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O legado de Salomão Becker e Antonieta de Barros: os educadores que deram origem ao Dia do Professor no Brasil

Celebração criada em 1947 nasceu da iniciativa de docentes paulistas e ganhou força com a lei proposta por Antonieta de Barros, primeira deputada negra do país.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
15/10/25 às 08h06
Foto: Reprodução/Arquivo Nacional

Celebrado em 15 de outubro, o Dia do Professor é uma das datas mais emblemáticas do calendário escolar brasileiro, um momento de reconhecimento e reflexão sobre o papel dos educadores na formação de gerações e no desenvolvimento do país. Mas poucos conhecem as histórias de Salomão Becker e Antonieta de Barros, dois nomes fundamentais para a criação da data.

A inspiração surgiu em 1947, dentro do Ginásio Caetano de Campos, em São Paulo. Na sala dos professores, o educador Salomão Becker, natural de Piracicaba, percebeu o cansaço e a sobrecarga dos colegas no fim do segundo semestre letivo. Propôs, então, um dia de pausa e confraternização, um momento para refletir sobre os rumos da educação e celebrar o magistério.

Salomão Becker (Foto: Reprodução/Arquivo desconhecido/Domínio Público)

Becker sugeriu o 15 de outubro por ser a data em que, em sua cidade natal, os alunos costumavam levar doces e salgados para os professores. A proposta foi acolhida pelos colegas e rapidamente se espalhou por outras escolas, tornando-se lei em São Paulo e, mais tarde, em todo o Brasil. Em 1963, o presidente João Goulart oficializou o Dia do Professor como feriado escolar nacional, por meio do  Decreto Federal nº 52.682.

Além da iniciativa paulista, a professora e deputada estadual catarinense Antonieta de Barros (1901–1952) teve papel decisivo ao criar uma lei estadual em Santa Catarina que também instituía a data em homenagem aos docentes. Filha de uma lavadeira e primeira mulher negra eleita para um cargo público no país, Antonieta fez da educação um instrumento de transformação social e de igualdade.

Antonieta de Barros (Foto: Reprodução/MESC/UDESC)

Para estudiosos da educação, as histórias de Becker e Antonieta representam duas faces complementares de uma mesma luta: a valorização do professor. Enquanto Becker defendeu o descanso e o fortalecimento da comunidade docente, Antonieta transformou a valorização do magistério em política pública, conectando a educação à cidadania e à justiça social.

A escolha do dia 15 de outubro também remete à Lei Imperial de 1827, sancionada por Dom Pedro I, que criou as primeiras escolas de ensino primário no Brasil. O marco histórico simboliza o início da educação pública e o reconhecimento legal do papel do professor na formação moral e intelectual dos cidadãos.

Quase 80 anos depois da primeira celebração, o Dia do Professor segue como um símbolo de resistência e reconhecimento, mas também de desafios. Especialistas apontam que a valorização ainda precisa ir além das homenagens, exigindo melhores condições de trabalho, remuneração justa e políticas permanentes de formação docente.

Ainda assim, a data continua a carregar a essência do gesto de Becker e Antonieta: celebrar o amor pela educação e o compromisso com o futuro do país.

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