A Câmara de Araçatuba (SP), por maioria, aprovou na noite desta segunda-feira (22) dois projetos do Executivo, em regime de urgência, que tratam da iluminação pública.
Um deles é o projeto que traz nova redação à lei complementar que institui o Sistema Tributário do Município de Araçatuba, no que diz respeito à cobrança da CIP (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública).
A proposta altera a cobrança dos imóveis edificados, vinculando os valores às classes consumidoras e às faixas de consumo. Atualmente, todos os imóveis de Araçatuba pagam o mesmo valor. Também foi alterado o mecanismo de reajuste da CIP, garantindo a sua automaticidade, sem que haja a necessidade de publicação de um decreto municipal.
De acordo com o município, a proposta está em consonância com o entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal).
A outra urgência autoriza o Executivo a delegar, por meio de parceria público-privada, a prestação dos serviços de iluminação pública no município. Ambos os projetos foram aprovados com 12 votos favoráveis e 3 contrários, dos vereadores Arlindo Araújo (MDB), Lucas Zanatta (PL) e Luís Boatto (MDB).
Faltou tempo
As principais críticas, até mesmo de quem votou favorável ao projeto, foi em relação ao regime de urgência. “Um projeto dessa envergadura, por que a urgência?”, questionou Zanatta, que abriu as discussões. Segundo ele, muitas pessoas terão de fato o custo reduzido, mas outras terão aumento significativo.
Wesley Monea dos Santos, o Wesley da Dialogue (Podemos), criticou a urgência, porém lembrou que a proposta cria uma justiça social, visto que hoje todos pagam o mesmo valor de contribuição, e traz limites de cobrança. Residências, por exemplo, pagarão no máximo R$ 30,97. Hoje, uma fábrica de grande porte paga a mesma CIP de um imóvel popular.
Arlindo Araújo foi totalmente contrário aos dois projetos, comparando-os com a concessão dos serviços de tratamento de água e esgoto à GS Inima Samar. “Vamos ter um aumento de 40% na arrecadação e esse dinheiro vai sair do povo. A Prefeitura está saindo fora desse serviço e a empresa que vai assumir vai querer dar lucro e esse dinheiro vai sair do povo”, disse, reforçando que uma empresa (qualquer que venha a assumir) não é uma instituição de caridade.
Nelson Marques Filho, o Nelsinho Bombeiro (PV), se posicionou contra a urgência, mas favorável à medida, visto que hoje o serviço é terceirizado por meio de liminar e que foi feito um levantamento antes do envio dos projetos à Câmara, cujo resultado foi apresentado aos parlamentares. “Hoje muitas pessoas me procurando reclamando da falta de iluminação. A chance que a gente vê de melhorar isso é essa. Se houver qualquer mudança no entendimento do Supremo a gente reavalia”, disse, lembrando que haverá uma audiência pública sobre o tema.
