O Tribunal do Júri de Penápolis (SP) condenou a 18 anos e 6 meses de prisão, o soldador Jhony Pereira Ramos, 27 anos.
Ele foi denunciado por feminicídio, por ter matado a ex-companheira dele, Gabriela Rosa da Silva, 22, crime ocorrido em 1º de junho de 2015, em Avanhandava, cidade vizinha a Penápolis.
Após assassinar a vítima, ele fugiu com o filho do casal, de 4 anos de idade, que foi deixado com o pai dele no município de Queiroz e depois levado para um abrigo. O caso ganhou repercussão porque Ramos fez várias postagens na página pessoal dele do Facebook, comentando o crime.
O julgamento aconteceu na segunda-feira (17), no Fórum de Penápolis, e o réu foi condenado conforme a denúncia do Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Vinícius Barbosa Scolanzi.
A denúncia cita que Ramos conviveu com Gabriela por aproximadamente cinco anos, mas o casal havia separado recentemente.
Facadas
Insatisfeito com o término do relacionamento, naquela noite o réu foi à casa dos pais da vítima alegando que precisava conversar com ela. Os dois foram para o imóvel onde Gabriela iria morar com o filho do casal e discutiram no caminho.
Quando já estavam na casa da vítima, o casal continuou discutindo. Como a mulher manteve a decisão de não reatar o relacionamento, ele pegou uma faca e a golpeou 12 vezes.
Após matá-la, o réu voltou para a casa do pai de Gabriela e falou para os familiares irem até a casa dela, que estava precisando de ajuda.
Enquanto ele pegou o filho e fugiu para Queiroz, a mãe e uma irmã da vítima foram à casa dela e a encontraram morta.
Durante a investigação, a polícia decobriu que Ramos deixou o filho com o pai dele, em Queiroz, e a criança foi levada pelo Conselho Tutelar para um abrigo da cidade.
No dia seguinte ao assassinato, ele fez uma publicação no Facebook dizendo que se sentia triste e que esperava que um dia o filho dele o perdoasse.
Dois dias depois, houve nova publicação, na qual o réu confessou o crime, alegando ter ficado com medo de não reatar o relacionamento com Gabriela e ir para a cadeia, enquanto ela ficaria livre para se relacionar com outro homem.
Escreveu ainda que mataria vários para tê-la de volta e lamentou o fato de a vítima ter dado ouvidos para amizades erradas e pessoas que fingiam ser amigas dela.
Após a Justiça decretar a prisão de Ramos, ele se entregou e aguardava julgamento preso.
Feminicídio
O réu foi denunciado por homicídio qualificado pelo motivo fútil e meio cruel, por violência doméstica e por feminicídio, condição que segundo o Ministério Público, foi reforçada justamente por postagem feita por ele na página pessoal no Facebook.
Ao proferir a sentença, o juiz Marcelo Yukio Misaka levou em consideração que o réu confessou parcialmente os fatos, mas durante o julgamento, o advogado André Bazan Tarabini alegou legítima defesa, tese que foi afastada pelos jurados.
O regime inicial para o cumprimento da pena é o fechado e Ramos não terá o direito de aguardar julgamento em liberdade.