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Cerca de 1,5 mil surdos necessitam de tradutor nos órgãos públicos de TL

Ao todo são mais de 7 mil surdos na capital, Campo Grande, e cerca de 54 mil em todo o Estado de Mato Grosso do Sul.

Emily Custódio - Hojemais Três Lagoas
11/05/19 às 17h03
Professor Adriano de Oliveira Gianotto e a professora de Língua Portuguesa e Tradutora intérprete de Libras, Ruth dos Santos Barros de Oliveira (Foto: Aurora Villalba)

Imagina você ir ao Posto de Saúde ou a um Banco e ninguém conseguir te entender. Essa falta de comunicação pode, com certeza, causar danos à sua saúde e prejuízos financeiro. E infelizmente esta é a realidade de cerca de 1,5 mil pessoas em Três Lagoas que são surdas.

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Adriano de Oliveira Gianotto, é pesquisador e cidadão atuante para regulamentar Leis que fomentem a identidade e acessibilidade de surdos e deficientes auditivos.

“Dentro da minha pesquisa percebi que não há acessibilidade para surdos em Três Lagoas, não há intérpretes nos órgãos públicos: nem no judiciário, nem em Hospitais, nem em bancos, etc”, desabafou Gianotto. O professor é surdo, por isto em seu cotidiano passa por essas questões.

Em 2018, ele buscou auxilio do Prefeito, Ângelo Guerreiro, para juntos apresentarem um projeto de Lei a Câmera Municipal, onde instituía a criação da Central de Libras (Língua Brasileira de Sinais) em Três Lagoas. A lei foi aprovada e sancionada, teoricamente a Cidade possui esta acessibilidade para os surdos, mas na prática não.

“Ainda há a ausência de tradutores intérpretes de Libras nos atendimentos públicos em Três Lagoas, por isto a Criação da Central é importante. Precisamos de interpretes bem preparados que possam nos traduzir, é um direito que temos”, explicou o professor.


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Há uma Lei Federal que normatiza a Libras em órgãos públicos, a Lei 10.436/2002, mas ela não é regra nos Municípios, e conforme explicou Adriano isto faz com que os surdos se afastem da sociedade e percam sua identidade.

Ao todo são mais de 7 mil surdos na capital, Campo Grande, e cerca de 54 mil em todo o Estado de Mato Grosso do Sul.

A falta de profissional e a também falta de qualificação dos tradutores intérpretes podem causar muitos prejuízos inclusive às crianças surdas, que muitas vezes chegam as séries escolares avançadas sem ao menos saber ler e escrever.

De acordo com a professora de Língua Portuguesa e Tradutora intérprete de Libras, Ruth dos Santos Barros de Oliveira, muitas vezes o aluno dentro de sala de aula comum não está incluído, ele fica deixado de lado pelos colegas, fica no canto, só ele e a professora intérprete. Isso acontece porque os colegas não sabem a Língua de Sinais. Então, tanto Ruth como Adriano concordam que, além da Central, ensinar Libras como segunda língua nas escolas é uma excelente forma de inclusão, pois só assim o aluno surdo poderá se comunicar com o colegas e professores.

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