Durante muito tempo acreditamos que a chave do desenvolvimento estava na capacitação dos empreendedores. Até que alguém observou que o sucesso do empreendimento não depende apenas da capacidade do empreendedor, mas, sobretudo, do ambiente que cerca o empreendimento. Percebemos a necessidade de ampliar o olhar para o ambiente e torná-lo favorável.
Durante muito tempo acreditamos que a chave do desenvolvimento estava no apoio às micro e pequenas empresas, porque são mais dinâmicas, mais flexíveis e geram mais postos de trabalho. Até que alguém observou que as grandes têm vantagens competitivas que jamais poderão ser igualadas pelas MPEs isoladamente.
Começou-se a prestar atenção nas externalidades positivas decorrentes da proximidade, da cooperação e da organização das MPEs. Voltou-se a falar em distrito industrial, cluster e sistemas produtivos locais ou sistemas locais de inovação. Percebemos a necessidade de ampliar o olhar para o território e torná-lo competitivo.
Durante certo tempo acreditou-se que a globalização fosse um fenômeno unilateral de expansão econômica. Mas é muito mais complexo. Na mesma medida em que surge uma economia global, ressurge uma tendência de afirmação do local, como uma resposta à exclusão ou como uma tentativa de integração não-subordinada.
É nesse contexto que emerge a temática do desenvolvimento local. Trata-se da busca pela afirmação de uma identidade, de características singulares que diferenciem o local dentro do universo da globalização. É justamente esse outro olhar que se amplia:
=> do empreendedor para o ambiente
=> da empresa para o território
=> do global para o local
Isso explica a emergência do território como uma unidade de desenvolvimento, considerado aqui no seu sentido sócio-político-econômico-cultural, ou seja, como um fenômeno social.
Nesse sentido, podemos afirmar que todo desenvolvimento é local, porque ocorre em algum território. O conceito de local não se confunde com o conceito de município, como querem alguns, e todo desenvolvimento é um fenômeno que resulta das relações humanas. São as pessoas que fazem o desenvolvimento.
O desenvolvimento depende do sonho, do desejo, da vontade, da adesão, das decisões e das escolhas das pessoas. Chamamos isso de protagonismo local. Não existe desenvolvimento sem protagonismo local.
