Polícia

Deputados destacam influência política de Cleudson para sucesso das OSSs

Santa Casa de Pacaembu assinou os primeiros contratos com o governo do Estado na gestão Márcio França, em 2018

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
06/11/20 às 15h51

A influência política do médico Cleudson Garcia Montali foi destacada pelos parlamentares em depoimento prestado por ele na última quarta-feira (4), na CPI das Quarteirizações.

A deputada Analice Fernandes (PSDB) destacou o fato de os primeiros contratos da OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Pacaembu terem sido assinados no período em que o então vice-governador Márcio França (PSB) assumiu o governo em 2018, após Geraldo Alckmin (PSDB) se afastar para concorrer à presidência.

“O que causou estranheza é que imediatamente quando muda o governo, a entidade que estava pedindo essa qualificação há bastante tempo recebe a qualificação e se torna uma OS que assim, imediatamente, assina contratos e contratos milionários com o governo” , argumentou a deputada.

Curiosamente, na ocasião Cleudson era filiado ao PSB, mesmo partido de Márcio França. Foi também nesse período que ele foi reconduzido ao quadro de funcionário público do Estado, anos após ter sido exonerado devido após processo por improbidade administrativa.

Em setembro deste ano, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) acatou recurso do Ministério Público e condenou o médico à perda do cargo público e dos direitos políticos por esse processo, no qual ele havia sido absolvido em primeira instância.

Cleudson disse que foi indicado para comandar DRS-2 por capacidade técnica (Foto: Reprodução)

Filiação partidária

Durante o depoimento, Cleudson disse que foi filiado a três partidos políticos. Atualmente ele está ligado ao DEM, ao qual se filiou há cerca de seis meses, por questões da política local de Birigui, de acordo com ele.

O principal partido na vida do médico foi o PSDB, do qual fez parte por oito anos. Foi nessa época que ele foi convidado a assumir o comando técnico da DRS-2 (Diretoria Regional de Saúde) de Araçatuba.

O médico deixou a legenda para se filiar ao PSB, partido com o qual Márcio França disputou e perdeu a eleição para João Doria (PSDB).

Exoneração

Cleudson foi exonerado a bem do serviço público, após processo administrativo disciplinar ser instaurado pela Procuradoria Geral do Estado, devido a irregularidades apontadas na gestão do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Araçatuba.

Ele disse em depoimento que recorreu imediatamente após ser exonerado e, com o passar do tempo, das seis imputações de irregularidades que pesavam contra ele, quatro foram derrubadas ainda na gestão Alckmin.

Quando Márcio França assumiu o governo, as outras duas imputações também caíram, segundo o médico, e ele foi chamado pela Procuradoria para ser reintegrado. Apesar de ter sido readmitido, ele disse que em seguida pediu a exoneração.

“Eu já estava com a minha vida definida, trabalhando como anestesista, e voltei como funcionário, com salário de R$ 2.000,00. Por esse motivo eu não quis voltar e pedi exoneração do cargo público”, explicou.

O governo do Estado contratou a Santa Casa de Pacaembu para instalar o AME de Penápolis na gestão de Márcio França (Foto: Lázaro Jr./Arquivo)

Contratos

Com relação à OSS, Cleudson disse que apesar de os contratos terem sido assinados com o Estado na gestão de Márcio França, a Santa Casa de Pacaembu havia sido qualificada para concorrer nos chamamentos públicos durante a gestão de Geraldo Alckmin.

Ela inclusive teria participado de alguns chamamentos no governo tucano, mas não havia vencido nenhum deles.

A OSS de Pacaembu tem seis contratos de gestão com o governo do Estado: AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) de Carapicuíba, de Santos e de Sorocaba; o Hospital Geral de Carapicuíba; o PAI (Polo de Atenção Intensiva) em Saúde Mental da Baixada Santista; e o Centro de Medicina de Reabilitação Lucy Montoro, de Santos.

O Estado já informou que esses contratos serão rescindidos e na semana passada foi publicado no Diário Oficial quais serão as entidades que substituirão a OSS de Pacaembu.

Penápolis

Essa mesma OSS chegou a ser contratada para atuar na implantação do AME de Penápolis, anunciado por Márcio França quando ele esteve na cidade na inauguração do campus de medicina da Funepe (Fundação Educacional de Penápolis), em julho de 2017.

Na época, o prefeito de Penápolis, Célio de Oliveira, era do PSDB, mas por ter apoiado França, ele foi desfiliado da legenda.

Quando João Doria assumiu o governo, a Secretaria de Estado da Saúde cancelou a instalação do AME de Penápolis e suspendeu o contrato com a Santa Casa de Pacaembu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Conhecimento técnico

Cleudson disse em depoimento que a escolha dele para o comando da DRS-2, que o ajudou a adquirir conhecimento na gestão dos serviços públicos, foi uma questão técnica e não política.

“Eu fui diretor da Unimed de Birigui por sete anos e meio, fui vice-presidente, superintendente, fui diretor estadual do NAE (Núcleo de Ação Estratégica) e da Federação das Unimeds”, argumentou.

O médico acrescentou que foi diretor da Associação Paulista de Medicina de Penápolis e da Associação Paulista de Medicina de Birigui. Ele também foi auditor do SUS (Sistema Único de Saúde), o que teria contribuído para obter a qualificação para assumir o posto.

“Então, eu tinha bastante conhecimento. E quando fui convidado para ser diretor da regional eu tinha já uma história aqui na região”, justificou.

Influência

A deputada Janaina Paschoal (PSL) perguntou a Cleudson se não houve questionamentos por parte do governo do Estado, pelo fato de ele ter sido exonerado e visitar a Secretaria de Saúde na condição de representante das OSSs contratadas.

“O senhor disse que não era presidente, não era diretor, mas prestava serviço de montar esses projetos. Então com certeza o senhor aparecia, vamos dizer assim, como o intermediário, um expert na preparação desses projetos. Ninguém na secretaria estranhou que um funcionário médico exonerado fizesse esse serviço? Nunca ninguém perguntou isso?”, questionou a parlamentar.

Visitas

O médico argumentou que houve quem discordou com a exoneração dele na secretaria, mas as pessoas mais próximas consideraram a medida injusta, assim quando ia à Secretaria de Saúde do Estado era muito bem recebido pelas pessoas que gostavam dele, porém mal recebido pelos que consideraram a exoneração merecida.

Por isso, quando determinado teria que tratar com pessoas que não gostavam dele, enviava um representante. “Eu deixei de ir em algum setor e pedi para outra pessoa ir, porque eu sabia que seria mal recebido, mas uma parte das pessoas sempre me tratava com respeito eu ia na secretaria sim”, disse.

Além disso, ele argumentou que fazia visitas técnicas à secretaria, pois o acesso aos editais é público. “Muitas visitas técnicas e eu mesmo não ia, porque eu sabia que a pessoa gostava de dificultar”, relatou.

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍCIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Empresa Jornalística e Editora LTDA
32.184.870-0001/54
Editor responsável:
Aline Galcino - MTB: 43087/SP
aline.galcino@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2021 - Grupo Agitta de Comunicação.