O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quarta-feira (10) para o julgamento de quatro réus denunciados por quatro tentativas de homicídio qualificadas, tendo duas mulheres, uma criança e um adolescente como vítimas, e uma tentativa de homicídio simples, crimes ocorridos em uma tentativa de chacina em agosto de 2018 no residencial Atlântico.
O julgamento está previsto para começar às 9h e será de forma presencial, no Fórum de Araçatuba. Estarão presentes os réus Igor Kaique Dibes Alexandrino, David Arisson Rodrigues Pedão e Lucas dos Santos Dias, que aguardam julgamento presos. Denilson Aparecido Zatin Miranda é considerado foragido da Justiça.
O crime em julgamento nesta quarta-feira aconteceu na noite de 12 de agosto de 2018, na rua Carlos Loureiro Corretor, no residencial Atlântico 2. O alvo seria o morador na residência, um jovem com 23 anos na época, que segundo a denúncia, vinha sendo cobrado por Igor, mas não há detalhes dessa pendência.
Consta na denúncia que na manhã daquele domingo o jovem assistia a uma partida de futebol no campo do bairro Vila Alba e viu Denilson, Igor e David em um veículo GM Astra conduzido por Denilson. O carro teria passado pelo local em baixa velocidade e o condutor teria encarado a vítima, que telefonou para a esposa e pediu para buscá-la.
Tiros
Já no período da noite, os três réus foram à casa do jovem, desta vez em um VW Gol preto conduzido por Lucas, que permaneceu no interior do carro, enquanto os outros três desceram armados.
Segundo a denúncia, o imóvel estava com o portão basculante aberto, sendo que as duas mulheres, a criança e o adolescente estavam na garagem. Os denunciados teriam entrado no imóvel e disparado pelo menos 15 tiros em direção a eles.
O alvo dos réus estava dentro da casa e ao ouvir disparos, fechou uma porta de ferro que dá acesso ao interior da residência, mas foi perseguido pelos três, que arrombaram essa porta e passaram a atirar.
Ele conseguiu entrar no quarto e trancar a porta com chave, mas essa porta foi alvejada por 16 disparos e um dos projéteis feriu o jovem no braço, próximo à axila direita. Após os disparos os três saíram correndo e entraram no carro conduzido por Lucas, que permaneceu o tempo todos os aguardando, e em seguida fugiram.
Ferimentos
Ainda de acordo com a denúncia, o adolescente então com 13 anos foi atingido por um tiro pé direito; o menino com 5 anos foi atingido na região da cintura; uma das mulheres foi baleada no ombro esquerdo; e a outra na região abdominal.
Na manhã seguinte ao crime a assessoria de imprensa da Santa Casa informou que todos os cinco pacientes permaneciam em atendimento. Uma das mulheres havia passdo por cirurgia e o estado de saúde dela é considerado grave, mas estável.
O menino de 5 anos também passava por cirurgia naquela manhã e o adolescente de 13 anos, ferido em um dos pés, e uma mulher de 52 anos, atingida no ombro, também aguardavam por cirurgia. Já o rapaz de 23 anos permanecia em observação.
Identificados
Durante as investigações a polícia conseguiu identificar os autores da tentativa de chacina e apreendeu duas pistolas calibre 9 milímetros, uma delas encontrada com Lucas e a outra, que estava com a numeração raspada, que estava com David.
Ainda segundo o que foi informado, exame de confronto balístico apontou que a maioria dos projéteis e todos os estojos apreendidos no local dos crimes foram disparados pelas armas apreendidas.
Além disso, apesar de estarem encapuzados na ocasião, os três réus que invadiram a residência atirando foram reconhecidos pelas vítimas, que alegaram que os capuzes estavam bem abertos nas regiões dos olhos e boca e todos já se conheciam de longa data.
Condenação
O Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho, denunciou os quatro por quatro tentativas de homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa das vítimas. Há ainda o agravante de uma das vítimas ser uma criança na época dos fatos.
No caso do jovem, o promotor denunciou os réus por tentativa de homicídio simples, tendo em vista que ele conseguiu se proteger ao perceber a presença dos atiradores e se esconder no quarto.
Apesar de não ter atirado, a Promotoria de Justiça entende que Lucas concorreu diretamente com os demais réus por ter sido o responsável por levá-los ao local dos crimes e depois dar fuga a eles.
A previsão é de que o julgamento seja concluído apenas no período da noite. O acesso ao Fórum é permitido apenas a pessoas totalmente imunizadas contra o coronavírus e com uso de máscara.
