Os responsáveis por uma menina de 11 anos de idade, residentes em Araçatuba (SP), ajudaram a polícia a prender um homem de 47 anos, de Penápolis, acusado de assediar sexualmente a criança, por meio de contato pela rede social Facebook.
Como a madrasta da menina monitora o que a filha faz na internet, ela se passou pela menina e com conseguiu chegar até o acusado, que foi preso na noite de domingo (5), na casa dele.
O investigado, que se passava por adolescente, informalmente chegou a admitir que teve interesse em manter relação sexual com a vítima, alegando acreditar que ela fosse maior de 18 anos.
Segundo o que foi relatado à polícia, o contato do acusado com criança foi feito na segunda-feira (30), quando ele enviou para ela, pelo Facebook, um vídeo de um pênis, com solicitação de amizade e mensagens se apresentando.
A madrasta da vítima recebeu o vídeo com as mensagens, aceitou o pedido, orientou a enteada sobre a situação e passou a trocar mensagens com o investigado, se passando pela menina.
Adolescente
O acusado se apresentou como sendo um adolescente de 17 anos, morador em Araçatuba, e pediu para que a criança não mostrasse os vídeos para a família.
No mesmo dia, ele pediu para ver a menina tomando banho e para enviar uma foto dela para ele. Em seguida, manda para ela duas fotos dela, retiradas do Facebook, e a orienta a apagar as fotos e as conversas. Também manda fotos da madrasta e do pai da menina.
Enquanto conversavam, a todo o momento o investigado pedia para a vítima ir para o quarto dela e encaminha outras duas fotos dele para ela.
Vídeo
O acusado voltou a fazer contato com a vítima no sábado (4), quando falou novamente do vídeo enviado junto com o convite para amizade e pediu à menina que enviasse um vídeo dela para ele.
Também mandou fotos de cueca e sem cueca, mostrando o órgão genital, questionando se a vítima teria coragem de colocá-lo na boca. Durante o dia, mandou mais vídeos e fotos do órgão genital e pediu para ver a criança pelada.
O acusado fez novo contato no início da tarde de domingo, pedindo para fazer chamada de vídeo, mas sem volume e com o fone, para não fazer barulho. Ele continuou enviando mensagens até por volta das 18h, quando o pai e a madrasta da menina decidiram procurá-lo.
“Próprio remédio”
A família conseguiu chegar até o investigado porque, logo após aceitar o pedido de amizade, a madrasta da criança contou o que estava acontecendo a um conhecido.
Essa pessoa fez contato com o acusado, e se passando por uma adolescente de 17 anos, passou a trocar mensagens e por meio de fotos e foi possível identificar o endereço dele.
Os responsáveis pela menina foram recebidos pelo acusado na casa dele, mostraram as conversas e as fotos para ele. Ao ser desmascarado, o homem tentou correr, mas foi detido pelo pai da criança até a chegada da Polícia Militar.
Quando os policiais chegaram ao local, o investigado resistiu à prisão e agrediu um dos policiais com um tapa no rosto, por isso teve que ser algemado.
Mais crianças
Informalmente ele negou ter aliciado a criança, mas confessou ter vários vídeos de mulheres no celular. Os policiais pegaram o aparelho, no qual havia imagens gravadas de crianças caminhando pelas ruas de Penápolis.
Em um dos vídeos, o acusado declara para outra pessoa que “as meninas eram gostosas”. Questionado, ele confirmou ter feito as imagens, mas não soube explicar o motivo.
A mãe do investigado foi informada da situação e autorizou os policiais a recolherem anotações de endereços de e-mails, de Facebook e de senhas, e também de um chip de celular, o qual será periciado, para tentar encontrar outras possíveis vítimas.
Antes de ser apresentado na delegacia, ele passou pelo pronto-socorro, pois havia se machucado momentos antes de ser preso.
Negou
Em depoimento oficial, o investigado negou os fatos, alegando que não era ele que mandava as fotos. Entretanto, as imagens foram apresentadas para a mãe dele, que confirmou tratar-se do filho dela.
Após confirmação pela mãe dele de que as imagens era realmente dele, o acusado acabou confessando, sob argumento de que achava que a vítima fosse “moça” e que tinha a intenção de ter relações sexuais com ela.
Ele negou ter enviado fotos ou vídeos de cunho sexual, mas admitiu ter conversado com a criança e com outras pessoas, sem aliciar ou pedir para mandar fotos ou fazer vídeos de cunho sexual.
Sem fiança
O delegado que registrou a ocorrência decidiu pela prisão em flagrante do acusado, sem direito à fiança. Inicialmente ele deve ser indiciado por assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso.
O crime está previsto no artigo 241-D do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), com pena de 1 a 3 anos de reclusão e multa.
Também deve responder por resistência, por ter agredido o policial durante a abordagem. Nesse caso, a pena é de até 2 anos de detenção.
Após o registro do boletim de ocorrência, o acusado ficou à disposição da Justiça.
