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Inteligência artificial identifica mais de 13 mil hectares de terras agrícolas abandonadas no Cerrado

Estudo da Embrapa e da UnB utiliza imagens de satélite e aprendizado profundo para mapear áreas com potencial de restauração ambiental.

Thais Constantino  - Hoje Mais Três Lagoas 
24/03/26 às 15h02
Foto: Divulgação | Reprodução

Uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) utilizou inteligência artificial (IA) para identificar terras agrícolas abandonadas no bioma Cerrado que podem ser destinadas à restauração ambiental.

O estudo analisou imagens de satélite fornecidas pela Agência Espacial Europeia (ESA) e aplicou tecnologia de aprendizado profundo (deep learning) para reconhecer padrões que indicam diferentes tipos de uso da terra. As informações são da Agência Brasil .

A pesquisa foi realizada no município de Buritizeiro , no norte de Minas Gerais , região que integra o bioma Cerrado. A partir da análise das imagens, a inteligência artificial conseguiu classificar áreas de vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais, plantações de eucalipto e, de forma inédita, terras agrícolas abandonadas.

De acordo com os pesquisadores, a precisão da análise alcançou 94,7%, índice considerado excelente para estudos de uso da terra com técnicas de sensoriamento remoto.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista científica internacional Land , especializada em pesquisas relacionadas a terra, água e clima.

Com a identificação dessas áreas abandonadas, os pesquisadores afirmam que os dados podem ajudar na formulação de políticas públicas ambientais e no planejamento de ações de recuperação ecológica.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gustavo Bayma , mapas detalhados dessas áreas demonstram o potencial da inteligência artificial para apoiar iniciativas de restauração ambiental e planejamento territorial.

Entre as possíveis aplicações estão estratégias para estimativa do sequestro de carbono, já que áreas verdes ajudam a reduzir a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, um dos principais fatores ligados ao aquecimento global.

Outra possibilidade apontada pelos pesquisadores é a criação de c orredores de restauração ecológica no Cerrado, conectando áreas naturais e favorecendo a recuperação da biodiversidade.

A análise comparou imagens de satélite entre os anos de 2018 e 2022 e identificou que mais de 13 mil hectares de terras agrícolas foram abandonados em Buritizeiro área equivalente ao território da cidade de Niterói , no Rio de Janeiro .

Esse total representa cerca de 4,7% da área agrícola original do município. Segundo os dados do estudo, 87% dessas áreas eram antigas plantações de eucalipto destinadas à produção de carvão vegetal.

O pesquisador Edson Sano , da divisão Cerrado da Embrapa, explica que a região enfrenta desafios produtivos, como baixa produtividade das pastagens durante períodos de seca e aumento no custo de fertilizantes.

Além disso, a redução da atratividade econômica da produção de carvão vegetal, causada por fatores como aumento dos custos logísticos e de produção, também contribuiu para o abandono dessas áreas.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores apontam que ainda existem limitações na metodologia. Segundo Édson Bolfe , da área de Agricultura Digital da Embrapa, a análise foi baseada em apenas duas datas de imagens de satélite dentro de um intervalo de quatro anos.

Essa limitação pode dificultar a distinção entre abandono permanente e práticas temporárias de pousio, quando o solo é deixado em descanso por um período curto.

Mesmo assim, o estudo conclui que o uso de tecnologias de aprendizado profundo representa uma ferramenta promissora para monitorar mudanças no uso da terra e apoiar decisões relacionadas ao planejamento territorial e à gestão ambiental no Cerrado.

 
 
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