Polícia

Quatro são presos em Araçatuba acusados de integrar grupo que adulterava maquininhas de cartão

Dois eram funcionários da franquia de uma grande empresa de máquinas de cartão e estariam desviando os equipamentos; quase 20 máquinas adulteradas foram apreendidas com investigados

Agência Trio Notícias
23/06/26 às 18h20
Entre os presos está uma mulher que estaria auxiliando o grupo (Foto: Reprodução)

Quatro pessoas de Araçatuba (SP) foram presas pela Polícia Civil durante a “Operação Famulus” , termo em latim que significa "escravo doméstico", "servo" ou "criado", deflagrada na manhã desta terça-feira (23) contra grupo investigado por furto e fraude em máquinas de cartão de crédito.

Dois dos presos hoje são funcionários da empresa que é franquia de uma grande marca de máquinas de cartões portáteis de crédito. A função deles na empresa era ativar e entregar as máquinas às empresas clientes.

Entretanto, a investigação apontou que os acusados realizavam pedidos dos equipamentos de forma fraudulenta, utilizando o nome de empresas legalmente constituídas em Araçatuba e região. Ao receber essas máquinas, eles davam baixa no sistema, como se elas estivessem sido entregues.

Outro núcleo

Segundo o delegado Igor Alberto Figueiredo, que participou da operação, a investigação iniciada em fevereiro pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) apontou e existência de um segundo núcleo da suposta organização criminosa em Araçatuba.

Esse seria o núcleo tecnológico, que receberia as máquinas furtadas e as adulterava, apagando o sistema operacional original, que era substituído, por outro, para impossibilitar o rastreamento das máquinas.

Feito isso, os equipamentos eram encaminhadas para o homem apontado como sendo suposto líder do grupo, que também teve a prisão temporária decretada e foi capturado por equipes da Deic de Araçatuba em São Paulo, onde residia.

Segundo a investigação, o terceiro preso em Araçatuba era o responsável por receber as máquinas furtadas pelos funcionários e encaminhá-las para o núcleo tecnológico. Após a adulteração, ele as encaminharia ao núcleo de São Paulo, com apoio da mãe dele, que também foi presa acusada de participação no esquema.

Prejuízo

Ainda de acordo com o delegado, somente com o furto de máquinas de cartão mediante fraude, os funcionários teriam causado um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão à empresa para a qual trabalhavam.

De São Paulo, o suposto líder do grupo reencaminhava as máquinas adulteradas para outras cidades e esses equipamentos seriam utilizados para recebimento de pagamentos de valores referentes ao jogo do bicho, bets ilegais e outros tipos de crime de estelionato.

Como o sistema operacional das máquinas foi adulterado, até então, a polícia não tinha conhecimento dos valores movimentados de forma ilegal pelo grupo investigado, mas estima que seja milhões.

Quase 50 máquinas adulteradas foram apreendidas em Araçatuba (Foto: Divulgação)

Investigação

Com as apreensões feitas durante o cumprimento dos mandados de busca nesta terça-feira, a polícia tentará levantar esses possíveis valores e também outros prováveis integrantes do grupo.

Somente em Araçatuba foram apreendidas quase 50 máquinas de cartão de crédito adulteradas. Porém, no geral, foram apreendidas mais de 100 máquinas portáteis de cartão e 1.370 chips de telefonia celular. Além disso, foram apreendidos R$ 14 mil em dinheiro, mais de 30 celulares, mais de dez computadores, um carro e uma moto.

Os mandados foram cumpridos em Araçatuba (7), São Paulo (4), Cotia, Diadema e Peruíbe, no Estado de São Paulo, e um no Rio de Janeiro. As sete prisões temporárias decretadas são válidas por cinco dias, mas podem ser prorrogadas pelo mesmo período.

Com base no que for apurado, posteriormente a polícia poderá representar pela decretação das prisões preventivas dos investigados, que devem responder criminalmente por furto mediante fraude e com abuso de confiança, associação criminosa e lavagem de dinheiro. 

Para a operação foram utilizadas 70 policiais civis em 18 viaturas. A ação contou com apoio da 4ª DISCCPAT do Deic e Delegacia do Rio de Janeiro. 

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