. 

Porém, quando ela foi ao banco abrir a conta para receber o pagamento, foi informada que o salário a ser depositado seria de R$ 13.000,00. Ainda de acordo com a denunciante, ao confrontrá-lo, Damião teria ficado exaltado e afirmado que mesmo que o salário fosse R$ 50.000,00, o dinheiro era dele.

O que foi apurado pela reportagem é que após o caso vir a público, outro ex-assessor do vereador esteve na Delegacia Seccional de Araçatuba, que é a responsável pela investigação por se tratar de investigado que possui cargo eletivo, e fez a mesma denuncia de maneira formal.

Buscas

O inquérito foi instaurado e, com base nas informações que foram apuradas, a Polícia Civil representou pelos mandados de busca e apreensão para endereços relacionados a Damião, à esposa dele e também, a um advogado que trabalharia para ele na época em que os supostos crimes teriam ocorrido.

Nesta quarta-feira, equipes cumpriram mandados de busca contra esse advogado, que teve o celular apreendido e forneceu à respectiva senha de acesso.

Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, o próprio vereador, que estava na casa dele, no residencial Águas Claras, disponibilizou a chave do gabinete dele, onde a equipe que realizou buscas não encontrou nada de interesse para a investigação.

Damião escondeu celulares e não forneceu senhas à polícia

Celulares e computador apreendidos serão encaminhados para perícia (Foto: Divulgação)

Segundo o que foi apurado pela reportagem, ao receber os policiais civis para cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele nesta terça-feira, o vereador Damião Brito não colaborou com a investigação.

De acordo com o que foi apurado, quando os policiais pediram os celulares dele e da esposa dele, o parlamentar teria alegado que tanto ele quanto a mulher haviam perdido os respectivos aparelhos ontem.

Entretanto, durante as buscas, o celular que seria da esposa de Damião foi encontrado debaixo de um guarda-roupa no quarto, enrolado a um tecido. Já o celular do vereador havia sido arremessado sobre o telhado e foi encontrado caído na calha.

Os dois aparelhos foram apreendidos e as respectivas não foram fornecidas para a polícia, que dará sequência à investigação. Na casa dele também foi apreendido um computador e cartões de memória.

Não houve prisões durante a operação realizada hoje e nem foi apreendida nenhuma quantia em dinheiro. A polícia ainda aguarda as informações que devem ser obtidas com a quebra do sigilo bancário do parlamentar.

O caso é investigado inicialmente como concussão, crime previsto no artigo 316 do Código Penal, que ocorre quando um funcionário público exige, para si ou para outra pessoa, uma vantagem indevida em razão do cargo. Em caso de condenação, a pena prevista é de 2 a 12 anos de prisão e multa.

Defesa afirma que Damião Brito está colaborando com a investigação

A defesa do vereador Damião Brito (Rede), feita pelos advogados Adriano Britto e Alex Benante, divulgou nota no final da tarde desta terça-feira (30), para se manifestar a respeito da operação que foi realizada pela Polícia Civil para o cumprimento a mandados de busca e apreensão contra o parlamentar, que é investigado por denúncia de “rachadinha”.

Na nota, a defesa informa que é fundamental ressaltar que a mesma denúncia já foi objeto de análise e deliberação pela Câmara Municipal de Araçatuba, que concluiu de forma unânime pela inexistência de provas de materialidade sobre a acusação, rejeitando o pedido de investigação. “O vereador Damião Brito reafirma seu compromisso com a legalidade e o respeito às instituições” , informa a nota.

Ainda de acordo com a defesa, desde que a denúncia foi apresentada, ele se colocou à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar integralmente com as apurações. 

Colaborando

Diferentemente do que foi informado pela polícia, de que o vereador teria tentado esconder os celulares, a defesa afirma que Damião está colaborando com as investigações. “Reforçando sua postura colaborativa e sua confiança na Justiça, o parlamentar também não opôs obstáculos ao acesso a todos os seus dispositivos eletrônicos que possam servir para o completo esclarecimento dos fatos” , informa a nota.

Os advogados reforçam que o vereador reitera tranquilidade e o compromisso dele em seguir trabalhando em favor da população de Araçatuba, confiante de que a verdade será restabelecida ao final de todo o processo investigativo. 

Não foi ouvido

Por fim, a defesa explica que diferentemente do que foi informado em entrevista coletiva pela Polícia Civil, até o momento Damião Brito não foi formalmente ouvido sobre os fatos investigados nos autos do inquérito policial instaurado, que foi instaurado em 29 de outubro de 2025.

Segundo a defesa, ao ser ouvido, ele terá a oportunidade de exercer o legítimo direito de defesa na busca pela verdade. A reportagem esteve na sede da CPJ (Central de Polícia Judiciária) após a entrevista coletiva e confirmou que Damião Brito não foi conduzido à delegacia para ser ouvido após as buscas. 

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