Polícia

Cleudson nega que fazenda de R$ 7 milhões seja dele; investigação contesta

Propriedade está registrada em nome de Adriana Michels Ferreira, da dona de uma empresa com contratos assinados com a Santa Casa de Pacaembu, investigada na Operação Raio X

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
06/11/20 às 01h30
Mais de 400 cabeças de gado foram apreendidas em fazenda que seria de Cleudson (Foto: Reprodução de vídeo)

O médico Cleudson Garcia Montali, réu em dois processos sobre crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, negou que a fazenda avaliada em aproximadamente R$ 7 milhões, em Aparecida do Taboado (MS), seja dele.

Alvo de mandado de busca na Operação Raio X, a propriedade foi bloqueada pela Justiça e teve mais de 400 cabeças de gado apreendida. O rebanho está avaliado em mais de R$ 1,5 milhão.

Em depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Quarteirização, na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), Cleudson assumiu a propriedade dos animais apreendidos.

Ele alegou que não é dono da fazenda e disse que a arrendava sem custo algum, com o compromisso de dividir o lucro obtido com o gado com proprietário das terras.

Contratos

O questionamento sobre a fazenda feito pelo deputado Sérgio Victor (Novo) durante o depoimento à CPI. A ele, Cleudson informou que a propriedade pertence a Adriana Michels Ferreira, responsável pela empresa Adriana Michels Consultoria em Gestão Empresarial.

De acordo com o médico, as empresas de Adriana realizava processo seletivo e compliance, que seria cuidar da imagem do negócio, serviços esses que seriam prestados em Carapicuíba e no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Belém (PA).

Sem sentido

As declarações de Cleudson fizeram o parlamentar questioná-lo sobre essa negociaçaõ com a suposta dona da fazenda. "Eu tô tentando ver se faz sentido: o bem não é seu, mas você não paga nada para arrendar uma fazenda de R$ 7 milhões?” , questionou o deputado.

Cleudson argumentou que apesar de não pagar pelo arrendamento, ele matinha funcionário na propriedade para cuidar do gado e da fazenda e daria à proprietária, parte do lucro obtido com os animais futuramente.

“Eu tinha 400 novilhas lá, isso gera uma renda no final e existia uma programação de que ela iria ter uma renda disso daí”, concluiu.

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Provas

Apesar da versão apresentada por Cleudson, a investigação concluiu que a propriedade bloqueada pertence a ele, inclusive há imagens de câmeras de monitoramento referentes à negociação da propriedade.

Além disso, ouvido em depoimento, o corretor que intermediou a negociação com o antigo proprietário declarou ter negociado diretamente com o médico e recebido das mãos dele o pagamento da corretagem pela venda.

Laranja

A reportagem confirmou que a fazenda está registrada em nome de Adriana, presa durante a Operação Raio X. Ela responde a processo por organização criminosa e lavagem de dinheiro na Justiça de Birigui.

Para a investigação, a propriedade foi adquirida por Cleudson com dinheiro dos contratos fraudulentos ou superfaturados e registrada em nome de Adriana, que foi utilizada como “laranja” para tentar ocultar os valores obtidos ilicitamente pela organização.

Negociação

A reportagem teve acesso a documentos que apontam que a compra da fazenda foi acertada em um shopping em Fernandópolis, em 30 de outubro de 2019. Segundo a investigação, nesse shopping os corretores se encontraram com Cleudson e apresentaram a documentação referente ao negócio.

Na ocasião o médico estava acompanhado de Osvaldo Ramiro Alexandre e Sérgio Kiyoshi Takahashi Harada, que também foram presos na operação e são réus em processo.

No dia seguinte, Cleudson, Márcio Tizura, Osvaldo Ramiro e Sérgio Kyioshi se encontram em Taquaritinga pagaram a primeira parcela ao vendedor, no valor de R$ 1 milhão.

A propriedade à beira do rio Paraná teria sido adquirida de “porteira fechada” . Com 232 hectares de área, ela teria um rebanho de carneiros e as novilhas que foram apreendidas.

Pará

O dinheiro usado no pagamento da propriedade, segundo a investigação, teria vindo principalmente dos contratos fechados pelas OSSs (Organizações Sociais de Saúde) no Estado do Pará.

Em junho daquele ano foi interceptada conversa telefônica entre Cleudson e o advogado Luciano Abreu de Oliveira, que está foragido, na qual o médico comenta que o contrato de Belém era o projeto da vida deles. Ainda segundo a investigação, esses contratos somariam R$ 30 milhões mensais.

Transferências

A reportagem apurou que a empresa de Adriana, que seria dona da fazenda, segundo Cleudson, foi criada em 19 de agosto de 2019. Entre o começo de outubro daquele ano e o início de janeiro de 2020, essa empresa recebeu R$ 8,344 milhões, transferidos pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu.

Os repasses foram apontados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e, desse total, pouco mais de R$ 7 milhões foram repassados pela matriz da OSS e o restante pela unidade de Belém (PA).

Ainda de acordo com a investigação, R$ 4 milhões foram transferidos pela empresa ao antigo proprietário da fazenda e outros R$ 2 milhões foram repassados a uma empresa pertencente a Nicolas André Tsontakis Morais, que também foi preso, apontado como responsável pelos contratos da OSS no Pará.

Documentos apreendidos pela polícia durante a investigação apontam que Régis Soares Pauletti era o responsável por pagar as despesas da fazenda, inclusive a escritura. Ele também está preso, acusado de ser o operador financeiro das OSSs investigadas.

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