A morte do delegado Marcos Roberto Alves da Costa, 58 anos, na madrugada desta segunda-feira (21) em um acidente automobilístico em uma estrada de Santo Antônio do Aracanguá (SP), causou indignação nas entidades representantes da classe do Estado de São Paulo.
A vítima trabalhava na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Araçatuba e morava em Guararapes. Porém, também era responsável pela delegacia de Gastão Vidigal, cidade distante 90 quilômetros de Guararapes e 70 quilômetros de Araçatuba.
Segundo o que foi apurado pela reportagem, na noite de domingo (20) Marcos Roberto foi chamado para presidir um flagrante por descumprimento de medida protetiva em Gastão Vidigal, seguia para a delegacia, mas não chegou.
O corpo só foi encontrado pela manhã de hoje, dentro do carro que caiu em um rio, no quilômetro 45 da estrada vicinal Antônio Villela, no distrito de Vicentinópolis, em Santo Antônio do Aracanguá. O veículo saiu da estrada em um trecho de curva.
Excesso de trabalho
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo divulgou nota lamentando a morte do delegado, durante o cumprimento da missão, e criticando o excesso de trabalho por falta de policiais civis.
“Os policiais do Estado de São Paulo enfrentam rotinas extenuantes, principalmente no Interior, com deslocamentos diários por rodovias, e plantões que podem alcançar mais de 36 horas ininterruptas”, informa a nota, assinada pela presidente da entidade, Raquel Gallinati.
O sindicato afirma que o déficit de policiais obriga um delegado a responder por mais de uma delegacia, impedindo o seu descanso e violando as leis mais básicas da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Além disso, muitos policiais não encontram tempo para estarem com suas famílias. “A vida do policial está sendo colocada em risco não somente no combate ao crime, mas principalmente por descaso do governo em estruturar a polícia” , finaliza a nota.
