A professora de história, Bruna Barros Fernandes Hildebrndo, 27, passou por dias de incerteza nos últimos meses. Ela chegou a ficar duas semanas em casa depois do diagnóstico positivo de covid-19, mas aprensentou uma piora e teve que ser internada. Na última quinta-feira (13), Bruna foi para casa depois de 35 dias no hospital. A jovem comemorou em uma publicação feita em seu perfil no Facebook.
Em entrevista ao Hojemais, a jovem fala sobre o milagre de estar viva depois de ter tido 95% do pulmão comprometido. Em processo de recuperação e com sequelas da doença, ela está ainda usando cilindro de oxigênio para auxiliar na respiração e reervou um momento e lugar adequado para conversar com nossa reportagem pelo WhatsApp. "Falar é difícil, tudo é dificil. A gente fica cansada muito fácil. Nem a sensação de bocejar eu tenho mais, ainda não consigo encher meu peito de ar", revelou.
OS PRIMEIROS SINTOMAS
Bruna e o esposo ficaram em isolamento social durante a primeira onda da pandemia do novo coronavírus, entretanto esse ano além dele trabalhar, as aulas presenciais da escola voltaram. Mesmo se cuidando eles se contaminram.
Os sintomas dele foram febre e dor de garganta. Ela teve diarreia e dor de cabeça. Ao longo dos dias o esposo de Bruna, melhorava, mas ela não.
Passaram pelo hospital, reeberam indicação para tomar o "kit covid", e foram liberados. O casal ainda preocupado buscou por uma segunda opinião médica que orientou que fizessem um tomografia e realizassem um exame para avaliar a evolução do vírus no organismo deles.
"Além de toda a procupação que estávamos por termos contraído o vírus, ainda tinha muita pessoa inconveniente que piorava nosso estado emocional. Tive crises de ansiedade e cheguei a pedir calmante para o médico", desabafou a jovem.
Depois de 12 dias que apareceram os sintomas ele já havia melhorado, mas Bruna piorou e teve que ir para o hospital.
NO HOSPITAL
Nessa segunda onda do coronavírus um dos maiores medos de quem está contaminado e precisa ir para o hospital é não conseguir um leito. Bruna teve a sorte de encontrar um disponível após aguardar por 12h. E em um dos leitos do Hospital Auxiliadora ela ficou internada por 5 dias.
Como o pulmão de bruna foi de 50% para 95% de comprometimento, o médico Rodrigo Gatto suspeitou de uma possível tromsobe e conseguiu transferir ela para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A prontidão salvou a vida da jovem.
Depois de uma noite internada na UTI ela precisou ser intubada. "Minha irmã tinha acabado de chegar de Dourados para me ver e os médicos informaram que infelizmente não seria possível, porque eu tinha piorado e precisei ser intubada".
Foram 12 dias na UTI. "Eu ouvia e sentia tudo, mas parecia que estava morta. Foi um momento de medo, saudade, reflexões. A gente só respira, não se mexe, o tubo incomoda muito e o tempo não passa", relembrou.
Bruna foi apresentndo melhora e acordou da sedação sem precisar de fazer uma traqueotomia. "Quando eu acordei eu não entendia porque estava todo mundo tão feliz e impressionado. Só depois, ouvindo os médicos e sabendo de fato tudo que aconteceu comigo, que eu tomei consciência que deu havia feito um milagre e salvado minha vida".
A jovem professora fala sobre o desafio de ter ficado 25 desses 35 dias sem ver a família. "Ainda bem que eu tinha como companheiros, anjos. os enfermeiros, fisioterapeutas, médicos. Me senti amparada. Fiquei impressionda também com a importância do fisioterapeuta dentro da UTI. Eles são parte da engrenagem que manté a gente vivo", recordou grata.
RECUPERAÇÃO
O processo de recuperação começou ainda no hospital com o "desmame" dos remédios e do cilindro de oxigênio. Como ela havia saído da sedação recentemente, tinha alucinações e a visão ainda não ficava confortavel com a luz. "Eu fiquei totalmente dependente, não fazia nada, precisei de acompanhante".
Já em casa, Bruna conta com a ajuda da avó e do marido para higiene pessoal e atividades básicas da rotina. "Ainda vai levar um tempo para me recuperar 100%, são muitas sequelas, mas Deus é maravilhoso, me permitiu viver, vencer essa luta. Só me resta gratidão imensurável".
Apesar desse dias de incerteza terem passado, Bruna pretende continuar se prevenindo e cuidando de seus entes queridos. Ela está ansiosa para chegar sua vez de tomar a vacina. "Não dá para recomendar que todos fiquem em casa, nem temos suporte do governo para isso, mas se cuidem, o que você vai sentir se pegar essa doença, não passa com dipirona. É muito sério.
Os familiares de Bruna comemoraram sua volta para casa, ficando nos portões e tendo seus corações acalmados a ver a jovem passar de carro e ascenar para eles.
"Deus é maravilhoso", concluiu Bruna.
