Continuam foragidos os advogados Luciano Abreu Oliveira, 35 anos, e Júlio César Arruda Rodrigues, que tiveram os mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça para serem cumpridos durante a Operação Raio X.
Hoje completa um mês que ela foi deflagrada e os dois são os únicos entre os acusados de integrar o grupo investigado por suposto desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos com OSSs (Organizações Sociais de Saúde) considerados foragidos da Justiça.
Segundo apurado pelo
Hojemais Araçatuba
, Oliveira é apontado como responsável pelo Setor Jurídico da organização e há indícios de que auxiliava na elaboração de minutas de leis e editais encomendados para fraudar licitações.
Ele também ajudaria na produção de contratos fraudulentos que seriam usados para enganar órgãos de fiscalização e a empresa dele de advocacia seria contrada pelo grupo para prestação de serviços com valores superfaturados.
A reportagem apurou que ele teria fugido por volta das 4h de 29 de setembro, quando foi deflagrada a operação.
Flagrante
Luciano Abreu chegou a ser preso em cumprimento de mandado de busca em 16 de janeiro, no apartamento dele, no bairro Nova Iorque, em Araçatuba. Na ocasião, a polícia encontrou uma pistola calibre 380 e munições. O advogado alegou que a arma era do pai dele, já morto.
Porém, a investigação apontou que a pistola constava como pertencente ao estoque de uma loja de artigos esportivos de São Paulo. Ele foi solto após pagar R$ 10 mil de fiança.
Fraudes
Durante as buscas naquele dia, os policiais também apreenderam um Toyota Corolla ano 2019, com placas de Três Lagoas (MS), que estava com ele. O carro era da locadora supostamente ser usada para lavar de dinheiro do grupo.
A reportagem apurou ainda que o advogado é investigado por ter providenciado atestado médico falso para impedir o depoimento de uma funcionária da Prefeitura de Birigui.
Ela foi presa por peculato em dezembro do ano passado ao ser flagrada com um carro alugado pela OSS Irmandade da Santa Casa de Birigui, apesar de não ter relação com o hospital.
Família
A investigada é esposa de Márcio Takashi Alexandre, que por sua vez é filho do ex-vereador Osvaldo Ramiro Alexandre. Os três estão presos em função da investigação.
Em setembro do ano passado, quando cumpria um mandado de prisão por disparo de arma de fogo contra Márcio, os policiais encontraram R$ 179 mil em dinheiro na casa dele, que teriam sido obtidos por meio das fraudes investigadas.
Laranja
O outro advogado foragido também usaria a empresa de advocacia que possui para desviar dinheiro em favor da organização.
Além disso, Júlio César seria
"laranja"
de empresas contratadas pelas OSSs por valores superfaturados ou que simplesmente não prestariam os serviços, mas recebiam por eles.
Essas empresas na verdade seriam controladas pelo médico Lauro Henrique Fusco Marinho, de Birigui, que está preso e para quem o dinheiro retornaria.
Foram identificadas pelo menos três prestadoras de serviços médicos para as OSSs que estariam nessas condições, duas delas em Birigui e uma no Estado de Goiás.
De acordo com o que foi apurado, a última atividade desenvolvida por esse advogado em favor do grupo investigado estaria relacionada a funções administrativas em contratos da OSSs no Estado do Pará.