Um vídeo de Fernando Haddad , gravado durante o Fórum Econômico Mundial de 2023 , está circulando na internet em meio ao debate sobre boicotes motivados por posicionamentos políticos. A gravação chega à discussão após relatos de empresários sobre uma suposta lista de boicote a estabelecimentos de Três Lagoas .
Na declaração, Haddad defende que consumidores pressionem empresas por meio das escolhas de compra e cita pessoas que deixaram de consumir produtos de negócios engajados com o governo de Jair Bolsonaro.
A fala ocorreu em 17 de janeiro de 2023 , durante o painel “Brasil: um novo roteiro” , em Davos, na Suíça, com a participação da ministra Marina Silva.
Quais empresas eram mencionadas
Antes do trecho que circula nas redes sociais, Haddad defendia que grandes corporações assumissem compromissos públicos com preservação ambiental, igualdade de gênero, combate ao racismo, sustentabilidade, direitos humanos e respeito à diversidade .
“Eu acho que é uma agenda que, até como consumidores, nós temos condição de pressionar”, afirmou.
Ao exemplificar essa pressão, acrescentou: “No Brasil, em função do engajamento de algumas empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de consumir os produtos dessas empresas no Brasil”, declarou, em referência ao governo Bolsonaro, derrotado nas eleições de 2022.
Haddad não delimitou um segmento comercial. Seu argumento tratava dos compromissos e da atuação das empresas de quem os consumidores adquirem produtos.
Atenção à empresa de quem compra
Na sequência, Haddad afirmou que também considera esses critérios nas próprias decisões de consumo.
“Eu sou um que não consumo sem prestar atenção de quem que eu estou adquirindo o produto”, disse.
Ele reforçou a posição ao declarar: “Eu não compro nenhum palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromissos com essas questões, sobretudo com a questão da minha, da sua e da liberdade dela”.
A expressão “essas questões” retoma os compromissos sociais, ambientais e democráticos mencionados anteriormente . Haddad também questionou como seria possível compactuar com empresas que não manifestassem claramente suas posições sobre esses assuntos.
A declaração expressa apoio à pressão por meio do consumo e contém uma referência política explícita a empresas ligadas ao governo Bolsonaro. Entretanto, no trecho, Haddad não afirma que todo estabelecimento cujo proprietário seja de direita deva ser boicotado , nem divulga nomes de empresas ou propõe a criação de listas.
Registros nas eleições anteriores
A circulação de listas de boicote por motivação política tem registros nas eleições de 2018 e 2022 .
Em setembro de 2018, a revista Exame noticiou listas de empresas que deveriam ser boicotadas porque seus proprietários apoiavam Bolsonaro. A reportagem destacou que as relações incluíam tanto empresários que haviam declarado apoio ao candidato quanto nomes associados a ele por informações falsas.
Em 2022, reportagens registraram listas contra comerciantes e profissionais identificados como apoiadores da esquerda em municípios de Santa Catarina e do Paraná, além de relatos posteriores à eleição em outras localidades.
Na cobertura consultada, os episódios de 2022 aparecem espalhados por mais municípios, mas não há uma contagem comparável que permita medir o crescimento da prática. Os registros também não permitem concluir em qual eleição houve mais boicotes especificamente contra estabelecimentos ligados à direita.
