Polícia

Locadora de veículos seria usada por grupo investigado para lavagem de dinheiro

Valor do aluguel pago por OSS daria para comprar um veículo em um ano; carros seriam usados para fins particulares

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/10/20 às 15h36
Gol que era alugado pela Santa Casa de Birigui foi apreendido com funcionária da Prefeitura no final do ano passado (Foto: Hojemais Araçatuba)

O grupo investigado pela Polícia Civil e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público por suposto desvio de dinheiro público da área da Saúde é suspeito de usar locadora de veículos para lavagem de dinheiro.

O proprietário dessa locadora também está entre os presos na operação Raio X, deflagrada na terça-feira (29).

Ele foi detido por policiais civis de Três Lagoas (MS), em apoio à Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba (SP) em um condomínio residencial desta cidade, em cumprimento a mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Penápolis (SP). Na ocasião foram apreendidos documentos, celulares, computadores e um veículo.

A reportagem apurou que há indícios de que o empresário cobrava valores mais altos pelo aluguel dos veículos para as OSSs investigadas e repassava parte do dinheiro recebido indevidamente ao grupo investigado. Além disso, a locadora emprestava e até dava veículos de luxo para uso dos supostos líderes da organização investigada.

O Hojemais Araçatuba já publicou matérias a respeito dessa empresa, com sede em Araçatuba e que foi alvo de outros cumprimentos de mandados de busca durante a investigação.

Em dezembro do ano passado, a polícia apreendeu um VW Gol que estava com uma funcionária da Prefeitura de Birigui, que na ocasião estava afastada do trabalho. Apesar de ela não ter nenhum vínculo com a OSS, o veículo era alugado pela OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui.

Porém, a investigada é esposa do segurança Márcio Takashi Alexandre, 38 anos, que foi preso em setembro do ano passado, condenado a 2 anos de prisão por disparo de arma de fogo, crime cometido em 2013.

Foi a partir da prisão dele que teve início a investigação que resultou na operação de terça-feira, já que ele tinha em casa R$ 179 mil em dinheiro e três carros, um deles blindado.

Advogado

Em outra operação realizada em janeiro deste ano, a polícia apreendeu um Toyota Corolla 2019 com um advogado de 35 anos, morador no bairro Nova Iorque, em Araçatuba, que também tinha em casa uma pistola calibre 380 e munições.

Na ocasião a polícia constatou que o veículo com placas de Três Lagoas (MS) era da mesma locadora proprietária do Gol encontrado com a funcionária da Prefeitura de Birigui.

O advogado, que teve a prisão temporária decretada para ser cumprida durante a operação, alegou que estava com o carro havia cinco meses e pagaria R$ 3,5 mil mensais de aluguel por ele.

Corolla alugado pela OSS Irmandade da Santa Casa de Birigui foi apreendido com avogado (Foto: Reprodução de vídeo/TV Tem/Arquivo)
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Superfaturamento

O Hojemais Araçatuba apurou que a comissão responsável por fiscalizar o contrato de gestão da OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Birigui com a Prefeitura de Penápolis, que vigorou entre janeiro de 2018 e o final de 2019, questionou o valor pago pelo aluguel de veículos.

Por um ano de locação de um carro, a OSS teria pago R$ 26.400,00, dinheiro que daria para adquirir um automóvel popular. À polícia, uma testemunha teria confirmado que os valores cobrados da OSS Irmandade da Santa Casa de Birigui eram superiores à locação para particulares.

Enquanto clientes particulares normalmente pagavam entre R$ 1.500,00 e R$ 1.600,00 pelo aluguel mensal, a entidade investigada pagava R$ 2.200,00. Além disso, se o contrato for por longo período, como ocorre com a OSS, o valor para particulares ficaria abaixo de R$ 1.500,00, devido ao desconto oferecido.

Vários

Quando o Gol foi apreendido com a funcionária da Prefeitura, a locadora tinha dez carros alugados para a OSS de Birigui, mas esse número já havia sido maior para atender a entidade em seus diversos contratos.

Foram apreendidos relatórios do TCE (Tribunal de Contas do Estado), apontando superfaturamento nas locações realizadas pela irmandade.

Desvio de finalidade

Outra irregularidade investigada, segundo apurado pela reportagem, era que alguns veículos, apesar de locados pela OSS, eram utilizados para fins particulares de integrantes do grupo.

Além disso, o abastecimento desses veículos e até o pagamento de multas de trânsito por infrações cometidas pelos condutores durante o uso para fins particulares seria feito com dinheiro público.

Como os carros estão registrados em nome da locadora e não era indicado o nome do condutor infrator, os valores das multas eram pagos em dobro pela Irmandade da Santa Casa de Birigui.

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