Polícia

Investigação feita em Araçatuba identificou contratos milionários de grupo investigado no Pará

Com contratos de R$ 200 milhões por ano, o projeto foi considerado por Cleudson como "o negócio da vida"

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
04/10/20 às 18h21
Policiais Federais cumpriram mandados na sede do governo paraense (Foto: Divulgação/Polícia Federal do Pará)

A operação que foi deflagrada pela Polícia Federal no Estado do Pará na última terça-feira (29) também é resultado da investigação que teve início em Araçatuba (SP). Ela aconteceu no mesmo dia em que foi deflagrada pela Polícia Civil paulista, a Operação Raio X para cumprir 64 mandados de prisão temporária decretadas pelas Justiças de Birigui e Penápolis.

Nota divulgada pela PF informou que a investigação que resultou nas prisões do Pará é referente ao período de agosto de 2019 a maio de 2020. Elas são relativas a 12 contratos investigados entre o governo daquele Estado e OSSs (Organizações Sociais de Saúde) ligadas ao grupo investigado, que seria liderado pelo médico de Birigui, Cleudson Garcia Montali.

Esses contratos totalizam R$ 1,2 bilhão e renderiam R$ 200 milhões por ano ao grupo investigado. Tanto que, segundo o que foi apurado pela reportagem, o projeto foi tido por Cleudson, como "o negócio da vida".

 

Influência

O médico investigado foi diretor regional de Saúde de Araçatuba e em setembro deste ano foi condenado pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) por improbidade administrativa por fraudes na administração do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Araçatuba.

A denúncia foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público em 2013 e tornou-se ação civil contra 29 pessoas físicas. Na ocasião, Cleudson foi contratado pela OSS Santa Casa de Araçatuba após a entidade assinar contrato para gerir o ambulatório. Quando ele foi indicado para assumir o Departamento Regional de Saúde, colocou um cunhado para assumir a vaga dele no AME.

O TJ-SP considerou haver provas de que Cleudson e outros três réus violaram os princípios do Direito, utilizando da influência dos cargos que exerciam para favorecer parentes e grupos de empresas para obter indevida vantagem econômica em detrimento do erário.

Continuou

Essa também é uma das acusações que pesam contra ele na investigação que é liderada pela Polícia Civil de Araçatuba, em parceria com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público.

A reportagem apurou que ele é apontado como o idealizador e organizador do esquema montado para desviar recursos públicos em contratos de gestão firmados pelas OSSs Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Irmandade Santa Casa de Pacaembu com o poder público.

Sigilo

Ainda de acordo com o que foi apurado pelo Hojemais Araçatuba , uma das orientações do médico para os demais investigados era de se evitar tratar de assuntos relacionados aos negócios por ligações telefônicas.

Esses assuntos deveriam ser tratados pelo aplicativo WhatsApp, que dificulta o rastreamento. Apesar disso, a investigação teria encontrado provas de que ele seria o líder do suposto grupo criminoso.

As fraudes seriam concretizadas por meio de contratos supervalorizados ou simulados e o dinheiro obtido de forma criminosa retornaria para os integrantes do grupo.

Núcleos

Para obter êxito nas ações, Cleudson teria distribuído as tarefas e contava com apoio de um grande número de pessoas, organizadas em vários núcleos: político, empresarial, jurídico, de chefia, administrativo; e de lavagem de dinheiro.

Com o material que foi obtido pela polícia em cumprimentos de mandados anteriores desde o ano passado, inclusive na Câmara de Birigui, a polícia obteve material suficiente para representar pelas prisões e mandados de busca e abastecer a Polícia Federal do Pará com informações para que fizesse o mesmo naquele Estado.

Entre os investigados que foram presos, há integrantes de todos esses núcleos, inclusive do político, que teria como integrante o vereador José Roberto Merino Garcia, o Paquinha, de Birigui.

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Pará

Há comentários de que Cleudson teria estendido sua atuação para o Estado do Pará justamente pelo risco de ser condenado pela Justiça de São Paulo e ser proibido de contratar com o poder público, como aconteceu.

No Pará foram expedidos 12 mandados de prisão temporária referentes à essa investigação. Entre os presos estão o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Parsifal de Jesus Pontes; o secretário de Transportes, Antônio de Pádua de Deus Andrade; o ex-secretário de Gestão Administrativa da Secretaria de Saúde do Pará; Peter Cassol de Oliveira; e o assessor de gabinete do governador Helder Barbalho, Leonardo Maia Nascimento.

Facilitador

Entretanto, segundo o que apurado pelo Hojemais Araçatuba , o responsável por viabilizar a parceria do grupo investigado com a Saúde daquele Estado foi Nicolas André Tsontakis Morais, que também usaria o nome falso de Nícholas André Silva Freire. Ele também foi preso.

Os dois que teriam viabilizado a qualificação da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Birigui e da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu para firmar contratos de parceria com o poder público paraense.

Quando surgiram os editais de seleção de organizações sociais para gerir o Hospital Público Regional do Caetés e Hospital Público Regional Dr. Abelardo Santos, as OSSs investigadas tinham informações privilegiadas, foram qualificadas e venceram os dois certames.

Dinheiro e materiais foram apreendidos em dos endereços alvos da operação no Pará (Foto: Divulgação/Polícia Federal do Pará)

Pagamento

Pelo trabalho feito, Cleudson teria presenteado Nícholas com um Land Rover avaliado em mais de R$ 400 mil. O carro teria sido adquirido em nome de uma empresa de segurança pertencente a um empresário que foi preso em Agudos.

Na última sexta-feira a polícia esteve em um endereço relacionado a ele em Birigui e apreendeu outros três veículos. Posteriormente Nícholas teria recebido outros repasses financeiros, que podem ter somado mais de R$ 1,5 milhão.

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