Política

Após tumulto na Câmara, cessão de uso de centro de lazer volta à pauta em Birigui

Projeto enviado pelo Executivo teve pedido de vistas na semana passada, o que causou indignação a apoiadores que acompanhavam a votação

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
21/11/21 às 11h59
Presidente do Sisep, Gilson Paulino da Silva, usou a tribuna livre para pedir a aprovação do projeto (Foto: reprodução de vídeo)

Após gerar tumulto na última sessão da Câmara de Birigui (SP), volta à pauta na terça-feira (23), o projeto de lei que dispõe sobre a cessão de uso a título gratuito da estrutura do Centro de Lazer do Trabalhador ao Sisep, o sindicato dos funcionários e servidores públicos municipais.

O espaço, que atualmente não está sendo utilizado para nenhuma finalidade, fica na rua Santa Tereza, na Vila Xavier, e, se aprovado o projeto, passará a ficar sob a responsabilidade do sindicato, que deve custear todas as despesas e manutenções.

Na última sessão, o presidente do Sisep, Gilson Paulino da Silva, usou a tribuna livre para falar sobre a iniciativa e os planos para o local. Segundo ele, proporcionar qualidade de vida e opção de lazer para os servidores é um dos três pilares do sindicato, por isso, foi pedido a cessão do espaço ao prefeito Leandro Maffeis (PSL) no início deste ano.

“Pretendemos implantar uma escolinha de futebol para atender as crianças e adolescentes, não só dos servidores públicos, mas de toda a população biriguiense. Em conjunto com o futebol, o Sisep proporcionará corte de cabelo e tratamento dentário às crianças e adolescentes, gratuitamente”, explicou.

O sindicato prometeu que vai reativar a bocha e malha, pois o local já possui tais estruturas, e realizará eventos abertos para a população em geral. Outro compromisso foi de apoio ao futebol amador.

“Vamos reestruturar o Centro de Lazer Valter Alves de Carvalho para que ele funcione da melhor maneira possível”, disse, pedindo voto favorável aos parlamentares.

Vistas

Antes de se iniciar a discussão do projeto de lei, foi lido um pedido de vistas (adiamento por uma sessão) feito pelo vereador Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB). Por ser o primeiro, foi acatado de imediato.

O vereador Marcos Antonio Santos, o Marcos da Ripada (PSL), pediu que a sessão fosse suspensa para que o presidente do Sisep pudesse esclarecer alguns fatos aos vereadores. No entanto, o presidente da Câmara, César Pantarotto Junior (PSD), informou que isso não alteraria o pedido de adiamento.

Várias famílias que apoiam a iniciativa do Sisep estavam presentes e se revoltaram quando souberam que o projeto não seria votado, dando início a uma grande vaia, com gritos e xingamentos. Em seguida, elas se levantam e deixam a Casa.

Vadão chegou a ir até a galeria, mas foi cercado. A sessão foi suspensa.

Violência

No momento de Explicações Pessoais, Vadão usou a tribuna para dizer que foi até a galeria para conversar, mas que chegou a receber ameaça de agressão.

“Eu pedi vistas, não derrubei e não acabei com o projeto. Se o presidente do Sisep é uma pessoa descontrolada, talvez ele não sirva para estar no cargo que ele se encontra, porque ele veio aqui me incitar e depois incitou as pessoas. É meu amigo, mas tomou uma posição a qual eu não entendo e ganhou a partir de hoje um adversário ferrenho”, disse.

Na gravação da sessão é possível ver Silva se dirigindo até o Plenário, depois deixando a Câmara gesticulando e falando com as pessoas que acompanham a sessão. Imediatamente se ouve uma grande vaia e as pessoas se levantam para ir embora.

O vereador Everaldo Santelli (PV) também usou seu tempo de Explicações Pessoais para reprovar a atitude “antidemocrática” dos presentes. “Ficou mais do que certo que era carta marcada o que estava acontecendo”, disse. “O meu voto vai ser repensado porque agora eu sei que aquele local não era destinado para todos. Muito bonito foi o discurso, aí o próprio que discursou sai incitando contra o nobre vereador. Está reprovado aqui esse comportamento”, completou.

Bastidores

Nos bastidores da sessão circulou a informação de que o Sisep faria parceria com uma igreja evangélica para tocar os projetos no centro de lazer, o que não estaria no texto enviado à Câmara. Estava presente na sessão Edson de Almeida, conhecido como Edson Fumaça, que é pastor e que já liderou um projeto de escolinha de futebol no mesmo local na gestão de Cristiano Salmeirão.

Posterior ao fato, várias declarações foram dadas pelos envolvidos no episódio. Segundo Vadão, o problema principal é saber quem poderá participar das atividades propostas, se serão apenas os filhos dos funcionários da Prefeitura e dos membros da igreja, ou qualquer criança e adolescente da cidade.

“Se tiver aulinha de futebol, vai ser de graça ou cobrado? O projeto não fala nada”, disse em entrevista em rede social.

O presidente do Sisep nega qualquer parceria com igreja. “O Fumaça vai ser responsável pela escolinha de futebol”, afirmou sobre as conversas de bastidores.

O termo de cessão de uso, que está anexo ao projeto, proíbe qualquer parceria, cessão ou permuta sem a autorização do município.

Ao vivo

A sessão da Câmara tem início às 19h, com transmissão ao vivo no canal aberto de TV local 18.3 e pela internet - no canal Câmara Birigui no Youtube e página facebook.com/camarabirigui .

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