Política

Sem oposição, Câmara de Birigui aprova projeto rejeitado em sessão anterior

Propositura que permitia parcelamento de solo para construção de moradias tinha recebido parecer jurídico contrário

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
28/03/20 às 13h15
Sessão extraordinária foi realizada nesta sexta-feira (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Sem vereadores da oposição, a Câmara de Birigui (SP) aprovou, em sessão extraordinária nesta sexta-feira (27), o PLC (Projeto de Lei Complementar) nº 10, cujo texto é praticamente idêntico ao PLC 02/2020, que havia sido rejeitado na sessão anterior, realizada na terça (24).

A proposta do Executivo permite o parcelamento de solo para a construção de 194 moradias da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), no bairro Portal da Pérola 2, próximo ao Instituto Federal de Birigui. As casas serão construídas em lotes de 102 metros quadrados e frente de 5,1 metros de largura.

Na justificativa, a Prefeitura afirma a necessidade de se reduzir o déficit habitacional no município. O empreendimento teria sido apresentado ao Executivo, porém para ser viabilizado seria preciso reduzir as exigências com relação à metragem dos terrenos e dispensada a reserva de 2% para área livre a ser utilizada pela Prefeitura.

No entanto, a legislação em vigor exige que loteamentos particulares e públicos destinados à construção de moradia popular devem ter área mínima de 160 m² e frente mínima de 8 metros de largura, além de percentuais específicos para vias de circulação, áreas verdes, sistema de lazer, área institucional e os 2% de área livre para o munícipio.

Contrários

Por estar em desacordo em relação às leis municipais, o parecer jurídico da Câmara foi contrário ao projeto, bem como os pareceres das comissões de Constituição Justiça e Redação e de Defesa do Meio Ambiente.

O PLC 02/2020 entrou na Ordem do Dia em três sessões, mas recebeu pedido de adiamento em duas delas. Na sessão da última terça, após discussão, os vereadores derrubaram os pareceres contrários, porém rejeitaram o projeto.

A matéria recebeu voto contrário de Rogério Guilhen (PV) e abstenções de Clóvis Batista do Nascimento (PDT), Benedito Dafé (PV), César Pantarotto Júnior (Podemos), Luiz Roberto Ferrari (DEM) e Odair José Aparecido Piacente, o Odair da Monza (PSC). Com isso, foram 11 votos favoráveis, número inferior ao necessário para aprovação (12 votos).

Com um novo número (agora como PLC 10/2020) e a troca do termo “loteamento” por “conjunto habitacional”, o texto foi colocado para votação na sessão extraordinária convocada para sexta-feira e acabou aprovado por unanimidade pelos vereadores presentes.

Neste tipo de sessão, os projetos não passam pelo Jurídico da Câmara e nem pelas comissões, sendo submetidos direto ao plenário.

Não participaram da sessão os vereadores Batista, Dafé, Cesinha Pantarotto, Ferrari e Rogério Guilhen, ditos como oposição.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, a troca da nomenclatura resolveu o problema de ilegalidade do projeto.

Projeto prevê construção de 194 moradias em lotes de 102 m² (Foto: Habitação-CDHU/Divulgação)

Urgências?

O número de projetos votados na extraordinária também chamou a atenção. Quando a reunião foi convocada, na quarta, eram dois projetos para serem discutidos - o de reajuste dos servidores públicos municipais e a suspensão de descontos de faltas no prêmio por assiduidade durante o período de pandemia.

No dia seguinte, véspera da sessão, a Casa recebeu oficialmente pedido para mais um projeto, que era o do parcelamento de solo. O ofício foi enviado aos vereadores via WhatsApp.

No entanto, foram colocadas quatro matérias em votação, incluindo o reajuste dos integrantes da Corporação Musical Maestro Antonio Passsareli.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara, “só poderão ser discutidas e votadas, nas sessões extraordinárias, as proposições que tenham sido objeto da convocação (art.180)”.

A reportagem questionou a Câmara, por meio da assessoria de imprensa, sobre a votação de projeto idêntico a um rejeitado anteriormente e sobre a possibilidade de terem sido colocados dois projetos em regime de urgência na sessão extraordinária.

No entanto, a solicitação não foi respondida até a publicação desta matéria.


*Matéria atualizada às 15h30 para acrescentar que o ofício com o terceiro projeto foi enviado aos vereadores na quinta-feira, via WhatsApp. 

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍTICA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.