Polícia

Polícia Civil de Brejo Alegre identifica suspeito de ter matado funcionário da Prefeitura de Araçatuba

Skatista que havia se encontrado com a vítima na noite anterior confessou ter ido ao seringal onde foi encontrado, mas alega não se lembrar do que aconteceu

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
12/11/21 às 13h45
Investigado admitiu ter estado com a vítima no seringal onde o corpo foi encontrado (Foto: Hojemais Araçatuba)

A Polícia Civil de Brejo Alegre (SP) ouviu nesta sexta-feira (12), um jovem de 23 anos, identificado como sendo o responsável pela morte do servidor público municipal Wagner Herrera, 51 anos, cujo corpo foi encontrado no final da tarde de ontem em uma plantação de seringueiras entre Brejo Alegre e Birigui.

O investigado confessou ter se encontrado com a vítima no domingo e ido com ela até o seringal, onde já havia trabalhado, porém, alega não se recordar do que aconteceu. Disse ainda que não sabe dirigir e nem como o carro de Herrera foi parar em Birigui.

Segundo o que foi apurado pela reportagem, assim que o boletim de ocorrência do desaparecimento foi registrado por um amigo da vítima na terça-feira, tiveram início as investigações, chefiadas pelo delegado Eduardo Lima de Paula.

Como o amigo da vítima relatou que Herrera contou que se encontraria com um “skatista” que havia conhecido em Brejo Alegre, ainda na terça-feira o investigado foi encontrado, levado para a delegacia, mas negou qualquer envolvimento com o caso, apesar de apresentar nervosismo.

Mandado de busca

Apesar da negativa, a Polícia Civil representou pelo mandado de busca e apreensão para o endereço do investigado, o qual foi concedido pela Justiça e cumprido na manhã desta sexta-feira, por policiais de Brejo Alegre, com apoio de investigadores de Birigui e do delegado Nilton Aparecido Marinho.

O jovem estava acompanhado da mãe dele e, durante as buscas, foram apreendidas duas facas, uma porção de maconha, dois cartões bancários em nome do investigado, um celular e um chip da operadora Vivo.

Como havia ordem judicial para análise dos aparelhos eletrônicos, o investigado forneceu a senha do celular, mas foi constatado que o aparelho havia sido “resetado” e estava com as configurações originais de fábrica.

Confessou

O investigado foi levado para a delegacia de Brejo Alegre junto com os materiais apreendidos e no primeiro momento negou conhecer a vítima, mas admitiu ter trabalhado neste ano no campo de seringueiras onde o corpo fora encontrado.

Disse ser usuário de maconha e que costuma andar pela cidade com skate e fones de ouvido. Porém, alertado sobre a possibilidade de benefícios caso colaborasse com as investigações, inclusive de responder em liberdade, caso continuasse colaborando, o jovem decidiu se abrir e relatou o que teria acontecido.

Programa sexual

Segundo o investigado, no sábado ele teria conversado com Herrera, que teria lhe oferecido dinheiro para a realização de um programa sexual, mas ele teria recusado. No domingo ele teria recebido novas mensagens do celular da vítima, querendo marcar um encontro. Ele alegou à polícia que apagou tais mensagens e não as respondeu.

Porém, ao final da tarde, quando estava em um local onde há barras fixas para treinar, ele teria sido abordado por Herrera, que o convidou para ir ao carro dele, onde lhe ofereceu uma bebida alcoólica forte, que identificou como vodca ou cachaça.

Após ingerir a bebida os dois teriam seguido com o carro até o seringal, mas ele alega não se recordar exatamente do que ocorreu, sob argumento de que tem apenas alguns “flashs” na mente dele.

O jovem argumentou ainda que se fez algo contra a vítima foi para se defender, negou ter usado faca, arma ou qualquer ferramenta para ferir a vítima, mas admitiu ter aplicado nela um golpe do tipo “mata-leão”, que é aperta o pescoço com o braço.

Perdeu os sentidos

Ainda segundo o investigado, ele perdeu a consciência e só a retomou quando já estava próximo de escurecer. Na ocasião ele já estaria em um matagal, todo sujo e teria voltado a pé para casa, sem saber o que aconteceu com o carro da vítima.

Por fim, alegou que apagou todos os arquivos do celular sozinho na terça-feira à noite, quando estava em um rancho, devido ao aparelho estar “apresentando defeitos”.

Como não houve flagrante, o delegado que presidiu a oitiva determinou o registro do boletim de ocorrência e o investigado foi liberado em seguida. Porém, ele deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado pelo motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Morte

Até o início da tarde desta sexta-feira a polícia ainda não tinha informações sobre o resultado do exame necroscópico feito no corpo de Herrera, o qual poderá apontar a causa da morte.

Como ele foi encontrado já em estado de decomposição, não foi possível na primeira análise apontar sinais de violência. Porém, as duas facas encontradas na casa do jovem foram apreendidas para perícia.

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