Duas aposentadas, com idades de 62 anos e 70 anos, perderam mais de R$ 60 mil em golpes aplicados em Araçatuba (SP), entre quinta e sexta-feira.
O primeiro caso foi da aposentada de 62 anos, moradora na rua Bandeirantes, no Jardim Sumaré, que perdeu R$ 52.979,99 no golpe do falso bilhete premiado.
A vítima contou que, na tarde de quinta-feira (24), por volta das 14h, saiu de um supermercado e caminhava pela rua Cristiano Olsen quando foi abordada por uma mulher perguntando sobre uma loja.
Logo em seguida, chegou um rapaz, dizendo que era da Receita Federal e que sabia onde ficava a tal loja. A mulher disse que era analfabeta, tinha ganho na loteria e que não poderia receber dinheiro de jogo.
O rapaz então propôs que a aposentada colocasse o prêmio no nome dela e dele, e a suposta ganhadora ficaria contente com R$ 400 mil. O rapaz teria feito algumas ligações e dito à aposentada que realmente o bilhete estava premiado.
No boletim de ocorrência não consta como ele conseguiu convencer a aposentada de que ela precisava entregar dinheiro a ele. Cita apenas que o rapaz levou a aposentada a uma cooperativa de crédito onde ela fez a transferência de R$ 37.979,99 para uma compra de dólares numa casa de câmbio, e depois a levou a três agências bancárias, onde a vítima fez o saque de R$ 5 mil em cada uma delas.
A vítima entregou os dólares e dinheiro nas mãos dos estelionatários, que teriam colocado as notas em uma bolsinha lacrada, junto com o bilhete premiado. Os golpistas falaram para a aposentada não abrir a bolsinha antes das 11h de sexta-feira (25), quando poderia sacar o prêmio.
Quando a vítima chegou em casa, o filho já tinha percebido a movimentação na conta bancária e a questionou. Ela contou o que havia ocorrido e ao abrir a tal bolsinha, encontrou apenas papel.
Rescisão trabalhista
O segundo caso foi no final da manhã de sexta-feira (25) e teve como vítima uma aposentada de 70 anos, que teve a aposentadoria sacada e um empréstimo feito em seu nome, em 72 parcelas.
De acordo com a ocorrência, a vítima foi abordada por uma mulher, nas proximidades de um supermercado, no bairro Hilda Mandarino, que perguntou também sobre determinado endereço.
No momento, outra mulher se aproximou, dizendo ser advogada e chamar-se Maria das Graças, oferecendo ajuda. A suposta advogada olhou um papel que estava nas mãos da primeira mulher e disse em tom de surpresa que ela estava milionária com a rescisão trabalhista que receberia. Em seguida, disse que iria na casa dela para pegar um carro e levar a mulher ao banco.
A primeira mulher disse então que não conseguiria sacar o dinheiro porque estava sem os documentos pessoais. A falsa advogada explicou que não era preciso, pois qualquer documento serviria para retirar o dinheiro e perguntou se a vítima não poderia ajudar, emprestando os documentos.
A aposentada conta que chegou a desconfiar da história, mas acabou consentindo em ir com as duas ao banco, pois ela também precisava pagar uma conta no Centro da cidade a aproveitaria a carona.
Ela entrou num carro com as duas mulheres, dirigido por um rapaz identificado como filho da falsa advogada. Antes, a vítima ainda passou na casa da filha dela para pegar o cartão para fazer o pagamento que precisava.
Saques
Quando chegaram ao Centro, a falsa advogada pediu que a aposentada fosse com o suposto filho dela para fazer o saque do dinheiro da tal rescisão trabalhista, enquanto isso, as duas golpistas iriam a um outro banco.
O rapaz convenceu a aposentada a informar a senha do cartão. Ele conversou com a caixa do banco, sem que a vítima escutasse a conversa, pediu o cartão da aposentada e teria teclado a senha informada por duas vezes. Em seguida, devolveu o cartão à vítima.
A caixa entregou um maço de dinheiro ao rapaz, que guardou no bolso. Os dois deixaram o banco e encontraram, já na rua, as duas golpistas.
Para despistar a aposentada, a falsa advogada disse que precisava fazer mais alguns serviços no banco e pediu para a vítima esperá-los em frente à agência. Eles não voltaram.
Quando chegou em casa, a vítima contou o que tinha ocorrido com uma das filhas. As duas voltaram ao banco onde constataram a retirada do benefício da aposentada, no valor de R$ 672,58, e uma retirada de R$ 9,2 mil referente a um empréstimo feito em 72 parcelas no valor de R$ 497,16 cada uma.