** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.
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Há quem considere Graça Infinita o maior romance do Século XXI. Uma coisa é certa, se trata de um trabalho seminal e incomparável da mente suprema de David Foster Wallace. Mas há quem ache um trabalho pedante de um escritor deslumbrado pelo próprio intelecto.
Quem está certo? Ninguém liga, ler não é sobre estar certo ou errado.
Graça Infinita é uma obra que irá fazer você se sentir supremamente burro e inferior; essa não é uma típica leitura de cabeceira. Lê-lo é o equivalente mental de correr uma maratona: é exaustivo, desgastante e drena suas forças.
O próprio David disse em ensaios e entrevistas, não acreditar que uma grande obra literária deva ser acessível. Para ele, livros devem exigir esforço e dedicação do seu leitor. Isso já seria um motivo suficiente para odiar Graça Infinita , não é mesmo?
Mas existe algo positivo na obra ou ela é só um troféu pessoal para aqueles que conseguiram lê-lo até o fim?
Sim, existe. Primeiro de tudo, fica claro que esse livro foi escrito por alguém muito inteligente. David Foster Wallace pode não ter adquirido o status de gênio, mas seu conhecimento enciclopédico e a naturalidade com que ele insere elementos científicos (matemáticos, farmacológicos, ópticos, físicos, elétricos, entre tantos outros) no seu texto assustam qualquer leitor.
Você fica convencido de que está lendo algo escrito por alguém com um intelecto superior à média e muito superior ao seu. Apesar dessa sensação ser alienante para muitos, também é bastante inspirador.
É um livro estranho e imaginativo, mas sobretudo humano. É uma leitura para te deixar drenado e devastado. Muitos de seus personagens são “zumbificados” devido à falta de perspectivas na vida, aos seus vícios e às neuroses. É um livro surpreendentemente bem-humorado, “absurdista” e surrealista, mas é também bastante sombrio.
Mas digo que é um livro um pouco frustrante, pois poderia ser centenas de páginas mais curto. O final/clímax é abrupto e inconclusivo. Os fóruns sobre o livro trazem teorias interessante sobre o final, inclusive. Mas é interessante dizer que o trabalho é uma obra de arte no sentido mais clássico da palavra. Ao criar algo tão singular, corajoso e grandioso, o autor cimentou o seu lugar no panteão de gênios.
Sua mente exausta, ao terminar a leitura, é inundada por serotonina e pela percepção de estar participando de algo muito maior que você. É uma experiência realmente única.
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