Política

Câmara de Birigui aprova criação de 146 cargos efetivos na Prefeitura

Também foi aprovado, após muitas críticas ao prefeito Leandro Maffeis, projeto que altera os padrões de vencimentos dos cargos de auxiliar de assistente social, oficial de escola e secretário de escola

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
05/10/22 às 11h38

Após três pedidos de adiamento por várias sessões, a Câmara dos Vereadores de Birigui (SP) aprovou, na noite desta terça-feira (5), a criação de 146 cargos efetivos na Prefeitura, e projeto que altera os padrões de vencimentos dos cargos de auxiliar de assistente social, oficial de escola e secretário de escola.

Segundo a Prefeitura, será necessário abrir concurso público para suprir diversos setores em defasagem, mas antes era precisa criar os cargos.

A maioria das 146 vagas exige apenas o ensino médio completo, como as 65 vagas de auxiliar de vida escolar, cujo cargo foi criado em fevereiro deste ano. Na ocasião, foram instituídas 85 vagas, no entanto, será preciso mais profissionais.

Outras 60 vagas são para auxiliar de oficial administrativo, em substituição ao cargo de escriturário, que foi extinto; 10 vagas são para secretário de escola; e sete para orientador social. A carga horária para todos os cargos acima é de 40 horas semanais.

Outras quatro vagas exigem ensino superior, sendo dois cargos de assistente social educacional e dois de psicólogo educacional. A carga horária é de 30 horas semanais, com formação superior específica em suas áreas. Esses profissionais atenderão as unidades escolares em regime de itinerância, conforme polos e cronogramas homologados anualmente pela Secretaria Municipal de Educação.

Os vencimentos dos cargos criados variam de R$ 1.390,01 (auxiliar de vida escolar) a R$ 3.605,37 (cargos que exigem ensino superior).

Pedido de retirada

Com muitas críticas a postura do prefeito Leandro Maffeis (Republicanos), que enviou ofício pedindo a retirada do projeto após pedido de adiamento, foi aprovado, por unanimidade e derrubada de pareceres contrários, o projeto de lei complementar que altera as referências dos padrões de vencimento dos cargos de auxiliar de assistente social, oficial de escola e secretário de escola, passando para R$ 2.462,52.

Atualmente, os ocupantes desses cargos recebem R$ 2.035,12; R$ 1.529,02 e R$ 1.850,12; respectivamente. Os servidores marcaram presença na sessão exibindo cartazes com pedido de aprovação da matéria.

De autoria do Executivo, o texto entrou na pauta da sessão do dia 20 de setembro, porém houve pedido de vistas feito pelo vereador Cleverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania). A propositura recebeu pareceres jurídico e das comissões contrários, pois não havia, segundo o procurador jurídico Wellington Castilho Filho, demonstração de acréscimo nas atribuições do cargo.

O documento complementar não foi enviado à Casa de Leis pelo Executivo, que decidiu pela retirada de tramitação do projeto, atribuindo o pedido à atitude do grupo que faz oposição ao seu governo. O pedido de retirada não foi acatado pelo Plenário.

Servidores estiveram na sessão para pedir a aprovação do projeto (Imagem: reprodução de vídeo)

Críticas

“Falaram que chegaria uma documentação que melhoraria o projeto, mas isso não foi citado no pedido de retirada”, disse o vereador José Luiz Buchalla (Patriota).

Wagner Mastelaro (PT) destacou que o prefeito reconheceu que o projeto estava ilegal e questionou porquê não foi feita a correção. Citou também a dificuldade do chefe do Executivo em dialogar com o parlamento e a população, e que os vereadores tomariam uma decisão política, o que não seria o correto.

Benedito Dafé (PSD) defendeu Leandro Maffeis, colocando-o como “refém” de um grupo de vereadores. A fala acalorou ainda mais os ânimos e vereadores usaram a tribuna para rebater o colega.

Tody, autor do pedido de adiamento, explicou aos servidores presentes que a intenção não era prejudicar a categoria, mas dar respaldo jurídico, e criticou o prefeito pela escola dos nomes do alto escalão. “Disse que teria corpo técnico em sua gestão, mas não consegue mandar um projeto correto para essa Casa”, disse. “É uma administração imatura, despreparada e acima de tudo, que não tem respeito com essa Casa de Leis”, completou.

Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB), explicou que o pedido de retirada foi para melhorar o projeto e não deixá-lo igual a uma “colcha de retalhos, todo costurado”, pois não houve tempo para promover as adequações necessárias. Ele ainda tentou acalmar os ânimos. “Com ataques verbais e pessoais não vamos chegar a lugar nenhum”, reforçou.

O Sisep, sindicato dos servidores públicos municipais de Birigui, enviou um documento aos vereadores se posicionando favorável ao projeto e pedindo a aprovação. O ofício foi lido na fase do Grande Expediente, após a votação das matérias.

Emenda à LOM

Também com bastante discussão, foi adiada a votação em 1º turno do projeto de emenda à Lei Orgânica do Município, que prevê novas regras para o preenchimento de cargos na administração pública direta, autarquias e fundações públicas. Entre as alterações está o cumprimento do percentual mínimo de 20% de servidores efetivos para cargos em comissão técnico/administrativo e nomeação de dirigentes com formação superior na área de atuação do órgão correspondente. Duas emendas foram aprovadas pela Casa e entre as alterações está a contemplação dos inativos para ocupação dos cargos.

Foram feitos dois pedidos de adiamento (e rejeitados). A sessão chegou a ser suspensa para análise do Jurídico quanto a um dos pedidos. Por fim, o Plenário acatou pedido de vistas feito pelo vereador Buchalla. O texto já com as emendas incorporadas volta à pauta na próxima sessão.

Urgência

Em regime de urgência, o Plenário autorizou a celebração de convênio da Prefeitura com a ADJ (Associação de Diabetes Juvenil da Região Noroeste Paulista), no valor de R$ 50 mil. O recurso, de emenda parlamentar, será utilizado no custeio de serviços de enfermagem e farmacêutico.

Outro item aprovado foi a propositura que aumenta de duas para três horas o tempo máximo do pequeno expediente, autoria do Vadão da Farmácia.

E por fim, as homenagens. Proposto pelo vereador Marcos Antonio Santos, o Marcos da Ripada (União), e aceito pelos parlamentares, projeto de lei autoriza a adoção do nome do senhor Vanderlei Barquieri para denominar área verde em Birigui.

A segunda homenagem, feita pelo vereador Tody, concede título de cidadão benemérito ao senhor Domingos Nicola Romero Brischilharo.

Rejeitado

Com sete votos contrários, foi rejeitado o projeto de lei que autoriza o município a abrir crédito adicional suplementar no valor de R$ 3,6 milhões nas secretarias de Saúde (R$ 1,46 milhão); Serviços Públicos (R$ 1,5 milhão) e Meio Ambiente (R$ 650 mil).

Os vereadores alegaram falta de informações sobre a aplicação dos recursos. Votaram contra os vereadores Cabo Wesley, Dra. Osterlaine, Fabiano Amadeu, Paulinho do Posto, Wagner Mastelaro e Buchalla. Foram favoráveis, Dafé, Marcos da Ripada, Pastor Reginaldo, Si do Combate ao Câncer e Vadão da Farmácia.

Veja a sessão na íntegra

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