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Morte de Senna marcou o pior fim de semana da história da Fórmula 1

O GP da San Marino de 1994 teve as mortes do tricampeão no domingo e do austríaco Roland Ratzenberger no sábado

Ciro Campos - Agência Estado 
01/05/19 às 11h38
O dia 1º de maio é marcado pela morte de Ayrton Senna, no GP da San Marino, em 1994 (Foto: Divulgação)


O acidente de Ayrton Senna foi o desfecho trágico do pior fim de semana da história da Fórmula 1. O GP da San Marino de 1994 teve as mortes do tricampeão no domingo e do austríaco Roland Ratzenberger no sábado, fora o grave acidente de Rubens Barrichello na sexta-feira, além de uma outra forte batida na largada da prova de domingo entre dois carros.

A sequência de tragédias chocou a Fórmula 1 e levou a categoria a repensar medidas. Desde 1982, a competição não passava pelo abalo da morte de um piloto e depois da série de incidentes em Ímola, as alterações nas estruturas dos carros e nos dispositivos de segurança deram à Fórmula 1 o maior período sem acidentes fatais da história. Somente em outubro de 2014, no GP do Japão, a batida do francês Jules Bianchi pôs fim nessa tranquilidade - ele faleceu em 17 de julho de 2015. 

O triste GP de San Marino tem entre os principais antecedentes a mudança no regulamento da Fórmula 1 para aquele ano. Os carros deixaram de ter vários dispositivos eletrônicos, como a suspensão ativa. A alteração procurou tornar a competição mais equilibrada depois de temporadas de domínio da Williams, porém deixou os bólidos mais instáveis e difíceis de serem guiados.

Em testes privados, por exemplo, o francês Jean Alesi bateu forte com a Ferrari e perdeu algumas provas daquele ano. A temporada teve início com provas em Interlagos, no GP do Brasil, e em Aida, no Japão, para o GP do Pacífico, pistas que não tinham a alta velocidade como característica, como era o caso de Ímola, circuito localizado nos arredores de Bolonha, na Itália.

Segurança

O contato dos novos carros de 1994 com a pista gerou um grande susto logo nos treinos livres, na sexta-feira. Barrichello capotou com a Jordan, desmaiou e teve ferimentos na cabeça e no braço. Senna ainda foi visitá-lo no hospital do autódromo e durante aqueles dias de corrida, manifestou preocupação com a falta de segurança na categoria.

O temor aumentou no sábado. O novato Ratzenberger havia comprado vaga na pequena Simtek para correr somente as três primeiras provas da temporada e tentava marcar tempo no treino classificatório. O aerofólio do carro dele se soltou e ele bateu de frente no muro. O piloto morreu.

A atmosfera ficou pesada em Ímola, com rumores sobre o cancelamento da corrida. Mas às 14 horas (locais) de domingo os carros largaram. Quando a luz verde acendeu, um novo susto. A Benetton de JJ Lehto não saiu do lugar e a Lotus de Pedro Lamy acertou em cheio o carro na traseira. Os dois nada sofreram, mas os destroços chegaram a machucar alguns espectadores que estavam na arquibancada.

A direção de prova decidiu não cancelar a largada, mas deixar que as seis voltas iniciais fossem lideradas pelo safety Car enquanto os fiscais retiravam os detritos na pista. Logo depois, na sétima volta, a disputa foi retomada e o líder da corrida, Ayrton Senna, bateu na curva Tamburello. Um acidente fatal.

 

Fãs mantêm vivas as memórias do ídolo (Foto: Divulgação)

Fãs

Os "Sennamaníacos" continuam ativos e sem esquecer a relação com o ídolo mesmo tanto tempo depois do acidente que matou Senna. Quem já acompanhava o tricampeão mundial naquela época guarda relíquias, mantém coleções e não apaga da memória os melhores momentos de Senna nas pistas. Além disso, esses fãs cuidam agora de passar para as novas gerações a admiração pelo ídolo.

O comerciante Eduardo Soncini, de 43 anos, tem um ritual diferente quando vai colocar para dormir o filho Eduardo Teodoro, de oito anos. Antes de cair no sono o menino não quer ouvir uma história infantil ou conversar sobre como foi o dia na escola. Ele gosta de escutar o pai contar curiosidades e detalhes de corridas marcantes de Ayrton Senna, piloto que morreu há exatos 25 anos e continua a movimentar uma legião de adoradores.

O comerciante tem em casa mais de 200 miniaturas de carros utilizados por Senna ao longo da carreira, seja no kart ou em categorias inferiores. O item mais especial da coleção foi feito sob encomenda. Uma impressora 3D produziu uma maquete que simula um encontro do fã com o piloto. 

"Pela alegria que o Ayrton nos deu, a maior retribuição que a gente pode dar é passar esse legado dele para as outras gerações A história dele não pode morrer", afirmou Soncini. O filho de oito anos aprendeu a gostar de Fórmula 1 apesar de nunca ter visto sequer uma vitória brasileira na categoria. A última foi com Rubens Barrichello em setembro de 2009, antes de Eduardo ter nascido. 

Acervos

Um dos maiores acervos dedicados a Senna no Brasil pertence ao empresário Marcus Vinicius dos Santos. São mais de 15 mil itens, como recortes de jornais e revistas, capacetes, jaquetas, bonés e autógrafos. Um dos itens mais caros é a cópia do contrato de manutenção de um helicóptero, assinada por Senna em 1992 para contratar o serviço de uma empresa de Angra dos Reis.

Na casa do fã há uma decoração especial sobre Senna, porém o acervo não cabe em um só local e está também no escritório e em depósitos. "Eu tento passar os valores e a história do Ayrton para novas gerações. A imagem de alguém dedicado, vitorioso e que se superou é muito forte e precisa ser valorizada", disse.

Uma pesquisa recente do Ibope Repucom comprovou o quanto Senna continua conhecido. O instituto de pesquisas consultou qual o nível de conhecimento e interesse de 94 milhões de internautas sobre personalidades brasileiras. O tricampeão teve a imagem reconhecida por 96% dos entrevistados.


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