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RELATO DE UTI: minha realidade após contrair o Coronavírus

"As enfermeiras ficaram assustadas e correram comigo para a UTI. Chegando no leito me colocaram no oxigênio e de lá não sai tão fácil", contou Júnior

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
12/05/20 às 08h55
Carlos Júnior em isolamento em um quarto do hospital ( Arquivo Pessoal)
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O coordenador de produção em uma empresa de reciclagem, Carlos Júnior de 30 anos, de São Paulo, usou seu perfil nas redes sociais para conscientizar a população sobre a importância do isolamento social. No último domingo, 10, Júnior relatou sua triste experiência ao contrair o Covid-19. O depoimento do coordenador de produção emociona do começo ao fim.

“Eu senti os primeiros sintomas no dia 18 de abril , senti calafrios, dor de cabeça, febre e dores fortes em todo corpo.Fiquei me tratando com CIMEGRIPE.Após 2 dias eu perdi o olfato e o paladar, mas continuava com os primeiros sintomas também, eu achava que era Dengue.

 No dia 21 de abril minha situação piorou, fui levado ao UPA e chegando lá mediram minha saturação e fizeram perguntas, a saturação estava 92, por esse motivo a médica disse que a suspeita era COVID-19, mas que era pra eu voltar pra casa e me tratar com dipirona e passou um anti- alérgico também. No dia 24 de abril  minha situação piorou ainda mais, fiquei com muita falta de ar, febre e tosse.Eu sem querer voltar ao UPA e minha situação piorando ainda mais, eu já não aguentava nem mesmo me virar na cama, me sentindo sufocado, totalmente sem ar. Foi ai que minha esposa, Kary Rodrigues e minha irmã Stephanie Hikari conseguiram me convencer de ir ao UPA. Elas ligaram pra Taiza Silva e ela veio correndo pra me socorrer junto com seu esposo Rodrigo Assis, isso era mais de duas horas da manhã do dia 24 de abril.

Chegando ao UPA mediram minha saturação e desta vez estava marcando 77, as enfermeiras ficaram assustadas e correram comigo para a UTI. Chegando no leito me colocaram no oxigênio e de lá não sai tão fácil.

Vejo profissionais trabalhando, tirando meu sangue, um encaminha o exame, outro prepara medicação, até que a falta de ar fica insustentável, monitor começa a alarmar, você sente o coração bater mais rápido, você não responde mais por você, e está nas mãos dos profissionais de saúde, as imagens da tomografia não apresentam nenhuma melhora, pelo contrário, demonstra que o vírus tomou mais de 50% dos meus pulmões.

Enquanto isso minha família me assiste de longe, sem dar um abraço e dizer um eu te amo de pertinho, várias drogas para me manter vivo, os profissionais se empenhando ao máximo.

Até que no dia 28 de abril as três da madrugada fui transferido para o hospital de campanha no ANHEMBI, lugar onde fui muito bem recebido, até então eu não tinha nenhum contato com a minha família, eles sabiam que eu seria transferido porque a equipe médica que cuidou da minha transferência do UPA para o ANHEMBI, ligou pra minha mãe e pediu pra ela levar pra mim peças íntimas, meu celular e meu carregador...graças a Deus no hospital de campanha do Anhembi podia utilizar o celular pra não se sentir tão sozinho.!!

Foi só ai que consegui me comunicar com minha família e dizer pra eles que eu iria vencer essa doença. Descobri que tinham dezenas de pessoas pedindo a Deus pela minha vida, orando pela minha vida sem cessar. Me emocionei muito em ter essa noticia.

Tive que me adaptar em utilizar o banheiro carregando um cilindro de oxigênio, dependendo das enfermeiras pra me levar pra tomar banho, eu não conseguia andar, tinha que ir de cadeira de rodas.

Fui tratado com AZITROMICINA via oral, injeção na barriga de anticoagulante que dói muito essa vacina, e mais algumas outras drogas na veia que eu não me lembro dos nomes, esse foi o tratamento que durou até o dia 04 de Maio, onde apresentei melhora, já não usava mais a máscara de oxigênio, estava indo tomar banho sem oxigênio e sem cadeira de rodas, foi onde recebi alta e pude voltar pra minha família, muitos lá não tiveram a mesma sorte que eu tive, são mais de 700 pacientes sendo atendidos lá, eu passei e vi coisas que nunca imaginava ver na minha vida.

Mesmo tendo alta a médica receitou 14 dias de repouso e outros cuidados.

Hora de conversar com a família, entenda a importância de estar em quarentena e de se isolar.Se você tem a oportunidade de ficar em casa fique.Para que não aconteça com você ou alguém da sua família.

Aproveito essa publicação para agradecer a todos que oraram por mim, a todos que me passaram energias positivas, muito obrigado a vocês, principalmente a minha família, amigos, colegas, conhecidos e minha mãe Elinéia Jesus.

Compartilhe para conscientizar outras pessoas, graças a Deus estou bem.É pesado, mas espero que essa experiência que passei, traga uma grande reflexão a todos.”

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