Opinião

Delícias juninas do arraiá

Os vários doces encantavam a criançada e sempre saltam ao olhar dos adultos

Helerson de Almeida Balderramas*
29/06/19 às 17h36
Doces juninos (Foto: Hugo)

Popularmente reconhecida como uma das manifestações da cultura brasileira mais tradicional e com muita comida, as festas juninas contam com grande variedade de salgados, doces e bebidas.

Mesmo nas grandes cidades, a temática remete ao modo de vida rural. Os ingredientes mais característicos são os cereais como o milho e o trigo e também, não ficam de fora o amendoim, coco, mandioca e as frutas da estação.

Entre o sagrado e profano, o ciclo junino das comemorações tem sua origem na antiga Roma quando festejavam a renovação da vida e fertilidade da terra no solstício de verão, período que no hemisfério norte configuram dias mais longos.

O fogo estava sempre presente nas celebrações, como elemento simbólico que representava o Sol, deus purificador e da fecundidade, servindo também para afastar as feras e o mau agouro.

Com a chegada do cristianismo na Europa esta marca e simbologias foram logo sincretizadas, mantendo principalmente o motivo da festa: a celebração da fertilidade e da colheita, que ambos aspectos foram dedicados aos santos católicos: João, Pedro e Antônio.

No Brasil, as festas juninas ocorrem em todas as regiões, com influências tanto da colonização como do povoamento, sobretudo com grande contribuição da cultura portuguesa, africana e indígena.

Tradicionalmente as festas juninas aconteciam nas ruas, que eram interditadas para a ocasião, e reuniam a vizinhança na organização da festa. Hoje, devido ao crescimento das cidades, a preferência são as festas realizadas em clubes, igrejas, escolas e condomínios, o que tornou a organização mais profissionalizada, contudo não perdeu o caráter comunitário.

Bem, vamos ao que interessa: às comidas juninas...

O destaque são os salgados e os doces, dentre eles, os mais característicos são os feitos com milho. A pamonha, a pipoca, o cuscus e o milho verde cozido com sal e pincelado de manteiga e servido na própria palha ainda verdinha... Como as noites de junho são geralmente frias, caem bem os caldinhos, as frituras, espetinhos de carne assada e sanduíches de carne louca também chamado de buraco quente e por que não um singelo hot dog?

Lembro-me, quando criança, das festas juninas da escola, repletas de bandeirolas coloridas, barraquinhas de comidas e muitas outras atrações.

Os vários doces encantavam a criançada e sempre saltam ao olhar dos adultos! Coloridos e perfumados de açúcar caramelado atraem não somente as formigas e abelhas ao derredor.

O doce de leite, o pé de moleque, o arroz doce, a pamonha, a canjica, o bom-bocado, a queijadinha, entre outros compartilham de ingredientes comuns (leite, coco, milho, amendoim, queijo etc.).

Um outro detalhe são os nomes que mudam de acordo com o regionalismo: a canjica paulista é conhecida no Norte e Nordeste como mungunzá e o que eles chamam por lá de canjica é, para nós paulistas, o curau feito de milho verde com leite ou água.

E para beber não vai nada? Quentão ou vinho quente: qual a sua preferência? São eles os carros-chefes da festança! Para esquentar o corpo, a alma e o espírito o quentão, ao ser fervido, espalha no ar um cheiro doce e picante e o vinho quente o cítrico doce das frutas.

Outra bebida encontrada no “arraiá” é o chocolate quente e não se esquente pensando nas calorias, apenas aproveite o momento e as delícias do banquete caipira, depois você se recupera fazendo exercícios e maneirando na alimentação do dia seguinte! A propósito em qual festa junina você vai este ano?

*Helerson de Almeida Balderramas é mestre em Turismo e Hotelaria; coordenador de curso de gastronomia e conselheiro municipal de Turismo de Araçatuba
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