Justiça

Recomendação não é atendida e Araçatuba não conta com Vara da Infância exclusiva

Provimento CNJ estabelece como meta uma vara exclusiva para cada 200.000 habitantes, o que poderia agilizar andamento dos processos

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
17/10/22 às 16h54
Necessidade de instalação de uma Vara da Infância e Juventude em Araçatuba foi lembrada pelo promotor de Justiça Joel Furlan, durante a 12ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Foto: Divulgação)

O Fórum da Comarca de Araçatuba (SP), que compreende ao município sede, e Santo Antônio do Aracanguá, abrange uma população estimada de 207 mil moradores. Apesar disso, não conta com uma Vara da Infância e da Juventude exclusiva.

O Provimento CNJ (Conselho Nacional de Justiça) 116, recomenda às presidências dos Tribunais de Justiça que promovam, nas comarcas e nos foros regionais que atendem mais de 200.000 habitantes, a instalação de ao menos uma Vara com competência exclusiva em matéria de Infância e Juventude.

O texto prevê ainda, que se evite onde não houver vara exclusiva de Infância e Juventude, sempre que possível, a cumulação de sua competência com a de uma vara Criminal, que é o que acontece em Araçatuba. Na cidade, a Vara da Infância é anexa à 2ª Vara Criminal, que tem um juiz titular e um que é o responsável pela Vara da Infância e nas Execuções Criminais, com grande demanda.

Por fim, o CNJ recomenda que todas as varas de Infância e Juventude existentes com competência exclusiva ou cumulativa contem com equipes multidisciplinares disponíveis na comarca para lhes atender, de forma exclusiva ou compartilhada com outras varas, compostas de, ao menos, psicólogo, pedagogo e assistente social.

Cobrança

A necessidade de instalação de uma Vara da Infância e Juventude em Araçatuba foi lembrada pelo promotor de Justiça Joel Furlan, durante a 12ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada no dia 7 deste mês.

A Prefeitura divulgou nota informando que ele defendeu que Araçatuba tenha um juiz titular apenas para cuidar desta faixa etária e destacou a importância de as crianças e adolescentes lutarem para que o orçamento municipal reserve verba para os programas de acolhimento e promoção da cidadania voltados a eles.

Em contato com o Hojemais Araçatuba , Furlan que há alguns anos o Comdica (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) enviou pedido ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) pedindo a instalação de uma Vara da Infância e da Juventude exclusiva na cidade, mas não foi atendido. O promotor de Justiça informa que sugeriu ao órgão que façam um novo pedido.

A reportagem procurou o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) para questionar sobre a instalação de uma Vara da Infância e Juventude exclusiva na comarca e a assessoria de imprensa do órgão informou que não há nenhum pedido deste tipo tramitando atualmente.

Obrigação

O juiz titular da Vara da Infância e Juventude local, Carlos Gustavo de Souza Miranda, que acumula a 2ª Vara das Execuções Criminais e Anexo, também participou da conferência e comentou que esta faixa etária precisa ser acolhida e incentivada por meio bons exemplos.

Ele comentou que sempre ouviu no Hino Nacional que o Brasil é uma mãe gentil e questionou se o País está desempenhando este papel. “Será o Brasil hoje é mesmo uma mãe gentil com seus filhos, com as crianças e os adolescentes?”, frisou.

Conferência

A 12ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente foi realizado pelo Comdica, em parceria com a Secretaria Municipal de Participação Cidadã. As sugestões apresentadas devem ser levadas para a conferência regional, estadual e, posteriormente, para um encontro nacional, sem datas para acontecer.

Segundo o que foi divulgado pela Prefeitura, uma das propostas feitas durante o encontro foi aproximar as escolas municipais do serviço de assistência social.

A vice-prefeita Edna Flor (Cidadania), que também é secretária municipal de Participação Cidadã, afirmou que a administração municipal tem se dedicado à questão das garantias dos direitos das novas gerações por meio de diversos projetos de educação, cultura e lazer e tem repassado dinheiro para entidades ligadas ao tema.

A presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Araçatuba, Lucila Ruriko Koga Gomes dos Santos, também participou da conferência e disse que as novas gerações precisam ter acesso à boa educação para construírem um futuro melhor para elas e para a sociedade.

Estudo confirma celeridade de varas dedicadas exclusivamente à infância e juventude

A pesquisa “Estrutura Judiciária e Gestão Administrativa de Políticas de Infância e Juventude”, divulgada no final de abril pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), aponta que as varas que lidam apenas com processos da área da infância e juventude conseguem concluir a tramitação de ações judiciais em menos tempo quando comparado às unidades que lidam com demandas de mais de um ramo do direito. 

O estudo analisou o banco digital de dados processuais do Poder Judiciário mantido pelo CNJ e alimentado pelos tribunais, o Datajud. Foi calculado o tempo médio de tramitação de uma ação em três classificações de vara de infância e juventude, definidas com o auxílio do Módulo de Produtividade Mensal.

Em seguida, o período de andamento de um processo foi comparado ao tempo de duração de uma ação em varas que recebem demandas de múltiplas áreas (cumulativas) e naquelas de juízo único. As últimas são as varas mais comuns em comarcas menores. 

Prazos

Nos casos de adoção, por exemplo, o processo dura em média, até o julgamento, 0,8 ano em uma vara exclusiva, 1,3 anos em uma vara cumulativa e 2 anos em uma vara de juízo único. Quando considerado o tempo de tramitação dos processos até a baixa, um processo de guarda pode terminar em média em 1,6 ano em uma vara exclusiva, o mesmo tipo de ação judicial dura 1,9 ano em uma unidade judiciária de primeiro grau com mais de um assunto e até 2 anos, em uma vara de juízo único.

Ainda de acordo com o Módulo de Produtividade Mensal, pelo menos 3.148 unidades de primeiro grau têm competência para julgar ações judiciais na área da infância e juventude no Brasil, mas as Varas exclusivas representavam apenas 4,51% desse universo. O estudo apontou que o TJ-SP é o que mais possui varas exclusivas e a região Sudeste é a que mais concentra varas que processam ações dessa matéria.

Estrutura

O levantamento também constatou que as varas de competência exclusiva costumam ter equipes mais bem estruturadas, com mais profissionais para analisar casos que envolvem os direitos das crianças. 

As varas com competência exclusiva possuem quantidade maior de juízes, oficiais de justiça, analistas judiciários, técnicos judiciários, estagiários e servidores terceirizados, em relação às demais varas consideradas no estudo. 

Os dados sobre a estrutura – física e funcional – das varas que tratam de infância e juventude foram obtidos por meio de um questionário enviado a todos os tribunais de justiça do País em 2021. Cerca de 21% do total de varas que lidam com infância e juventude responderam ao questionário.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
  27/05/26 às 18h36
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM JUSTIÇA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.