Política

Câmara de Araçatuba aprova repúdio a senador por fala machista

Durante live em suas redes sociais, Major Olímpio (PSL) disse que “mulher que trepa gritando é qualidade”

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
12/05/20 às 21h40
(Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado)

A Câmara dos Vereadores de Araçatuba (SP) aprovou um requerimento de repúdio ao senador Major Olímpio (PSL-SP), pela falta de respeito com as mulheres em uma live divulgada por ele em suas redes sociais, onde ele disse que “mulher que trepa gritando é qualidade”.

O comentário é preconceituoso, grotesco, sexista, machista, desrespeitoso e lamentável, segundo definições das autoras do requerimento, as vereadores Beatriz Nogueira (Rede) e Tieza Marques (PSDB).

No vídeo que circula na internet, o político, usando um chapéu, diz em tom de narração que “boi que pula rodando e mulher que trepa gritando não é defeito, é qualidade.”

Após a polêmica, o senador se justificou, afirmando que copiou a frase do cantor Asa Branca, que a usava quando animava rodeios.

Indignação

Conforme o documento, a frase que compara as mulheres a animais de rodeio tem forte apelo sexista e causou profunda indignação e reação das mulheres em redes sociais, imprensa e instituições representativas, pois reforça visões machistas que ainda permeiam em larga escala a sociedade brasileira, onde parte dos homens continua tratando as mulheres como objeto, como coisa ou propriedade deles.

Para Tieza, um senador da República, líder político, deveria dar exemplo não apenas nos seus atos, mas também nos seus discursos. A frase como a que ele disse ou reproduziu surpreende e causa indignação.

“Lideranças tóxicas precisam ser afastadas da política. Não tenho dúvida de que quem fala isso, pensa isso, o que também é muito lamentável”, disse Tieza.

De acordo com a presidente do Legislativo araçatubense, é grande o esforço para que as mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito que elas merecem e que têm direito e quando esse tipo de atrocidade vem de um cidadão comum, que não teve acesso à informação e educação, é mais fácil de se perdoar e compreender, o que não é o caso do senador.

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Beatriz se referiu ao senador apenas como “ser”, citando Simone de Beauvoir com célebre frase “não se nasce mulher, torna-se mulher” para explicar o posicionamento.

“Também podemos dizer que não se nasce homem, torna-se homem. Se não conseguiu tornar-se homem nessa idade que está não merece ser chamado de homem”, explicou. “A única coisa que esse ser merece de nós é desprezo(...) Hoje não cabe mais o preconceito, nem de gênero nem sexista, nem de jeito nenhum.”

Tieza e Beatriz pediram além da aprovação, que todos os colegas parlamentares assinassem o requerimento.

Apoio

Almir Fernandes Lima (PSDB) e Antônio Edwaldo Dunga Costa (DEM) manifestaram publicamente apoio na assinatura do requerimento.

Dr. Almir pediu desculpas, na condição de homem, a todas as mulheres. “Se a pessoa não tem o mínimo padrão intelectual para respeitar sua própria esposa, o que ele está fazendo lá no Senado? Representando a mulher dele que não está. Está representando quem? Quem se considera representando por um ser que tem esse nível de pensamento?”, questionou, destacando em sua fala que possui duas assessoras, mãe, esposa e duas filhas.

Embora tenha se mostrado solidário, Dunga disse que tem certeza que o objetivo do senador não foi o de atingir as mulheres.

O vereador do DEM explicou que a frase dita pelo senador teria sido escrita por uma mulher, a cantora Beth Guzzo (ela gravou a música Peão de Verdade, em 1992), e que era usada pelo locutor Asa Branca em suas apresentações.

“(Ele) foi infeliz ao usar a expressão. Votei no major, sou seguidor dele, mas peço desculpas para as mulheres que se sentiram ofendidas”, disse Dunga, que chegou a citar a possibilidade de a gravação ser antiga e ter sido descontextualizada em forma de fake news.

Lucas Zanatta (PV) e Jaime José da Silva (PSDB) classificaram a fala como “absurda” e “decepcionante”, respectivamente.

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Cópia

Uma cópia do documento deverá ser encaminhada ao senador, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aos líderes de partidos, à CMCVM (Comissão Permanente Mista de Combate à Violência Contra a Mulher), à CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa), à Procuradoria Especial da Mulher, ao Observatório da Mulher contra a Violência e a todas as senadoras. 

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