Você já se perguntou o que leva as pessoas se deslocarem de uma cidade à outra para comer isso ou aquilo? Pois é...
Toda esta mobilidade é em resposta a diferentes estímulos: quer sejam suprimentos, lazer, curiosidade ou status. Com esta força, acarretam incontáveis consequências de ordem econômica, política e social. No passado provocaram batalhas, grandes descobertas e, até, permutas inusitadas. As grandes navegações, por exemplo, foram motivadas pela busca de suprimentos, no caso, as especiarias da Índia.
De fato, pegar o carro num final de semana e rodar alguns quilômetros para comer uma coxinha de frango especial ou um banquete à moda mineira num restaurante de beira de estrada é resultado da curiosidade e interesse pela descoberta de novos paladares.
Independentemente se alguém comentou sobre tal iguaria, se você leu a indicação em um guia de viagens ou assistiu a uma reportagem pela TV, basta um pouco de curiosidade para aguçar a vontade e pé na estrada...
Neste mês de junho, o V Congresso Internacional do Observatório da Alimentação da Fundação Alícia, que ocorrerá na Universidade de Barcelona - Espanha, abordará o tema “Patrimônios alimentares, turismos e sustentabilidade”. Nessa oportunidade, a historiadora Angela Liberatti e eu professor Helerson Balderramas apresentaremos o prato que é patrimônio imaterial da cidade de Araçatuba, “O cupim casqueirado”.
A preparacão típica é hábito da gastronomia local e da identidade à cidade. Não apenas nos finais de semana, os moradores identificam o cheiro típico do cupim assado, preparado pelos bares e restaurantes especializados ou também nos churrascos domésticos que tradicionalmente é acompanhado de mandioca cozida, salada, farofa, e molho campanha batido.
A pesquisa, além da contextualização histórica do município e do produto em si, enfatiza a transformação da cidade considerada outrora a capital do boi gordo, desde a década de 1950, para a atual terra do cupim casqueirado!
Dados amostrais do consumo e de fornecimento do corte bovino confirmam as tais evidências. Foram levantados mais de 20 estabelecimentos especializados em servir o prato e outros tantos que fornecem a carne.
A forma de preparação também foi alvo da pesquisa, a habilidade técnica do corte “casqueirar”, não é relatada em nenhuma literatura especializada e será uma novidade aos participantes dos diversos países que estarão presentes na capital da Cataluña.
O cupim araçatubense já atravessou as fronteiras regionais e chegou ás cozinhas dos restaurantes de várias regiões brasileiras e agora ganha seu destaque em um evento internacional de gastronomia.
O corte, a forma de fazer e servir, está incorporado ao cotidiano do arac?atubense e projeta a cidade encantando turistas por oferecer um prato que guarda muito da história e memória afetiva local.