(Foto: Andressa de Paula/Hojemais Três Lagoas)
Celebrado em 21 de março, o Dia Mundial da Síndrome de Down chama atenção para a importância da inclusão, do acesso à informação e do acompanhamento adequado desde a infância.
A data, que faz referência à trissomia do cromossomo 21, busca ampliar o debate sobre direitos, desenvolvimento e participação social.
Condição genética exige informação e acompanhamento adequado
A síndrome de Down é uma condição genética caracterizada pela presença de um cromossomo extra no par 21. Diferente do que muitos ainda acreditam, não se trata de uma doença, mas de uma condição que acompanha a pessoa ao longo da vida e que exige estímulos específicos para o desenvolvimento.
Segundo a psicopedagoga Adriana Matos, o acompanhamento precoce é um dos fatores mais determinantes nesse processo. “ Quanto mais cedo você começar as terapias, mais essa criança vai ter evolução no decorrer da vida”, explica.
A psicóloga Raila Matos reforça que a infância é uma fase estratégica para o desenvolvimento. Nesse período, o cérebro apresenta maior capacidade de adaptação, o que potencializa os resultados das intervenções e amplia as possibilidades de autonomia ao longo da vida.
Família e estímulo precoce são pilares do desenvolvimento
Além do acompanhamento profissional, o ambiente familiar exerce papel fundamental no desenvolvimento. O envolvimento da família, aliado ao acesso à informação e aos serviços especializados, influencia diretamente no desenvolvimento emocional, social e cognitivo.
A orientação das especialistas é que, diante do diagnóstico, a busca por acompanhamento deve ser imediata. O acesso precoce às intervenções pode impactar diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down. Porém, mesmo com avanços, fatores como acesso limitado a serviços especializados e desigualdades estruturais ainda interferem na continuidade dos tratamentos.
Inclusão ainda enfrenta desafios e exige mudança de olhar
Apesar dos avanços, a inclusão ainda enfrenta obstáculos, principalmente no ambiente escolar e na participação social. A falta de preparo estrutural e de capacitação profissional ainda limita o desenvolvimento em diferentes espaços. “ Se essas pessoas não estão nos espaços, isso também é uma forma de preconceito”, afirma a psicóloga Raila Matos.
Enquanto o debate ganha força entre especialistas, iniciativas no ambiente acadêmico também contribuem para ampliar a conscientização. Na AEMS (Associação de Ensino e Cultura de Mato Grosso do Sul - Faculdades Integradas), estudantes e professores dos cursos de Educação Física, Pedagogia e Terapia Ocupacional participaram de uma mobilização no dia 19 de março, utilizando meias diferentes como forma simbólica de chamar atenção para a causa.
A proposta integra a campanha internacional “Lots of Socks”, que representa a diversidade e provoca reflexões sobre inclusão. Durante a atividade, os acadêmicos participaram de dinâmicas voltadas ao tema, reforçando o papel da formação profissional na construção de uma sociedade mais acessível.
Mais do que uma data no calendário, o 21 de março se consolida como um convite à empatia e a construção de espaços onde a inclusão seja, de fato, uma realidade.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA COM A NEUROPSICOPEDAGOGA ADRIANA MATOS E COM A PISCÓLOGA RAILA MATOS: