Quatro pessoas de Araçatuba (SP) foram presas pela Polícia Civil durante a “Operação Famulus” , termo em latim que significa "escravo doméstico", "servo" ou "criado", deflagrada na manhã desta terça-feira (23) contra grupo investigado por furto e fraude em máquinas de cartão de crédito.
Dois dos presos hoje são funcionários da empresa que é franquia de uma grande marca de máquinas de cartões portáteis de crédito. A função deles na empresa era ativar e entregar as máquinas às empresas clientes.
Entretanto, a investigação apontou que os acusados realizavam pedidos dos equipamentos de forma fraudulenta, utilizando o nome de empresas legalmente constituídas em Araçatuba e região. Ao receber essas máquinas, eles davam baixa no sistema, como se elas estivessem sido entregues.
Outro núcleo
Segundo o delegado Igor Alberto Figueiredo, que participou da operação, a investigação iniciada em fevereiro pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) apontou e existência de um segundo núcleo da suposta organização criminosa em Araçatuba.
Esse seria o núcleo tecnológico, que receberia as máquinas furtadas e as adulterava, apagando o sistema operacional original, que era substituído, por outro, para impossibilitar o rastreamento das máquinas.
Feito isso, os equipamentos eram encaminhadas para o homem apontado como sendo suposto líder do grupo, que também teve a prisão temporária decretada e foi capturado por equipes da Deic de Araçatuba em São Paulo, onde residia.
Segundo a investigação, o terceiro preso em Araçatuba era o responsável por receber as máquinas furtadas pelos funcionários e encaminhá-las para o núcleo tecnológico. Após a adulteração, ele as encaminharia ao núcleo de São Paulo, com apoio da mãe dele, que também foi presa acusada de participação no esquema.
Prejuízo
Ainda de acordo com o delegado, somente com o furto de máquinas de cartão mediante fraude, os funcionários teriam causado um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão à empresa para a qual trabalhavam.
De São Paulo, o suposto líder do grupo reencaminhava as máquinas adulteradas para outras cidades e esses equipamentos seriam utilizados para recebimento de pagamentos de valores referentes ao jogo do bicho, bets ilegais e outros tipos de crime de estelionato.
Como o sistema operacional das máquinas foi adulterado, até então, a polícia não tinha conhecimento dos valores movimentados de forma ilegal pelo grupo investigado, mas estima que seja milhões.
