Política

“Nenhum prefeito ou Câmara tem direito de comprometer futuras gestões”

Vereador Arlindo Araújo defende que obras poderiam ser feitas com economia e recursos do município

Guilherme Leal - Hojemais Araçatuba
30/06/19 às 10h28
Vereador Arlindo Araújo comentou empréstimo de R$ 26 milhões aprovado pela Câmara (Foto: Manu Zambom/ Hojemais Araçatuba)

Único parlamentar a votar pela não aprovação do pedido de financiamento de R$ 26 milhões feito pela Prefeitura de Araçatuba à Caixa Econômica Federal, o vereador Arlindo Araújo (Cidadania), que está no seu sétimo mandado, fala nessa entrevista ao Hojemais Araçatuba sobre os motivos que o levaram a tomar esse posicionamento.


Ele comenta ainda movimento recente que surgiu ao redor do seu nome como possível candidato à Prefeitura e fala sobre sua postura independente do Legislativo.

Depois da votação que autorizou financiamento começou a surgir o movimento #Arlindo2020. O senhor é pré-candidato a prefeito?

Não, de jeito nenhum. Eu inclusive já fiz uma postagem nesse grupo agradecendo a confiança e a consideração, eu fico lisonjeado. Porém, isso não faz parte dos meus planos, eu nunca pensei nisso e nem pretendo ser candidato a prefeito. A minha participação na política só tem o viés de dar contribuição com meu pensamento, com meu posicionamento, pra contribuir de alguma maneira pra cidade. Não tenho nenhuma pretensão de ser prefeito até porque como vereador eu consigo conciliar isso com a minha profissão. E se eu for prefeito eu vou ter que ficar focado naquilo lá e vou deixar a minha atividade profissional.

O senhor falou em atividade profissional e defende o salário de R$ 1 mil para vereador. Na sua opinião, o parlamentar precisa ter uma outra fonte de renda?

Eu acredito que o cara, para ser vereador, tem que ter uma profissão. A vereança tem que ser uma atividade onde ele vai contribuir pra cidade dele de forma voluntária. Se ele for atraído pra ser vereador pelo salário e não tiver profissão, vai ficar muito sujeito às tentações do poder. Pode ser mais facilmente cooptado pelo Poder Executivo. Eu não entendo que a política deva ser profissão de ninguém.


O senhor está no sétimo mandato, pretende tentar uma vaga na Câmara novamente?

Tudo depende. Se eu entender que ainda posso contribuir de alguma maneira na política, eu posso me candidatar. Se eu entender que já cumpri com a minha missão... de repente, eu não me candidato mais. Isso depende do momento político. As reeleições nada mais são do que uma apreciação da população ao serviço prestado. Caso, eu entenda que eu deva ser candidato novamente, ao me candidatar, eu estou colocando a apreciação um trabalho prestado anteriormente.

Alguns críticos costumam dizer que você é sempre oposição e que “só vota contra.”

O prefeito disse em entrevista a uma rádio e eu respondi já que me senti injustiçado nessa colocação. Eu entendo que cada um deva cumprir sua função. Eu, como vereador, e ele como prefeito. Nós podemos ter divergências de pensamento. Eu votei contrário ao empréstimo numa terça-feira, numa sessão extraordinária. No dia anterior, foi votada a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que ele manda pra Casa, dizendo quais são as diretrizes que ele quer dar pro município e eu sequer discuti. Votei favorável. Fui favorável também ao projeto em que ele criou mais cargos na Secretaria de Educação, por exemplo. De duas uma: ou ele tem problema de memória ou déficit de atenção ou ainda pode ter sido por pura maldade, querendo denegrir a minha imagem.

E sobre o fato de o senhor ser chamado sempre de oposição?

Essas pessoas precisam prestar atenção na minha conduta. Eu sempre fui assim. Eu não sou oposição, eu sou independente. Oposição é aquele cara que vai lá e está sempre contra tudo, tentando atrapalhar o governo. Eu procuro ajudar. Se eventualmente as ideias dele divergem das minhas é uma questão momentânea. Eu não sou obrigado a me curvar a tudo que o prefeito fizer na cidade. Eu fui eleito para fiscalizar o prefeito e me contrapor quando isso se fizer necessário. Independência é uma coisa, subserviência é outra coisa. Eu sempre fui independente. Se a pessoa se curva ao prefeito na hora de fazer o que ele quer pra garantir seus interesses, essa pessoa não representa mais o povo.

No seu discurso antes de votar, o senhor citou a questão dos cargos comissionados em secretarias. Disse que o ex-prefeito Cido Sério (PRB) criou sete secretarias e não as extinguiu. O senhor acredita que seja possível governar sem esses cargos?

Pra mim significa que o Dilador concordou com que o Cido Sério fez. Onerar mais ainda os cofres públicos criando mais secretarias. Então deu anuência e é justamente aí que a coisa pega. Como ele teve que abrigar um monte de gente que ajudou ele na campanha esse custo quem paga é o povo. 

Mas o argumento dos governos Executivos, isso não especificamente no caso de Araçatuba, é que isso é feito pela governabilidade.

Isso é uma coisa ridícula. É possível você governar sim sem fazer esse acordo. É só ter uma conduta e apresentar projetos que reflitam o que a cidade precisa. Não há essa dependência visceral do poder Executivo com relação ao poder Legislativo. Por exemplo, no caso de Araçatuba, a Prefeitura quer fazer obras que são necessárias e indiscutíveis. Porém, ele poderia fazer isso com o dinheiro do próprio orçamento do município e para tanto ele não precisaria pedir nenhuma autorização do Legislativo. O poder dele é tamanho que ele poderia fazer tudo isso sem mandar nada pra Câmara. Eu me posicionei contrário a esse financiamento e apresentei meus argumentos. Falei da situação financeira do País, das consequências para o futuro e entendo que nenhum prefeito e nenhuma Câmara tem o direito de comprometer duas futuras gestões. O prefeito disse em entrevista que ficou dois anos pagando conta e agora ele vai deixar 10 anos para os outros pagarem a conta? É tudo uma questão de gestão.

Como o senhor enxerga a oposição ao prefeito atualmente?

Não existe uma oposição firme ao prefeito atual. Existe a oposição do PT que saiu do poder e de alguns partidos que querem mudanças. Até porque a administração Dilador não é ruim. Eu percebo que ele tenta fazer, ele claudica em algumas coisas, mas se for comparar com a anterior, essa é bem melhor. Porém, como a administração passada foi nefasta, horrível, qualquer coisa que se faça vai ser melhor, mas não serve muito como parâmetro.

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