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Aumento no consumo de narguilé reascende a discussão dos hábitos entre os jovens

Assunto foi debatido em rede nacional. Especialista de Três Lagoas explica por que é preciso estar atento aos riscos

Daniela Galli - Hojemais Três Lagoas
16/07/21 às 12h57

O Narguilé já caiu no gosto da garotada há muitos anos, porém, desde o ano passado, com a pandemia e a quarentena, que obrigou todo mundo a ficar em casa, o consumo aumentou ainda mais. 

Porém o novo hábito, que apesar de não ter o mesmo odor característico do cigarro convencional, faz tão mal quanto ele ou pode ser ainda pior. O assunto ganhou repercussão na semana passada após uma matéria divulgada pelo Fantástico mostrar o caso de uma moça que perdeu parte do pulmão devido a um fungo atribuído ao consumo de narguilé. 

De acordo com dados de uma pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) só em 2019 foram contabilizados mais de dois milhões e meio de usuários de narguilé no Brasil. A ‘sedução’ está, na verdade, no aroma exalado pela queima da essência que vai no cachimbo, que é bem mais agradável do que o cheiro do cigarro ou demais apetrechos como charuto e cigarro de palha entre outros.

REALIDADE LOCAL

No Mato Grosso do Sul, mais especificamente em Três Lagoas, já começaram a surgir os primeiros casos de doenças que podem ser associadas ao consumo do narguilé.  A pneumologista e intensivista do Hospital Auxiliadora Vanessa Alves Lima conta que já atendeu vários jovens com câncer, infecções causadas por fungos, asma e até enfisema pulmonar grave. “Este último caso trata-se de um paciente com 35 anos e que já é forte candidato a um transplante de pulmão”. 

Já foram identificadas várias substâncias cancerígenas nos cachimbos de narguilé e até metais pesados como arsênio, cromo e chumbo. “O carvão [utilizado para fazer a queima da essência] contribui com níveis altos de monóxido de carbono”. Uma sessão de narguilé pode equivaler ao consumo de 100 cigarros. 

Quem fica por perto e inala a fumaça também corre risco, segundo Vanessa. Um estudo de 2014, segundo ela, relatou que as pessoas expostas à substância possuem maior risco de leucemia devido a assimilação do benzeno. 

Os que acreditam que ele não vicia, ou que vicia menos do que o cigarro, estão enganados. A pneumologista esclarece que o cachimbo causa sim dependência química e até o uso esporádico pode causar doenças. Ele serve ainda de ‘ponte’ para o cigarro. “O uso de narguilé tem um comportamento mais coletivo e é menos ‘portátil’, exige mais equipamentos e tempo para o uso, a necessidade de uso mais frequente da nicotina faz com que o hábito de fumar cigarros possa ser complementar”.

AS DOENÇAS

Vanessa cita também uma série de doenças que podem ser atribuídas ao uso do narguilé. Entre elas estão o câncer em diferentes órgãos como: boca, garganta, pulmão esôfago, estômago e até na bexiga. Ela dá ainda uma má notícia: estas doenças podem surgir em ex-fumantes mesmo até 15 anos depois que deixaram o vício. 

O consumo excessivo pode piorar ainda doenças respiratórias crônicas como bronquite, asma e rinite. “O compartilhamento dos bocais e das mangueiras aumentam de forma considerável o risco de contrair tuberculose, herpes e hepatite C”.

A aceitação social, assim como a falta de políticas públicas que regulamentem de forma específica o uso dos cachimbos, na opinião de Vanessa, contribuiu muito para que a o acesso seja facilitado.

COMO PARAR

A médica explica que é preciso procurar atendimento médico para se livrar do vício. O pneumologista é o especialista mais indicado para introduzir as terapias comportamentais e medicamentosas necessárias para auxiliar no controle dos efeitos da abstinência. 

A VIDA SEM FUMAR

Dois dias depois de parar - o corpo fica livre de nicotina e monóxido de carbono. Nervos responsáveis por olfato e paladar ‘voltam à vida’ e deixam a comida mais saborosa.

15 dias sem tabagismo – melhora a produção de muco a tosse para e o pigarro também.

Três meses sem tabaco – a respiração fica mais fácil. Momento crucial (muitos caem em tentação para voltar neste período).

12 meses sem cigarro – risco de doença cardíaca diminui

Cinco anos sem fumar – a chance de sofrer um derrame é tão baixa quanto a de um não 

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