A Justiça de Aracaju (SE) decretou a prisão preventiva do casal de pastores Reginaldo Ferreira da Silva, 45 anos, e Leonice Ferreira Martins, 43, e do filho deles, Paulo Henrique Ferreira da Silva, 25, moradores em Birigui (SP), mas que foram presos em Araçatuba em fevereiro.
Eles são acusados de participação na morte e ocultação do cadáver de Edjane de Jesus Silva, 35, crimes ocorridos em 3 de junho de 2020, na residência dos pastores, no bairro Santa Maria, em Aracaju. O inquérito foi concluído e relatado à Justiça pelo delegado da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Aracaju, Mario de Carvalho Leony.
Os três foram denunciados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e redução à condição análoga à de escravo. Como a denúncia foi aceita, agora eles passam a responder processo pelos crimes.
A Polícia Civil também indiciou uma irmã da vítima pela participação na ocultação do cadáver. Porém, no caso dela não foi pedida a prisão e ela responderá em liberdade.
Corpo
Apesar das buscas, a polícia não conseguiu localizar os restos mortais da vítima. Foram realizadas escavações em uma área de canavial indicada por Reginaldo e também em uma residência que teria sido alugada pelo casal.
A casa no bairro Santa Maria teria sido alugado em 2019 e desocupada às pressas em 2021, segundo o que foi informado pela imprensa local. Os trabalhos foram realizados equipes do Corpo de Bombeiros, com auxílio de um cão farejador, e acompanhados por membros do Instituto de Criminalística.
“Surgiram denúncias anônimas nesse sentido. Apesar de contrariar tudo que havia sido investigado até então, realizamos as buscas apenas para dissipar qualquer dúvida”,
conta o delegado, ao informar que nada foi encontrado.
Caso
De acordo com a investigação, o casal comandaria a igreja chamada Templo do Arrebatamento Divino, em Aracaju, e a vítima teria passado a frequentar o local, influenciada por uma irmã dela.
Edjane teria se apaixonado pelo filho do casal e, apesar de o relacionamento amoroso não ser correspondido pelo investigado, ela teria sido acolhida pela família. Com o tempo a vítima passou a ser explorada, vivendo em condição análoga à de escrava, fazendo serviços para os pastores.
Desaparecimento
O caso passou a ser investigado após a família registrar o boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento de Edjane. A denúncia foi feita na delegacia do bairro, em junho de 2020, e o inquérito na DHPP foi instaurado somente em novembro do ano passado.
Ao ser ouvida por Leony, a irmã da vítima contou que foi chamada pelos pastores no dia em que a irmã dela morreu. Disse ainda que a teria visto agonizando no chão da residência, mas não denunciou o casal e nem chamou por socorro.
Outras testemunhas ouvidas no inquérito relataram que a vítima apresentava hematomas no corpo e teria tido o órgão genital queimado.
Testemunha
No dia seguinte à prisão do casal, equipe do GOE/Deic (Grupo de Operações Especiais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba esteve na casa deles, em Birigui.
No imóvel os investigadores encontraram outro jovem que teria vindo de Sergipe com os pastores, que também revelou ter presenciado a morte de Edjane. Ele foi interrogado pelo delegado da DHPP de Aracaju por videoconferência, confirmou as informações, porém não admitiu que houve espancamento.
O rapaz alegou ainda que não acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ao ver a vítima morrendo por ter sido alertado pelos pastores que ela apresentava hematomas pelo corpo de agressões anteriores.
Leony revelou na ocasião ao
Hojemais Araçatuba
que essa testemunha disse que em Birigui continuava atuando como em Aracaju, vendendo objetos na rua para arrecadar dinheiro para os pastores investigados.
Pastores moravam foram presos em abordagem na rodovia Marechal Rondon
Os pastores Reginaldo Ferreira da Silva, 45 anos, e Leonice Ferreira Martins, 43, moravam no bairro Alto, em Birigui, e foram presos na madrugada de 24 de fevereiro, durante abordagem na rodovia Marechal Rondon (SP-300).
Eles estavam em um carro abordado por ter placas de Aracaju e estar trafegando por volta das 3h. Ao consultar o emplacamento do veículo os policiais militares rodoviários descobriram que havia um mandado de prisão contra o proprietário do veículo, que era o pastor.
Em consulta ao site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foi constatado que Leonice também tinha contra ela um mandado de prisão temporária por 30 dias em aberto. As ordens de prisão haviam sido expedidas no dia 3 daquele mês pelo TJ-SE (Tribunal de Justiça de Sergipe), em processo por homicídio praticado em Aracaju.
O casal foi conduzido ao plantão policial, o pastor da igreja que eles frequentavam em Birigui foi comunicado das prisões e esteve na delegacia, onde também esteve um advogado.
Filho
As prisões foram comunicadas pela Deic (Divisão Especializada em Investigações Criminais) de Araçatuba à Polícia Civil de Sergipe, que informou que também havia um mandado de prisão contra o filho do casal.
Equipe do GOE (Grupo de Operações Especiais) esteve na residência do casal em Birigui, na manhã seguinte, mas ele não foi encontrado. Os investigadores apuraram que ele havia ido para a casa de outro pastor, em Araçatuba, e a prisão foi feita na casa do religioso, no bairro Casa Nova.
Confessaram
Os três réus foram encaminhados para Aracaju no final de março e, de acordo com o delegado responsável pelo inquérito, informalmente eles confessaram a ocultação do cadáver.
Reginaldo indicou a área de um canavial no município de Teotônio Vilela, em Alagoas, onde foram feitas escavações, com a utilização de uma retroescavadeira, mas os restos mortais da vítima não foram encontrados.