Polícia

Cleudson diz que recebia R$ 25 mil por mês do pronto-socorro de Birigui

Falou que bens que possui são compatíveis com a renda mensal e negou que aviões apreendidos sejam dele

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
05/11/20 às 17h54
Segundo Cleudson, pagamento era referente à regulação médica no pronto-socorro de Birigui (Foto: Divulgação)

O médico anestesista Cleudson Garcia Montali revelou que recebia R$ 25 mil mensais como pagamento pela regulação médica no pronto-socorro de Birigui.

A unidade é gerenciada pela OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Birigui, investigada na Operação Raio X e que, segundo a investigação, seria de responsabilidade do próprio Cleudson.

Essa seria apenas uma das rendas do médico, que está preso acusado de liderar um suposto esquema de desvio de dinheiro público. A informação sobre o pagamento foi dada por ele em depoimento por videoconferência na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Quarteirizações, na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na manhã de quarta-feira (4).

O médico afirmou aos deputados que não é dono das OSSs investigadas, apesar de ser o responsável pelos projetos de gestão, sob argumento de que elas não podem ter donos. Além disso, argumentou que os bens que possui são compatíveis com a renda que tem.

Renda

“Sou médico há 20 anos. (Meu padrão de vida) eu acho que não foge da minha condição. Qualquer médico anestesista hoje tem salário em torno de R$ 40 mil”, disse ao falar dos bens que foram bloqueados.

O médico contou que ganhava entre R$ 25 mil e R$ 27 mil mensais quando fazia a regulação médica do pronto-socorro de Birigui, serviço que teria deixado de prestar no primeiro semestre deste ano. “Acho que a regulação foi até uns seis meses atrás, aí eu parei de prestar o serviço”, informou. 

Ele revelou ainda que recebia mais R$ 25 mil mensais da OSS Irmandade da Santa Casa de Pacaembu, referente a um contrato no valor de R$ 102 mil de educação continuada, no qual atuava com consultor.

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Sem dono

Ele negou ser dono das organizações sociais, afirmando que não teria interferência nenhuma na Santa Casa de Birigui e de Pacaembu, que são hospitais que existem há mais de 100 anos.

“Eu nunca fui dono da Santa Casa porque ela é da população, ela é um bem público. Nunca nem fui presidente e nem fui da diretoria, mas quando se tratava desses contratos de gestão que eram feitos em outros locais, era eu que comandava, eu que fazia o projeto” afirmou.

Disse ainda que os contratos eram assinados pelo presidente da irmandade, que segundo ele acreditava na equipe que fazia o serviço. O médico contou que apesar de o trabalho ser coordenado por ele, era dividido com outras pessoas.

“Na Pacaembu minha influência é quase zero. Lá em Birigui a minha interferência é a minha consultoria, o meu trabalho, e era aonde eu comandava os contratos de gestão. Não tem como eu ser dono da Santa Casa de Birigui ou da Santa Casa de Pacaembu. Eu não era dono e nem presidente, porque estava um presidente lá, tinha votação e tudo mais”, argumentou.

Sem dinheiro

Cleudson alegou que devido à acusação, foram bloqueadas todas as contas bancárias dele, da mulher dele, Daniela Araújo Garcia, que também é ré nos processos, e da empresa da mulher dele.

Em 13 de outubro, a polícia apreendeu um ônibus com equipamentos para atendimento itinerante da Saúde da Mulher, o qual está registrado em nome da Clínica Gestão de Saúde Birigui Ltda.

Segundo a investigação, essa empresa está registrada em nome da esposa de Cleudson. O ônibus era alvo de mandado de busca e apreensão, junto com uma carreta também equipada, mas não foram localizados durante a operação. Eles foram encontrados dias depois em um terreno em Brejo Alegre.

Sem renda

Cleudson disse que prestava serviço à OSS Santa Casa de Birigui por meio de contrato com a empresa da esposa dele. Como foram bloqueados cerca de R$ 300 mil que havia nas contas, ele disse que a empresa deixou de pagar os funcionários.

Ainda segundo o médico investigado, também foi bloqueada a casa onde ele mora com a família, em um condomínio de Birigui, e todos os carros que seriam dele, inclusive um que estaria alugado para uso da esposa dela, pois o dela estaria na oficina.

“Estou um pouco emocionado por causa dos filhos. Eles bloquearam uma caminhonete do uso da minha esposa, uma Amarok 2016 no valor de R$ 100 mil, bloqueou minha casa, de creio que R$ 1,5 milhão, todos os móveis estão dentro e o que é efetivamente meu”, comentou.

Oito aeronaves que pertenceriam ao grupo supostamente liderado por Cleudson foram bloqueados pela Justiça (Foto: Divulgação)

Aviões

Cleudson argumentou ainda que os aviões apreendidos ou bloqueados pela Justiça em função da operação não pertencem a ele, que atualmente não teria nenhuma aeronave, apesar de já ter tido. “Apreenderam um monte de avião falando que era meu e não era meu, mas aí a Justiça vai mostrar, né” , afirmou.

Conforme matéria publicada pelo Hojemais Araçatuba em 3 de outubro, a investigação apontou que o grupo investigado por suposto desvio de dinheiro público da área da Saúde tinha quatro pilotos e quatro motoristas à disposição e oito aeronaves foram bloqueadas por determinação da Justiça.

O réu admitiu que fazia muitas viagens aéreas devido à grande quantidade de trabalho nos Estados do Pará e do Paraná. Como ficava em São Paulo e os voos comerciais estavam suspensos em função da pandemia, arrumou alguns "amigos" , entre eles fornecedores de serviços e materiais para as OSSs, que disponibilizaram aeronaves para que fosse feito o transporte de médicos, que estavam em falta nessas regiões, e medicamentos.

Vendeu

“Eles estão alegando que os aviões são meus porque eu realmente, quatro anos atrás, eu tinha 12% de um avião. Era um avião de R$ 2 milhões e eu tinha 12% dele. Minha parte valia 250 mil, mas esse avião foi vendido já faz uns três, quatro anos. Eu comprei a metade de outro avião menor, que custava R$ 380 mil, depois eu vendi também", disse.

Segundo Cleudson, apesar de ter percentual nas duas aeronaves citadas, na época elas não estavam no nome dele, como as que foram bloqueadas agora, por determinação da Justiça. “Mas aquela época os aviões eram meus, tinha contrato de compra e venda” , argumentou.

Ainda de acordo com o médico, quando os voos comerciais foram retomados, ele deixou de utilizar esses aviões de “amigos”.

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