Os R$ 2,8 milhões que teriam sido repassados pelo Estaleiro Rio Tietê, em Araçatuba (SP), ao escritório de advocacia Mauro de Morais Sociedade de Advogados, investigado na 59ª fase da Operação Lava Jato, representa 1,5% do valor do contrato da empresa com a Transpreto.
Matéria publicada em 14 de setembro de 2010 pela estatal, cita que o Estaleiro Rio Tietê, projeto do consórcio formado pelas empresas Rio Maguari S.A. / SS Administração e Estre Petróleo, venceu a licitação no valor de US$ 239,1 milhões (R$ 432,3 milhões) para construir 20 comboios de empurradores e barcaças.
Na época, foi informado que as obras do estaleiro começariam no início de 2011 para atender o projeto da hidrovia Tietê-Paraná, integrante do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que previa o transporte fluvial de etanol.
Em dezembro de 2015, policiais federais estiveram no estaleiro de Araçatuba e apreenderam documentos e computadores, a pedido da Polícia Federal em Curitiba. Um processo tramita na Justiça Federal, com base em denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal).
Dois meses depois, a Transpetro bloqueou o pagamento de mais de R$ 30 milhões do contrato firmado com o Estaleiro Rio Tietê, devido às investigações do STF (Supremo Tribunal Federal). Na ocasião, a Lava Jato já apurava a existência de desvios no projeto da estatal e com indícios de que parte do dinheiro extraviado teria sido direcionada a políticos.
Aterro
O Grupo Estre também pretendia atuar em Araçatuba operando um Centro de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, no bairro rural da Prata, projeto que gerou grande polêmica e foi chamado de lixão. O grupo chegou a adquirir uma área de mais de 70 hectares para o empreendimento, que foi embargado.
Hoje, o grupo atua na cidade por meio da Monte Azul Ambiental, que é responsável pela limpeza urbana e operação do aterro sanitário municipal. A empresa foi comprada pelo grupo em abril do ano passado.
Durante coletiva na manhã desta quinta-feira (31), na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), um dos responsáveis pela investigação da Lava Jato declarou que "atuando com lixo, o Grupo Estre se envolveu com a sujeira da corrupção."