Polícia

Funcionário da Prefeitura é ferido no rosto durante abordagem por PM

Disse que teve o rosto empurrado contra o muro quando chegava na casa dele e foi levado algemado para a delegacia, onde foi feita ocorrência por suspeita de embriaguez

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
08/06/22 às 15h31
Sebastião Antônio Alves ficou com lesões no rosto durante abordagem policial (Foto: Divulgação)

O servidor público municipal Sebastião Antônio Alves, 51 anos, que trabalha no setor de fiscalização da Prefeitura de Araçatuba (SP), sofreu ferimentos no rosto durante abordagem policial ocorrida entre a noite de sexta-feira (3) e a madrugada do último sábado.

Ele teria tido o rosto empurrado contra o muro por mais de uma vez, além de ter sido agredido com chutes por um dos policiais militares, que teriam alegado que ele teria as mesmas características de um homem que teria praticado um roubo.

A vítima contou ainda que foi algemada e levada para a delegacia, após passar por atendimento médico, onde foi registrado um boletim de ocorrência de suspeita de embriaguez.

Alves, que já foi ouvido pela Polícia Militar onde fez a denúncia, contou que naquela noite participou de uma confraternização no bairro Ipanema. O carro de um amigo dele teria apresentado problema quando ia embora do evento, por isso, ele ofereceu a moto emprestada.

Abordagem

Os dois foram juntos na moto até à casa dele, de onde o amigo o deixaria e retornaria para buscar a esposa, que ficou aguardando. Entretanto, segundo a vítima, quando chegavam na casa dele, houve a abordagem pela equipe da policia Militar, composta por um sargento e um soldado.

A abordagem dele teria sido feita pelo sargento, enquanto o amigo dele, garupa da moto, teria sido abordado pelo soldado, já com a arma em punho. Durante a abordagem o soldado teria inclusive gritado: "Quer tomar um tiro e um tapa na cara?”.

O servidor municipal disse que foi agarrado pelo colarinho da camiseta pelo sargento, que teria empurrado a cabeça dele contra o muro da casa dele por duas vezes, enquanto o amigo, que testemunhava as agressões, era afastado de perto pelo soldado.

Relatou ainda que em decorrência das pancadas na cabeça sentiu-se atordoado, pediu para sentar-se e quando estava no chão, teria sido agredido com vários chutes nas nádegas e na perna direita.

Ainda de acordo com Alves, enquanto ele era agredido pelo sargento, o amigo dele se dirigiu com a palavra ao soldado, mas novamente teria sido ameaçado com o uso da arma de fogo e intimidado.

Identificação

Somente após as agressões os policiais teriam pedido a documentação para a identificação dos dois amigos. O funcionário público disse que durante as agressões o amigo tentou chamar a esposa dele, mas teria sido repreendido pelo sargento.

Na sequência o soldado teria pego a chave da casa dele, aberto o portão e o sargento foi até à porta da cozinha, onde bateu e teria sido atendido pela sogra da vítima.

A esposa dele também apareceu em seguida e foi informada pelo policial que teria ocorrido um roubo na região, que o autor estaria de roupas vermelhas, como as vestidas por Alves, o que justificaria a abordagem.

Ele teria alegado ainda que os dois amigos estariam embriagados, teriam desobedecido a ordem de parada e que o funcionário público teria tropeçado, caído e batido a cabeça na calçada, por isso estaria ferido.

Falta de ar

Segundo o funcionário público, os filhos dele presenciaram ele sendo conduzido algemado para a viatura, onde foi trancado no compartimento de presos. Disse inclusive que permaneceu por um período, chegou a ter falta de ar e pediu para a tampa do porta-malas da viatura ser aberta.

O pastor da igreja que ele frequenta, que também seria advogado, teria comparecido no local, mas por não portar a carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no momento, teria sido ameaçado de prisão por suposta falsidade ideológica.

Embriaguez

Durante a abordagem o servidor municipal foi questionado se havia ingerido bebida alcoólica ou feito uso de entorpecentes e foi submetido ao teste do bafômetro, mas o aparelho não teria emitido o resultado.

A vítima disse que teve a moto recolhida por um guincho, apesar de não terem sido constatadas irregularidades, sendo liberada na delegacia pelo delegado plantonista.

Alves alegou ainda que enquanto esteve no pronto-socorro para atendimento médico, por várias vezes foi impedido de ir ao banheiro e que após ser medicado, foi conduzido por outra equipe ao plantão policial.

Contou que teria sido impedido de conversar reservadamente com a advogada dele, que era seguida e filmada com o celular pelo soldado que estava na abordagem.

Após concordar em tirar sangue para exame de dosagem alcoólica a vítima foi liberada, mas foi informada de que somente após cinco dias poderia retirar a carteira de habilitação, que ficaria recolhida.

Providências

A reportagem mandou e-mail para a Polícia Militar questionando sobre as medidas adotadas diante da denúncia e foi informada que um inquérito policial militar foi instaurado.

“Esclarecemos que referente ao questionamento, foi instaurado Inquérito Policial Militar de modo a apurar os fatos e subsidiar decisão superveniente quanto a conduta dos militares”, informa a nota.

A PM não informou se os dois policiais envolvidos permanecem atuando nas ruas normalmente.

Homem em situação de rua também teria sido agredido por PM

Esta é a segunda ocorrência de possível excesso por parte de policial militar durante abordagem denunciada em Araçatuba em menos de dez dias. No dia 31 de maio o Hojemais Araçatuba publicou matéria de um homem com 41 anos, que estaria em situação de rua, e que teria sofrido fraturas em costelas ao ser agredido por um policial militar.

O caso dele teria ocorrido no bairro São José e foi denunciado pelo escritório dos advogados Flávio Batistella e Daniel Madeira. A agressão teria ocorrido na tarde de 23 de maio e populares que socorreram a vítima, que recebeu alta hospitalar somente uma semana depois e passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

Investigação

Nesse caso, a Polícia Civil aguardaria a emissão dos laudos referentes ao exame de corpo de delito na vítima para instauração de inquérito, enquanto a Polícia Militar relatou que não tinha sido questionada sobre a conduta de policiais no atendimento de ocorrência e/ou atendimento 190 no dia 23 de maio.

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