A Justiça de Araçatuba (SP) decretou a prisão preventiva do guarda municipal de 60 anos, que foi preso em flagrante após matar com um tiro, José Roberto Nunes, 55, crime ocorrido no final da manhã, ao lado da agência do Banco do Brasil, que fica na praça Rui Barbosa, a principal da cidade.
A decisão aconteceu durante audiência de custódia, na manhã desta quarta-feira (5), e foi acatada manifestação do Ministério Público. Foi levado em consideração a prova da materialidade e os indícios suficientes de autoria do crime de homicídio qualificado pelo motivo fútil.
Também pesou o fato de apesar de ser um guarda municipal da ativa, com treinamento específico para gerenciamento de crises e atuação em situações de risco, o acusado fez disparos de arma de fogo em via pública, no centro da cidade, próximo de comércios e estabelecimentos bancários. “A opção por efetuar disparos de arma de fogo naquela localidade poderia, inclusive, vitimar populares” , consta na decisão.
Para a Justiça, houve o entendimento de que há necessidade de se apurar melhor a alegação de que o disparo com a arma de fogo seria a única alternativa possível diante da situação.
Fatal
Também foi considerado que no prontuário médico consta que a lesão provocada pelo tiro apresentou elevado potencial letal. A vítima foi socorrida já em estado de inconsciência e com intenso sangramento.
“Foi atendida em estado crítico, que evoluiu rapidamente para morte, circunstância que revela maior reprovabilidade concreta da conduta e recomenda cautela na apreciação da liberdade provisória” , cita.
Caso
Os guardas municipais que apresentaram a ocorrência relataram que realizavam fiscalização de trânsito na praça Rui Barbosa, no cruzamento com a Rua Joaquim Nabuco, quando ouviram dois disparos de arma de fogo em sequência vindos das proximidades do Banco do Brasil.
Na sequência, um popular teria gritado em direção à equipe: “É tiro, é tiro” . Eles encontraram o guarda municipal que havia feito os disparos na lateral da agência bancária, no cruzamento da praça com a rua Campos Sales. Ele não estava com a arma nas mãos.
Sangrando
Nunes estava caído cerca de dois metros adiante e um dos agentes constatou que ele ainda apresentava pulsação. Nesse momento se aproximaram uma mulher que informou ser enfermeira e um homem que declarou ter curso de primeiros socorros. Os dois passaram a auxiliar no atendimento emergencial.
Foi constatado que a vítima apresentava intenso sangramento pela boca, além de estar inconsciente. Nesse primeiro momento, os agentes não teriam notado ferimento compatível com disparo de arma de fogo, mas ainda durante o atendimento a Nunes, o autor do disparo entregou espontaneamente a arma utilizada no crime para um dos guardas municipais.
Comunicou
Diante da gravidade da situação, a agente que prestava o primeiro socorro à vítima comunicou a Central de Operações da Guarda Municipal, solicitando socorro médico para a vítima e apoio de outras equipes.
Uma equipe da Polícia Militar auxiliou na preservação do local e no atendimento da ocorrência até a chegada de equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que encaminhou Nunes para a Santa Casa, mas ele deu entrada na unidade já sem vida.
Durante a perícia, foram recolhidas duas cápsulas deflagradas. A arma do acusado, uma pistola calibre 9 milímetros com dez munições, também foi apreendida para ser encaminhada à perícia. Segundo a polícia, trata-se de uma arma particular, devidamente registrada.
