Opinião

A educação, o ensino e o respeito

"Comumente alunos que agem com violência na escola, são vítimas de violência em casa. É um círculo vicioso que precisa ser rompido e violência gera violência"

Adelmo Pinho
26/02/23 às 11h31

Atuando por duas décadas na área da infância e da juventude, aprendi que educação, ensino e respeito precisam caminhar juntos. Gabriel Chalita, em 18/10/2013, publicou no Jornal “O Diário de São Paulo” o artigo “Ao mestre, com respeito” , expondo: “Quem é o mestre? É aquele que professa a crença na pessoa humana e torna-se gerenciador de seus sonhos. É aquele que abre as janelas das possibilidades. É aquele que, ao problematizar, ao instigar, ajuda o aluno a colocar para fora o que tem de melhor”.

Bela definição de “mestre” . O problema é que, na prática, para que o mestre possa ensinar ao discípulo – aluno -, este tem que estar apto a receber o ensinamento. Em nossa sociedade, a falta de respeito deixou de ser a exceção, para se tornar a regra. A realidade vivida por professores em salas de aula no país, principalmente nas escolas públicas, é alarmante. Alunos desrespeitam o professor (a), quando não, proferem ameaças ou praticam violência física contra ele (a).

A quem se deve reverência, afronta-se. A obrigação do (a) professor (a) é com a excelência do ensino. Educar criança ou adolescente é dever dos pais, do estado e da sociedade, segundo a lei (art. 205, da CF). A questão é: os pais realmente educam os filhos? Existem pais que se omitem na educação dos filhos, terceirando para a escola ou para empregados essa obrigação. Outros pais, voluntariamente, ensinam-lhes condutas erradas ou criminosas.

Comumente alunos que agem com violência na escola, são vítimas de violência em casa. É um círculo vicioso que precisa ser rompido e violência gera violência. Fora da escola, a situação não é diferente. O desrespeito com idosos, neurodivergentes e mulheres causa preocupação.

A violência contra a mulher no Brasil aumenta, mesmo com o rigor da punição dos agressores, porque existe a cultura machista, de que ela deve se submeter ao homem, como se fosse de uma casta inferior. Essa realidade pode ser mudada, se cada um fizer a sua parte.

Portanto, eduquemos nossos filhos com bons exemplos, carinho e amor. A violência não pode ser utilizada como método educacional. Pais devem dialogar com os filhos e corrigi-los adequadamente. Escola é local de ensino e aprendizagem, enquanto a família é o principal ente educador; cada coisa no seu lugar.

Educar não é fácil, erra-se e não há cartilha pronta. A criança bem-educada hoje será o provável cidadão de bem do futuro; o contrário poderá resultar na formação de um mau cidadão ou de um criminoso. A falta de respeito torna a sociedade mais violenta e doente.

Foto: Arquivo

 

 

 

 

Adelmo Pinho é articulista e promotor de Justiça do Tribunal do Júri em Araçatuba 

 

 

 

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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