Polícia

Suposta ‘mesada’ de R$ 5 mil e proximidade com 'chefia' de organização levou vereador de Birigui para a prisão

Pagamento seria para que Paquinha atuasse para aprovar projetos de interesse do grupo investigado e defendê-lo na Câmara de eventuais críticas

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
05/10/20 às 16h14
Vereador Paquinha está preso desde a última terça-feira (29) (Foto: Divulgação)

Entre os motivos que levaram à Justiça decretar a prisão temporária do vereador de Birigui (SP) José Roberto Merino Garcia, o Paquinha (Avante), estão indícios de que ele recebia um valor mensal fixo do grupo investigado por suposta fraude para desvio de dinheiro público na área da Saúde.

A reportagem apurou que o parlamentar receberia R$ 5 mil fixo por mês para atuar em favor da organização supostamente chefiada pelo médico Cleudson Garcia Montali, de Birigui.

Esse valor é pouco menos do que valor que é pago pela Câmara de Birigui como subsídio mensal aos parlamentares, que é de aproximadamente R$ 5,6 mil.

Com relação à suposta "mesada" , ela seria paga para que Paquinha atuasse na aprovação de projetos de interesse do grupo investigado e defendê-lo na Câmara de eventuais críticas.

Proximidade

Outro dado apurado pelo Hojemais Araçatuba é de que ele teria relação muito próxima com a “chefia” da organização. Ele inclusive indicaria pessoas para serem contratadas pela OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui para atuar no pronto-socorro da cidade.

Entre os indicados para cargos estariam familiares e amigos do parlamentar, de acordo com o que foi apurado.

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Ressonância

Outro indício da proximidade do parlamentar de Birigui com a “liderança” do grupo investigado foi um pedido feito por ele para ser submetido a uma ressonância magnética na coluna cervical pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo apurado pela reportagem, a solicitação foi feita pelo vereador ao então secretário municipal de Saúde, Wilson Carlos Braz, que também é investigado e teve a prisão temporária decretada.

Ao procurar o secretário, ele teria comentado que havia falado a respeito do exame com Cleudson e que tinha em mãos o pedido da ressonância.

Ainda de acordo com o que foi apurado, Paquinha foi orientado a mandar uma foto para providenciar o agendamento do procedimento. Essa ressonância teria sido feita no pronto-socorro de Penápolis, que na época era administrado pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui.

Defesa

O vereador está preso temporariamente na cadeia de Pereira Barreto. A prisão inicialmente era de cinco dias, mas na sexta-feira foi prorrogada por mais cinco dias.

Segundo o advogado Alessandro de Oliveira Polizel, responsável pela defesa do parlamentar, as denúncias contra o cliente dele não procedem e não existe prova alguma de que ele tenha recebido algum repasse ou vantagem do susposto grupo investigado.

"Ele nunca recebeu qualquer quantia ou vantagem do suposto grupo e é o maior interessado em esclarecer tudo isso" , afirmou o advogado.

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