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‘Chegamos no limite, não tem mais conversa’, declara Bolsonaro

Presidente participou de ato que teve agressões a jornalistas na tarde deste domingo em Brasília

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/05/20 às 19h39
Bolsonaro paritipou de ato na manhã deste domingo em Brasília (Foto: Marcelo Casall/Agência Brasil)

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), apoiou novamente neste domingo (3) em Brasília (DF), um ato realizado por apoiadores dele que pediram a intervenção militar, tendo Bolsonaro como único representante do poder.

E, durante a manifestação, o presidente fez declarações duras, inclusive em tom de ameaça, ao afirmar que a Constituição será cumprida “a qualquer custo” .

As declarações foram feitas em live ao vivo na página dele na rede social. Na frente de apoiadores que empunhavam faixas com pedidos contra a democracia, ele declarou que “as Forças Armadas estão ao lado da lei e da ordem, da democracia e da liberdade, e também 'do nosso lado', referindo-se aos manifestantes e ao governo dele.

“O Poder Executivo está unido para tirar o Brasil da onde se encontra. Vocês sabem que povo está conosco. As Forças Armadas, ao lado da lei e da ordem, da democracia e da liberdade, também estão do nosso lado. Deus acima de tudo. Vamos tocar o barco”, declarou.

Limite

Bolsonaro disse ainda, que está no limite, se referindo às decisões judiciais recentes contra decisões dele, como a revogação da nomeação do diretor-chefe da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, e novamente em tom ameaçador, disse que não tem mais conversa.

“Peço a Deus que não tenhamos problemas nesta semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa. Daqui para a frente, não só exigiremos, como faremos cumprir a Constituição. Ela será cumprida a qualquer preço e ela tem dupla mão, não é uma mão de um lado só não” , numa referência clara ao que considera interferência do Poder Judiciário no Poder Executivo federal.

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Novo chefe

Ao final das declarações, Bolsonaro disse que nesta segunda-feira (4) ele nomeará o novo diretor da Polícia Federal, sem adiantar o nome, encerrando com a declaração de que “o Brasil segue seu rumo”.

Desde a exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF, medida que resultou no pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro, a corporação é comandada interinamente pelo delegado Disney Rossetti.

Durante mais de 8 horas, Moro prestou depoimento em inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal), após o ex-ministro e ex-juiz da Lavajato, de que Bolsonaro estaria tentando interferir politicamente na PF.

Na sexta-feira (24), o presidente voltou a negar em pronunciamento, que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações.

Agressões

Durante o ato deste domingo que teve início com carreata na Esplanada dos Ministérios e terminou na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, um fotógrafo e dois jornalistas foram hostilizados e agredidos, verbal ou fisicamente.

Um motorista do jornal "Estadão", que dava apoio à equipe de reportagem, foi agredido com uma rasteira.

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) emitiu nota condenando os fatos. "Repudiamos todas elas e pedimos o apoio da sociedade ao jornalismo e aos jornalistas", diz o texto.

Na manhã de sábado, um grupo de enfermagem que realizava um ato pacífico também na frente da Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi agredido verbal e fisicamente por apoiadores de Bolsonaro.

Os três suspeitos foram identificados pelo Coren-DF (Conselho de Regional de Enfermagem) do Distrito Federal e serão processados.

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