Política

Após leitura de apontamentos do TCE, Câmara aprova contas da Prefeitura de 2019

Projeto, que era item único da Ordem do Dia, recebeu 12 votos favoráveis e 3 contrários, dos vereadores Arlindo Araújo, Lucas Zanatta e Luís Boatto

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
04/04/22 às 22h51
Arlindo Araújo disse que fez questão de participar de forma presencial da sessão dada a importância do projeto (Foto: Angelo Cardoso/Câmara de Araçatuba)

Após leitura de extenso parecer do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), a Câmara de Araçatuba (SP) aprovou, na sessão desta segunda-feira (4), as contas da Prefeitura relativas ao ano de 2019.

O projeto de decreto legislativo, de autoria da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, era pela aprovação, seguindo o parecer do TCE-SP. A comissão é formada pelos vereadores Maurício Rufino Barbosa, o Maurício Bem Estar (PP) – presidente; Luís Boatto (MDB) – vice-presidente; e o vereador Lucas Zanatta (PL) – membro. 

Após a leitura do texto do projeto, o vereador Arlindo Araújo (MDB) solicitou que antes da votação fosse lidos os pareceres emitidos pelo órgão fiscalizador citado. Embora o resultado seja pela aprovação, os documentos elencam uma série de ocorrências apontadas em relatórios de controle interno do órgão e determinam providências cabíveis.

Entre os apontamentos estão esforços para reverter a situação de déficits orçamentário e financeiro, produzindo liquidez para cobertura da dívida de curto prazo; o cumprimento da legislação na elaboração do projeto de lei orçamentária uma vez que a limitação da autorização para abertura de créditos adicionais é medida de prudência fiscal que evita que oorçamento se torne peça de ficção, além de contribuir para o equilívrio das contas; e a observação das normas legais para a revisão geral anual.

Pede ainda o cumprimento rigoroso das normas dos procedimentos licitatórios; providências para que seja suprida a ausência de AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) nas unidades de ensino/creches e saúde, bem como a insuficiência de vagas nas creches da rede municipal; o cumprimento das exigências de Lei de Acesso à Informação e a Lei de Transparência Fiscal, entre outros itens.

Fiscalizadores

Segundo Arlindo, a obrigação de fiscalizar o Executivo é da Câmara, que tem o poder de  rejeitar um parecer favorável do TCE-SP, já que são os vereadores, os representantes do povo, quem sabem se o dinheiro está sendo aplicado corretamente no município, de maneira a atender as necessidades da população.

O vereador fez críticas aos pareceres do órgão, citando que os documentos apontam uma série de irregularidades e no final começam a atenuar, de forma branda e vaga, fazendo apenas algumas recomendações ao Executivo.

Citou que o prefeito Dilador Borges (PSDB) endividou a cidade em 42% no referido ano e deu aumento diferenciado aos "amigos do rei", junto com a  Câmara.

O parlamentar apontou ainda outros "feitos" que não aparecem nos pareceres do TCE, mas que para ele não deveriam existir, como os gastos de R$ 2 milhões todos os anos com propaganda, "o que não é ilegal, mas é uma pouca vergonha", segundo Arlindo.

"O prefeito gasta mais de R$ 30 milhões por ano com secretarias desnecessárias só para empregar um monte de gente à toa. O tribunal nem aponta, mas nós sabemos disso e podemos nos insurgir contra isso. Eu sou incitado a falar essas coisas porque parece que Araçatuba está a melhor cidade do mundo, que está sendo muito bem administrada, mas veja que, à época, em 2019, já tinha uma série de apontamentos e virão outros

Líder do governo, Dr. Jaime disse que TCE é um órgão técnico diferente do discurso de Arlindo, que é político (Foto: Angelo Cardoso/Câmara de Araçatuba)

Defesa

O líder do governo na Câmara, vereador Jaime José da Silva, o Dr. Jaime (PSDB), disse que a avaliação do colega era meramente política e que o tribunal possui pessoas técnicas capazes de emitir tais pareceres. Defendeu que nem as mais perfeitas administrações não tiveram apontamentos, pedindo o voto favorável dos colegas.

Sobre as vagas em creche, adiantou que neste ano o problema será sanado, e citou como exemplo de boa gestão as licitações feitas pela administração que não ganham aditivos, uma exigência do prefeito Dilador para evitar apontamentos. Segundo Dr. Jaime, as poucas obras atrasadas ou paradas que existem na cidade são por conta dessa política séria da administração.

O projeto, que era item único da Ordem do Dia, recebeu 12 votos favoráveis e 3 contrários, dos vereadores Arlindo Araújo, Lucas Zanatta (PL) e Luís Boatto (MDB).

Veja a sessão na íntegra

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