Foi protocolado nesta quinta-feira (13), na Câmara de Birigui (SP), pedido de abertura de Comissão Processante contra o vereador José Fermino Grosso (DEM) por falsificação de assinatura de documentos públicos. Conforme os trâmites do Legislativo, a denúncia deve ser lida na sessão da próxima terça-feira (18).
No pedido o munícipe Paulo Henrique Ribeiro, morador na rua dos Fundadores, afirma que teria chegado ao conhecimento dele que as assinaturas de alguns requerimentos atribuídas ao vereador não teriam sido feitas por ele. Diante disso, ele comparou essas assinaturas com documentos assinados por Fermino na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, da qual é membro e assina pareceres diante uma agente técnica da Casa.
Diante da suposta divergência observada, o requerente pediu para ter acesso aos pareceres originais e teve acesso a eles para análise na sala da presidência. Todos os documentos, os autênticos e os que seriam fraudados, foram digitalizados e enviados para perícia.
O laudo apontou que as assinaturas suspeitas não são iguais as tidas como padrões originais de confronto atribuídas ao vereador Fermino indicando assim diferentes identidades gráficas.
O laudo é assinado pelo perito José Robinson de Araújo Nudi, especialista em documentoscopia e grafotécnica. Se ficar comprovado que as assinaturas não são do vereador, ele pode perder o mandato. A denúncia deve ser lida já na sessão de terça-feira (25), último encontro dos vereadores antes do recesso do meio do ano.
Consciência tranquila
Procurado pela reportagem, Fermino disse que está com a consciência tranquila e que a denúncia é perseguição política. “Esse Paulo é aquele que foi demitido (da Prefeitura) e está sendo investigado (em sindicância) pelo pagamento irregular de horas extras. Ele fica inventando essas coisas para tentar me prejudicar, fica me perseguindo politicamente.”
Horas extras
O caso das horas extras é investigado pela Prefeitura desde o ano passado, por meio de sindicância, cujo resultado foi encaminhado para a comissão de ética.
Houve pedido de abertura de CP (Comissão Processante) na Câmara, porém o requerimento foi rejeitado pela maioria dos vereadores sem qualquer discussão. A alegação de quem votou contrário era que a Prefeitura já estava investigando o caso.
Conforme denúncia, a irregularidade teve início em gestões anteriores a de Cristiano Salmeirão (PTB) e envolveria funcionários efetivos e comissionados. Os que ocupavam cargos de chefia colocavam horas extras não realizadas na folha de pagamento. Quando o funcionário recebia, o valor adicional era dividido entre os dois. A estimativa é de que rombo passe de R$ 2 milhões.
O caso gerou ainda um pedido de CP contra o prefeito, exoneração de funcionário e pedido de afastamento de um dos secretários de Salmeirão.