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Correria para estocar botijão de gás causa falta do produto em São Paulo

Sindigás pede aos consumidores que evitem comprar mais gás do que o necessário, pois não há desabastecimento

Eliane Gonçalves e Bruno Bocchini - Agência Brasil
01/04/20 às 21h37

Consumidores de São Paulo estão enfrentando problemas para encontrar gás de cozinha. Os botijões que estavam disponíveis nos revendedores até a semana passada viraram raridade.

Há menos de 10 dias, o técnico eletrônico Raimundo Leite conseguiu repor o botijão de reserva que tinha em casa, mas quando o que estava em uso chegou ao final, no começo da semana, não conseguiu mais.

O problema se repete em toda região metropolitana. Sandra de Oliveira mora em Osasco e recebia o gás na porta de casa. Nessa quarta-feira (1º), precisou pagar R$ 17 no Uber pra repor o botijão.

Um revendedor que não quis se identificar explicou que o problema é que as pessoas estão estocando gás por medo do desabastecimento em função da epidemia de coronavírus.

Na revenda dele, o ultimo botijão acabou no começo da tarde desta quarta-feira.

Ricardo Rodrigues, que mora perto das principais envasadoras de gás que abastecem a grande São Paulo, diz que só viu tantas filas assim, na crise do gás, há 25 anos.

Preços

Com a falta do produto, o preço mudou. O Procon de São Paulo chegou a encontrar revendedores cobrando até R$ 130 pelo botijão de 13 quilos. Segundo o presidente do Procon, Fernando Capez, o preço abusivo pode ser punido com multa ou até detenção.

Segundo ele, o preço ideal do botijão não deve passar de R$ 70, e qualquer preço acima de R$ 90 vai ser considerado abusivo.

Preço ideal do botijão não deve passar de R$ 70, segundo o Procon (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

Preços livres

Em nota, o Sindgás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito), afirma que o preço do botijão de gás é livre e que existem revendedores vendendo gás acima de R$ 70 sem praticar preço abusivo.

A entidade diz que repudia toda e qualquer tentativa de prática de preços abusivos e embora esteja de acordo com a mobilização de governos e órgãos públicos de fiscalização para coibir aqueles que buscam tirar vantagem em um momento especialmente delicado para as famílias brasileiras, alerta para ações que possam ter efeitos indesejados.

"O anúncio por autoridades de que a Polícia Militar realizará ações contra comerciantes que estejam vendendo o produto acima de R? 70 pode levar à punição injustificada de centenas de empreendedores sérios que podem comercializar o produto acima de R$ 70, sem que estejam praticando preços abusivos. A consequência de tais medidas pode ser o fechamento de revendas, diante do temor de punições arbitrárias", informou em nota.

Nova carga

Ontem, o sindicato garantiu que o abastecimento deve se normalizar em até quatro dias, pois uma nova carga do produto, importado da Argentina, chegou ao Porto de Santos e começaria a ser engarrafado em botijões a partir de hoje, em Mauá (SP).

“Com o aumento da demanda, as entregas de gás da Petrobras para as distribuidoras registram atraso de dois dias, o que causa filas nas plantas de engarrafamento e a sensação de escassez para o consumidor final”, disse em nota o Sindigás.

A quantidade importada de gás é suficiente para encher 1,6 milhão de botijões. O Sindigás voltou a pedir aos consumidores que evitem comprar mais gás do que o necessário, permitindo que pessoas que estão sem o produto consigam comprá-lo facilmente.

“O atraso [no abastecimento] é resultado do aumento da procura pelo produto devido à pandemia de covid-19. Não houve redução no fluxo de entrega do produto considerando uma demanda normal. O que ocorreu foi uma leve antecipação de compras por consumidores preocupados com a pandemia e o isolamento social”, ressaltou a entidade.

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